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Sempre, uma ode ao 25 de Abril, chega à televisão portuguesa

Achavas que, depois de “Broker – Intermediários” (2022, Hirokazu Kore-eda), “Amor Verdadeiro” (2024, Charlie Covell e Iain Weatherby) e “Revolução da Ficção Científica” (2024, David Weiner) as estreias da semana na RTP2 já tinham chegado ao fim? Enganas-te, pois o canal público vai estrear ainda o filme “Sempre” (2024, Luciana Fina).

Este filme de Luciana Fina foi feito com recurso a imagens de arquivo e teve o objetivo de celebrar os 50 anos do 25 de Abril.

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Qual a narrativa de Sempre?

Sempre
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“Sempre” é um documentário que Luciana Fina realizou com recurso com imagens de arquivo provenientes da Cinemateca Portuguesa e RTP. Além disso, “Sempre” foi também uma exposição em formato de instalação na Cinemateca Portuguesa em 2024; aliás, foi essa a primeira vida deste projeto.

O objetivo do filme de Luciana Fina é simples: 50 anos depois do 25 de Abril de 1974, revisitam-se as imagens da Revolução portuguesa. Pretende-se com isso analisar a transição do fascismo para a liberdade e ver o processo de construção de um novo país.

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“Sempre” é também um tributo ao cinema que acompanhou a Revolução com um olhar bastante íntimo chegando, por vezes, a interferir no decurso da mesma. Além das imagens do 25 de Abril (desde o dia da Revolução, ao PREC, à descolonização), Luciana Fina traz-nos ainda imagens da ditadura onde se destacam as ocupações estudantis de 1969. Assim, o arquivo fílmico utilizado vai de 1962 até 1983 e recorrem-se a diversos formatos: ficção, documentário, atualidades e cinema amador.

Como forma de desconstrução – e remetendo ao facto de que Luciana Fina é também uma artista visual -, as imagens de “Sempre” são articuladas com sons e imagens alusivas ao momento histórico atual: manifestações pelo direito à habitação, ao trabalho digno e à cultura e igualdade de género.

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Quando podes ver Sempre?

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O filme “Sempre” vai ter exibição na RTP2 já esta noite – de sábado 29 para domingo 30 de novembro – pelas 00h03. Pessoalmente, tenho pena do horário escolhido pelo canal público para a exibição deste relevante filme. Contudo, para quem não conseguir ver “Sempre” neste horário, além de poder ver nas suas boxes de televisão por cabo, o filme vai ainda ficar disponível na RTP Play durante 2 semanas.

Luciana Fina é uma realizadora e artista visual italiana radicada em Portugal. O seu filme “Sempre” teve estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Veneza na secção Giornate degli Autori. Mais tarde, em Portugal, teve exibições, por exemplo, no DocLisboa e Caminhos do Cinema Português. Neste último venceu o Grande Prémio Cidade de Coimbra.

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Que filmes Luciana Fina recuperou?

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“Sempre” é um filme constituído sobretudo por imagens de arquivo portuguesas. O facto da Cinemateca Portuguesa ter digitalizado recentemente uma boa parte do seu acervo em alta definição terá, inclusive, sido uma mais valia para a construção deste documentário. De origens variadas, há alguns filmes que vale a pena referir como tendo sido incluídos na montagem de “Sempre”. São eles: “Cravos de Abril” (1976, Ricardo Costa), “Revolução” (1975, Ana Hatherly), “Vamos ao Nimas” (1975, Lauro António), “Dina e Django” (1981, Solveig Nordlund), “Máscaras” (1976, Noémia Delgado), “Os Verdes Anos” (1963, Paulo Rocha), “Deus Pátria Autoridade” (1975, Rui Simões), entre outros.

Além das imagens de origem portuguesa, Luciana Fina também recorreu a algumas imagens de origem estrangeira, ainda que em menor número. O exemplo mais notório disso são as imagens do filme “Bianca” (1984, Nanni Moretti).

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