Salem T1 | Primeiras Impressões

 

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  • Título Original: Salem
  • Produtores: Fox 21, WGN America
  • Criadores: Adam Simon, Brannon Braga
  • Elenco: Shane West, Xander Berkeley, Seth Gabel, Janet Montgomery, Ashley Madekwe
  • Género: Drama, Sobrenatural, Terror
  • 2014 | EUA |

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“Come on down boys, the darkness is waiting for you!”

                                                                                                                  Rose

 

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Numa era carregada de superstição e misticismo, a pacata aldeia de Salem, gravou o seu nome na história americana pelos famosos julgamentos por bruxaria, numa noite de Outubro de 1962. Baseado na obra teatral de Arthur Miller “As Bruxas de Salém“, a pequena localidade do estado de Massachussets, volta a reviver a caça às bruxas que tanta histeria e paranóia gerou na santa terrinha possuída por demónios.

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Volvidos sete longos anos a combater os índios, o fantasma vivo de John Alden (Shane West), regressa à sua terriola natal para reencontrar a sua amada Mary Sibley (Janet Montgomery) – promovida a bruxa superior após ter vendido o filho de ambos num ritual a Satanás. Bem casada com o ricalhaço puritano George Sibley (Michael Mulheren), que puniu o crime de fornicação e despachou Alden para o leito da morte, vê-se agora decrépito numa cadeira de rodas e enfeitiçado com uma rã pela goela abaixo para não acordar os vizinhos.

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Se retirarmos o apelido Sibley, a Maria campestre que existe em cada aldeola por esse Portugal fora, teria um coração bondoso e um rosto angelical, mas basta um nome pomposo para o monstro interior apoderar-se da nossa identidade primordial. Já dizia Stephen King que “os monstros existem, estão dentro de nós, e às vezes ganham”, mas enquanto o amor não se transformar em ódio existe sempre uma esperança de redenção pessoal. Mary Sibley é a personificação pecaminosa dessa dicotomia existencial, exemplarmente incorporada pela atriz Janet Montgomery. Sucedendo a Michael em “Nikita”, o ator Shane West consegue emprestar à sua personagem a coragem guerreira de um coração palpitante, que bem poderia descender de William Wallace.

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E para atiçar ainda mais os espíritos malignos, só faltava o caçador de bruxas aristrocrata Cotton Mather (Seth Gabel), cedido pela divisão Fringe para perseguir bruxas como uma “Buffy”. Crente no Senhor, o pastor começa a sua obra de exorcismo público, debatendo-se no seu âmago com as forças perversas dos seus desejos mais ardentes. Detentor de métodos pouco ortodoxos, imaginem o padre da vossa paróquia a passear uma paciente demonizada de trela e açaime, como um cão vádio a farejar o rasto do bruxedo, e terão um cheirinho das atrocidades vigentes. Imperialmente, o ator Seth Gabel é explêndido nessa interpretação excêntrica, conferindo personalidade e irreverência ao enredo ambicioso.

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Do lado do mal só poderia pertencer o magistrado Hale (Xander Berkeley), um dos homens mais influentes e poderosos de Salem. Confidente íntimo de Mary Sibley, ele parece alinhar com o lado mais forte, mas existe algum mistério em torno das suas reais intenções e uma predisposição para a conspiração natural. Como sempre, o ator Xander Berkeley impõe respeito em palco, sugando as atenções com o seu olhar profundo e as suas deixas auspiciosas e sarcásticas.

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Assim, invocação ante invocação, o potente feitiço de Salem vai-se emaranhando na pele e na mente, como um chamamento sussurante da “Blair Witch” lá do sítio. Sem impôr o seu universo abrutamente, a apresentação dos intervenientes possui o ritmo apropriado, como peças de um puzzle que se vão encaixando com primor. Nota-se que estamos perante uma produção de alto nível, não só pela riqueza do elenco, mas igualmente pelas vastas vistas verdejantes e guarda-roupa detalhadamente recriado para a época. “Salem“, é vergonhosamente excitante e aterradoramente audaz, direcionado para um público mais amadurecido e contemplativo.

P.S – Witch Among Us…

MS

Miguel Simão

Jurista e Poeta em algumas horas vagas. Cinéfilo incurável com forte pancada pelo sci-fi, que se perde algures pelo vício noturno de umas quantas séries televisivas de renome; amaldiçoado pelo perfecionismo estético de uma resma de palavras mais ou menos caras. Podem encontrar-me a divagar entre a Terra e o Espaço no meu blogue premiado Última Transmissão Humana.

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