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Em semana de eleições, regressamos a 1986 com Nuno Markl

Estamos a seis dias da segunda volta das eleições presidenciais. Pela primeira vez em 40 anos, há uma segunda volta. No entanto, o contexto de 2026 é bastante diferente do de 1986.

Se em 1986 a escolha era entre um candidato da esquerda democrática e um candidato da direita democrática, agora, a escolha é entre um candidato democrático e um candidato que desafia a democracia. É tempo de voltarmos a “1986” (2018), a série de Nuno Markl para a RTP que nos trouxe a História das primeiras eleições presenciais portuguesas com duas voltas.

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Qual a narrativa de 1986?

1986
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Não é uma série nova mas acabou de se tornar ainda mais relevante (re)ver nas últimas semanas. “1986” estreou na RTP1 em março de 2018 e veio recordar-nos o ano que dá nome à série numa perspetiva autobiográfica de Nuno Markl. Certamente que nada fazia prever ao autor da minissérie que oito anos depois, o tema de uma segunda volta eleitoral voltaria a ser tão relevante. Especialmente quando Marcelo Rebelo de Sousa se tinha tornado Presidente da República há pouco tempo.

“1986” conta a história de Tiago (interpretado por Miguel Moura e Silva) – um mini-Markl – que se apaixona por Marta (Laura Dutra). Aquilo que Tiago nunca imaginaria é que o pai dela era um fervoroso apoiante da candidatura de Freitas do Amaral… E porque é que isto se tornou um problema? Porque o pai de Tiago, ferrenho comunista, não tolerava nem um bocadinho Freitas do Amaral e só votava em Mário Soares para derrotar o ‘facho’.

Para lá da história de amor ‘à la’ Romeu e Julieta, “1986” tem todo um mundo relevante à sua volta. Por um lado, em 1986 foi também o ano da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia. Por outro lado, traz todo o universo ‘geek’ que Nuno Markl tanto gosta – afinal, a série também é sobre si e a sua infância -, desde os videojogos, ao Centro Comercial Turim, ao videoclube, e ao cinema em geral.

Quando foi lançada, “1986” ficou disponível na íntegra na RTP Play – onde ainda podes ver hoje. Foi um acontecimento praticamente inédito para a empresa pública que só muito esporadicamente lança séries nacionais completas. Apesar de contrariar o conceito da época dos anos 1980 onde nunca poderíamos fazer ‘binge’, a série foi extremamente bem recebida e um êxito imediato na plataforma digital da RTP.

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Qual o elenco da série?

“1986” tem um elenco de grandes nomes do panorama audiovisual português. Se o elenco juvenil era maioritariamente desconhecido, o mesmo não se pode dizer dos adultos.

Assim, além de Miguel Moura e Silva e Laura Dutra, protagonizam a série Miguel Partidário (como Sérgio), Eva Fisahn (Patrícia), Henrique Gil (Gonçalo), Adriano Carvalho (Eduardo, pai de Tiago), Teresa Tavares (Alice, professora de Tiago), Gustavo Vargas (Fernando, pai de Marta), Mafalda Santos (Maria de Lurdes), Tiago Garrinhas (Tó), Simon Frankel (Professor Zé), Ana Cunha (Teresa), Marina Albuquerque (Isabel), Anabela Teixeira (Mãe de Patrícia), Carlos Almeida Ribeiro (Manuel) e Ana Bola (Conceição). Além disso, Nuno Markl também tem uma pequena participação especial como o Pai do Sérgio.

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Porque 1986 é relevante em 2026?

Nos Bastidores de "1986"
Nos Bastidores de “1986” | © RTP

É claro que a razão mais óbvia é o facto de abordar uma segunda volta de eleições presidenciais, algo que até então era inédito em Portugal. Mas, por outro lado, também é uma forma divertida de recordar uma época e de lembrar coisas que já estão muito distantes como, por exemplo, os videoclubes. Se em 1986 eram um sucesso, quem é que adivinharia que 40 anos depois estariam extintos?

À beira de umas novas eleições, muito mais inéditas do que as de 1986, o que diria o pai de Tiago hoje sobre a luta entre António José Seguro e André Ventura? Se calhar, ainda se arrependeria de chamar ‘facho’ a Freitas do Amaral…

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É também interessante verificar como o confronto Mário Soares / Freitas do Amaral dividiu o país e a forma como isto se repercuta em 2026.

“1986” é não só um elogio aos grandes clássicos do cinema e da música da época como também reconstrói com muito detalhe a época na direção artística dos décors e no vestuário das personagens. Apesar do foco em Portugal, com referências à rádio pirata, a Lena d’Água ou ao sucesso “Duarte e Companhia” (1985-89, Rogério Ceitil), “1986” também não esquece os grandes acontecimentos mundiais do ano como a missão Challenger que acabou num desastre ou o avistamento do cometa Halley.

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As palavras de Nuno Markl sobre a série

“1986” é uma criação de Nuno Markl com realização de Henrique Oliveira. Os argumentos foram coescritos por Nuno Markl, Ana Markl (sua irmã) e Filipe Homem Fonseca. Teve treze episódios e não é só a imagética da série que está muito bem conseguida. Também a música original de João Só, com a participação de cantores como Lena d’Água, Ana Bacalhau, David Fonseca ou Rita Redshoes nos dá um ambiente extremamente acolhedor a esta obra. Nesse aspeto, foi mesmo lançado um CD com a música da série.

Para lá disso, Nuno Markl falou à RTP sobre a série e o seu caráter autobiográfico (ainda que seja uma ficção). Diz o autor: “Em várias coisas é autobiográfica. (…) É sobre pedaços da minha juventude. (…) Há uma personagem que é inspirada no meu pai.” Além disso, Markl também refere que tem igualmente coisas da vida dos outros dois argumentistas: Ana Markl e Filipe Homem Fonseca. Podes ver a entrevista no início deste subtítulo. Nela, o autor também refere que se envolveu bastante na criação das personagens, escolhendo ao pormenor aquilo que cada uma delas tinha nos seus quartos.

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Quanto à série, apesar de não estar em exibição na televisão (algo que a RTP poderia ter feito em paralelo com a série documental “A Duas Voltas”, na verdade), podes vê-la na íntegra através da RTP Play.


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