Rock in Rio Primeiro dia

Rock in Rio Lisboa | Uma explosão de Muse no primeiro dia

Bastille abriram o apetite para os cabeças-de-cartaz Muse na sua boa forma habitual, a dar ênfase ao Rock no primeiro dia do Rock in Rio Lisboa. O Palco Mundo ficou ainda marcado pelas atuações do luso Diogo Piçarra e das energéticas HAIM. 

Desde a abertura de portas que se percebia o que levou milhares de pessoas a, ao longo do dia, encherem o recinto do Parque da Bela Vista no sábado: não seria só o slide, nem a roda gigante, nem as imensas restantes atividades que o festival tem para oferecer (apesar de os brindes continuarem a ser atração principal, criando filas infindáveis). Não; não descurando as restantes atuações, era dia de concerto dos Muse, e os festivaleiros vestiram-se a rigor para os receber, exibindo as suas camisolas e preparando os cartazes para a atuação final.

A primeira sonante atuação do dia no Rock in Rio Lisboa foi a dupla brasileira AnaVitória, no Palco Music Valley, seguindo-se Carolina Deslandes e a sua voz angelical. Mas foi Diogo Piçarra que, às 18H em ponto, abriu o Palco Mundo do festival, perante alguns fãs que já compunham a frente de palco e que demonstraram saber muitas das suas músicas de cor. O vencedor do Ídolos tenta, como faz sempre, dar um espetáculo ao agrado de todos, recorrendo até a um pequeno crowdsurf e à companhia de dançarinos, e trazendo de novo as AnaVitória para “Trevo”. Houve ainda tempo para uma bela homenagem a Zé Pedro, com uma interpretação ao piano de “Homem do Leme” e aí, até os mais cépticos sentiram vontade de acompanhar e cantar.

Diogo Picarra Rock in Rio

Seguiram-se as HAIM, numa injeção de energia e boa disposição. Apesar de terem conseguido aparentemente menos espectadores do que o seu predecessor em palco – fosse por estarem derrotados pelo imenso calor ou a aproveitar a hora de jantar -, o trio de Los Angeles empenhou-se bastante para animar o público que subsistiu e mostraram do que é feito o seu poder feminino, deixando ainda umas palavrinhas em Português. A energia das irmãs Este, Danielle e Alana é de facto, contagiante, mas não acabou por não ser o suficiente para fazer levantar os pés do chão aos alguns milhares de pessoas que se preparavam para os últimos concertos.

Haim Rock in Rio

Bastille são todo um outro discurso. Os britânicos liderados por Dan Smith têm perceção que são a ponte até aos cabeças de cartaz, fazendo valer pela quantidade de vezes que perguntam se o público está entusiasmado com a vinda dos Muse. No entanto, têm mais fãs do que provavelmente imaginam, não sendo de todo a sua primeira vez em território nacional. Com um alinhamento a cobrir todos os seus “hits” principais, como “Things We Lost in the Fire”, “Bad Blood” ou “Oblivion”, e até algumas surpresas como “Quarter Past Midnight”, Dan Smith, além de ostentar os seus poderosos vocais, não se poupou nas palavras e tentou também comunicar num português que, segundo o próprio, “é uma m*rda”, tendo ainda tempo de deixar uma dedicatória bem direta a Donald Trump antes de “The Currents”. Terminaram com “Pompeii”, o tema que os levou para a ribalta, numa plena união com o público já após o anoitecer na Bela Vista.

Bastille Rock in Rio

Após as entradas, chegaria o prato principal do dia. Apesar de não cumprida a típica pontualidade britânica, os Muse sabem que, à terceira vez a pisar o Palco Mundo já não são necessárias grandes apresentações, e isto posto, entram em palco e começam imediatamente a tocar um dos seus mais recentes singles, “Thought Contagion”. Seguiu-se “Psycho”, que o público tem todo o gosto em acompanhar, e o furacão “Hysteria”, levando os presentes cedo ao êxtase quando a única linguagem proferida até então tinha sido a música. O alinhamento da noite parece ter sido escolhido em modo de síntese dos seus mais de 20 anos de carreira, abordando temas da velha guarda, como “Plug In Baby”, à qual se seguiu a vigorosa “Resistance”. Sucederam-se temas mais ‘popularuchos’ como “Supermassive Black Hole”, na qual o solo de guitarra se transformou num momento pornográfico por parte do líder Matt Bellamy, e houve oportunidade também para dar presentes aos fãs de longa data com, por exemplo, “Stockholm Syndrome”, na qual Bellamy volta a mostrar o seu lado mais apaixonado e destrói uma guitarra e um amplificador.

Foi com a chegada de “Starlight” que a banda se fundiu com o público, com o refrão cantado em uníssono entre o vocalista e uma grande parte dos 71 mil presentes, foi com “Mercy” que testemunharam uma explosão de cor, confetti e e serpentinas, e foi com “Uprising” e “Knights of Cydonia” que chegaram ao clímax de uma noite no Parque da Bela Vista que não poderia ser descrita em palavras de melhor forma que foi descrita pela música.

Muse Rock in Rio

Nunca escondendo a sua visão política, Matt Bellamy poderia liderar uma revolução, pois lidera uma, com certeza, no interior de todos os que seguem a banda desde os seus primórdios. É uma batalha eterna contra tudo o que está errado no mundo, a render-se a um sentimento de poder disseminado pelos seus temas. E no regresso às terras lusas, não obstante da magnificência a que já nos habituaram nos seus concertos em nome próprio, os Muse não desiludiram e formaram um espetáculo que parece regredir para o seu estilo do fim de anos 90 e início de 2000, sem grandes apetrechos de maior e apenas com o fluir da música, o que com certeza fez o deleite de fãs dos seus primeiros álbuns e dos fãs do festival, ao trazer o Rock de volta ao seu nome.

A banda britânica terminou o concerto com uma promessa: “we will be back here next year”.

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Fotografias: agenciazero.net

Ana Rodrigues

Seriófila, e amante das artes cinematográficas.

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