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A revolução tecnológica e o mercado dos sex toys

Pandemia potencia uso e comércio de brinquedos sexuais.

A pandemia da Covid-19 transformou completamente as nossas vidas. A esfera pessoal e, em particular, a vida sexual, foi muito impactada ao longo deste último longo ano. O Grande Confinamento obrigou-nos a ficar em casa e a pandemia fez com que limitássemos os contactos sociais. A intimidade sexual, porém, continuou viajando por novos caminhos, agora impostos pelas restrições. Imperou a autodescoberta do corpo. Coincidindo com isso, a tecnologia continuou a surpreender-nos das mais variadas formas. Cenários que anteriormente víamos apenas em filmes futuristas são agora realidade. Ora, estes dois factos não são completamente estranhos um ao outro.

Inovação e Tecnologia na indústria dos brinquedos sexuais

Porque à necessidade sexual contida pela pandemia correspondeu o progresso tecnológico dos artigos eróticos, que permitiu dar asas a essas necessidades. E esta não foi apenas uma coincidência feliz, porque desde há alguns anos que a tecnologia ligada ao sexo está na vanguarda. Exemplo disso, foram os dois prémios atribuídos à Satisfyer na categoria de inovação na maior feira de tecnologia do mundo – a Consumer Eletronics Show.

Segundo o jornal Público, esta não foi, aliás, a primeira vez que a indústria responsável por produtos como vibradores venceu um prémio de inovação neste certame. Já em 2019, o vibrador Osé, da empresa Lora DiCarlo tinha vencido o prémio, mas o mesmo havia sido revogado por ser “imoral, obsceno, indecente ou profano”. Contudo, o progresso venceu a obscuridade e o prémio acabaria por regressar à fundadora da empresa meses mais tarde.

Exemplo da tecnologia aliada ao mercado de sex toys é o teledildónico Lush 2, um produto neste caso desenhado para o público feminino.

Segundo o especialista Pedro Correia, gestor da sex shop em Lisboa que comercializa sex toys para homens e mulheres, Vibrolandia, este é um produto altamente procurado, o que o coloca no primeiro lugar da lista no segmento tecnológico.

“Trata-se de um vibrador – ou óvulo – introduzido na mulher, com esquemas pré-montados de vibração, que podem ser controlados por alguém à distância, através do computador, telemóvel (ou smartwatch)” afirma o empresário sobre o produto.

Curiosamente, na sua versão mais atual, este brinquedo vem equipado com um motor mais forte. Se ligado à internet, não há – literalmente – distância limite para o seu uso. Quer isto dizer que em pleno lockdown foi possível usar este brinquedo. São sex toys como o Lush 2, e outros com recurso a tecnologia de ponta que, em contexto de pandemia, têm valorizado o mercado dos brinquedos sexuais, vibradores, etc.

Mercado Global de Sex Toys com crescimento estimando de 8% até 2028

É revelador que em 2020, este mercado tenha sido valorizado em cerca de 33,64 mil milhões de dólares, segundo revela um relatório da Grand View Research citado pelo Público. O mesmo relatório perspetiva uma taxa de crescimento no setor de 8,04% de “2021 a 2028”. Categórico! Outro relatório citado pela mesma publicação, da autoria da Technavio, revela que o “mercado global de brinquedos sexuais deve crescer 9,83 mil milhões de dólares americanos” entre 2020 e 2024.

Contudo, já havia indicadores de crescimento deste mercado no contexto pré-pandémico. A notícia convoca um artigo da Business Wire para referir que já se sentia um aumento da procura por vibradores em 2019. A trabalho do Público aponta ainda a uma “revolução” que se está a dar no setor e para o qual a tecnologia tem dado um contributo importante. Essa revolução está patente no crescimento de empresas e produtos dirigidas a mulheres, o que tem ajudado a aproximar consumidoras a vários tipos de sex toys.

Um exemplo paradigmático dessa nova tendência é a associação de várias personalidades famosas a este mercado. Dakota Johnson, por exemplo, investiu na Maude, uma marca de produtos de bem-estar sexual, na qual exerce também o cargo de co-diretora criativa. Já Cara Delevingne passou a ser uma das proprietárias e conselheira criativa da já citada Lora DiCarlo.

A tecnologia veio para ficar. O “novo normal” vai também trazer novos hábitos à vida sexual. Os prometidos loucos anos 20 seguramente não vão desiludir ninguém, mas o reforçado papel da tecnologia na vida sexual irá ajudar a criar condições para uma diversão mais segura. Os brinquedos sexuais com controlo à distância são exemplo disso. Pode-se estar num lugar do mundo e o parceiro noutro lugar completamente diferente, sem que a diversão se perca. Pode-se estar em “quarentena” e, ainda assim, manter-se sexualmente ativo e brincar com o seu parceiro à distância.

A pandemia veio mudar a nossa vida e a nossa vida sexual, é verdade. Mas isso não é necessariamente mau.

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