Quentin Tarantino sabia do comportamento de Harvey Weinstein

O realizador diz-se arrependido por não ter denunciado Harvey Weinstein. Mais de quarenta mulheres acusaram o produtor, peça-chave na carreira de Quentin Tarantino, de assédio sexual ou abuso.

Em 1992 “Reservoir Dogs” estreou no festival Sundance. Harvey Weinstein percebeu o extraordinário potencial do filme, e de um à data desconhecido Quentin Tarantino. Iniciava-se assim uma relação profícua que teve como filhos a distribuição e produção de filmes como “Inglourious Basterds” ou “Django Unchained”.

Na sequência do escândalo sexual, com dezenas de mulheres a denunciarem Weinstein, Quentin Tarantino – uma das cartas mais fortes do baralho The Weinstein Company – admitiu já ter consciência do comportamento do produtor antes das publicações do The New York Times e do The New Torker.

Sabia o suficiente para fazer mais do que aquilo que fiz (…) Sempre se tratou de algo mais do que um conjunto de rumores, do que um gossip eventual. Eu sabia que ele tinha feito algumas daquelas coisas. Devia ter sido responsável e agido de acordo com o que ouvira.

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Entre as vítimas de Weinstein, para além de Rose McGowan, Eva Green ou Gwyneth Paltrow, está também Mira Sorvino, ex-namorada de Quentin Tarantino.

O que eu fiz foi marginalizar, ignorar os incidentes (…) Tudo o que eu disser agora soará a desculpa. Habituei-me à ideia de um chefe dos anos 50, 60 a perseguir a secretária em redor da mesa. Como se estivesse tudo bem nessa imagem.

Todos aqueles próximos do Harvey terão ouvido alguma história sobre pelo menos uma das situações.

O realizador de 54 anos disse ainda que todos os homens que, como ele, sabiam alguns detalhes sobre o caso Weinstein, devem ser honestos e denunciar publicamente situações passadas.

THE HATEFUL EIGHT | A ÚLTIMA COLABORAÇÃO ENTRE QUENTIN TARANTINO E HARVEY WEINSTEIN

Serve de alguma coisa esta tomada de posição de Quentin Tarantino? Se no caso das vítimas se compreende a demora em denunciar, muitas terão sido as testemunhas que ignoraram o comportamento do poderoso produtor.

Miguel Pontares

Licenciado em Comunicação Empresarial, estudou ainda Escrita de Argumento para Cinema e Televisão. É um dos autores do blog Barba Por Fazer.

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