Star Wars: O Despertar da Força, Primeiras Impressões

 

As palavras de ordem deste VII episódio da saga ‘Star Wars: O Despertar da Força’, são rejuvenescimento, mantendo os abraços originais e uma passagem de testemunho para uma nova geração de realizadores, atores e até provavelmente técnicos e criativos, num negócio que já não é um exclusivo de George Lucas e está para além das salas de cinema.

FICHA TÉCNICAo despertar da força

Título Original: Star Wars – The Force Awakens
Realizador: J.J. Abrams
Elenco:  Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac Género: Ficção Cientifica
Disney | 2015 | 135 min[starreviewmulti id=18 tpl=20 style=’oxygen_gif’ average_stars=’oxygen_gif’] 

George Lucas já não aparece sequer no genérico. Talvez seja mesmo melhor este  ‘Star Wars: O Despertar da Força’ não tenha sido feito por George Lucas, pois os 3 últimos filmes as prequelas, (I, II, III), eram confusos, maçadores e não agradaram por aí além aos incondicionais admiradores, nem às novas gerações de espectadores, que despertaram entretanto para outras sagas como ‘Jogos da Fome’ ou ’Divergente’. Os génios também se deixam ultrapassar.

No entanto, o homem que parece ser capaz de relançar ‘Star Wars’, chama-se J.J. Abrams, um fã devoto da saga (tinha 11 anos em 1977), que fez entretanto a série de televisão ‘Perdidos’, dois ou três ‘Missão Impossível’ e os últimos ‘Star Trek’, que é um grande contador de histórias da ‘novíssima Hollywood’ e um realizador que se mexe como peixe na água neste ideal de cinema, assente no equilíbrio, entre a dimensão épica e espectacular e uma narrativa simples, mais concentrada e menos filosófica.

Rey (Daisy Ridley) e Han Solo (Harrison Ford)
Rey (Daisy Ridley) e Han Solo (Harrison Ford).

 

‘…assente no equilíbrio, entre a dimensão épica e espectacular e uma narrativa simples, mais concentrada e menos filosófica.’

São precisamente estes factores que caracterizam este VII episódio, ‘Star Wars: O Despertar da Força’ que começa cerca de 30 anos após ‘O Regresso de Jedi’, e num tempo de uma nova organização universal chamada Primeira Ordem, que prossegue a senda maléfica e fascista do Império Galáctico e contra a qual luta a Resistência, que substitui a antiga Aliança Rebelde. Bem jogado! 

Abrams, foi buscar alguns traços e boas apostas do passado, e para além da música do  maestro John Williams, trabalhou com Lawrence Kasdan (o realizador de ‘Noites Escaldantes’, ‘Silverado’, ‘Amar-te-ei Até te Matar’, entre outros grandes filmes de género), um homem de mão de George Lucas, argumentista de ‘Salteadores da Arca Perdida’, de dois episódios anteriores ‘Império Contra Ataca’ (V) e ‘O Regresso de Jedi’ (VI), um artista ‘todo-o-terreno’, que sabe trabalhar como ninguém nos seus guiões, com sentimentos misturados com acção.

Um misto de acção e sentimentos.
‘Star Wars: O Despertar da Força’ é um misto de acção e sentimentos.

‘…sabe trabalhar como ninguém nos seus guiões, com sentimentos misturados com acção.’

É assim que em ‘Star Wars: O Despertar da Força’, temos as mesmas e belíssimas cenas de batalhas no espaço, mas mais diálogos e mais dimensão humana para as personagens, já que  os grandes efeitos especiais já não são novidade e disso já estamos fartos. Pelo contrário os efeitos são os mais tradicionais, não se notam e quase sempre com recurso às rodagens em localizações naturais (Irlanda, Abu Dhabi) ou a grandes fotografias de cenário (nos estúdios de Pinewood em Londres ou nos barracões da Bad Robot, de Abrams em Santa Mónica na Califórnia), apoiados em excelentes movimentações de câmera, com menos explosões sonoras e menos efeitos digitais (CGI).

A história de facto é simples, quando os dois principais heróis encontram um sabre perdido num baú, querem obviamente localizar e entregá-lo ao mítico Luky Skywalker, o Jedi que tem estado afastado dos lutas, mas que no entanto pode ajudá-los nesse combate contínuo da Resistência, contra as forças do mal. E que mal desta vez escondido atrás da máscara do insubstituível Andy Serkis (Líder Supremo Snoke).

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Os novos e velhos actores.

 

VÊ TAMBÉM: ‘Star Wars: O Despertar da Força’ | Trailer Oficial

Aqui novamente é preponderante a questão do equilíbrio: entre os personagens fundadores com o regresso da Princesa Leia (Carrie Ficher), Han Solo (Harrisson Ford), Luke Skywalker (Mark Hamill ) ou Chewbacca (Peter Mayhew), com os novos personagens, Finn (John Boydega, um actor novato), um stromptooper renegado; uma nova heroína, a sucateira Rey (Daisy Ridley da série ‘Girls’); um extraordinário piloto de naves chamado Poe (Oscar Isaac, de ‘A Propósito de Lewyn Davis’); um novo vilão Kylo Ren, que representa as forças do mal à imagem de Darth Vader (a jovem revelação Adam Driver, também do elenco de ‘Girls’), e ainda o delicioso robô rolante BB-8.

Como sempre por trás do argumento e recorrente em quase todos os filmes da saga ‘Star Wars’, está para além da luta entre o Bem e o Mal, a questão trágica e edipiana do filho que quer substituir-se ao pai. Finalmente há um conjunto de surpresas, que começa pelo aparecimento das personagens fundadoras (dá vontade de bater palmas!) e segredos, que não se devem obviamente revelar, pois vão dar um novo e renovado interesse à saga das estrelas.

A tragédia edipiana.
A tragédia edipiana.

 

‘…está para além da luta entre o Bem e o Mal, a questão trágica e edipiana do filho que quer substituir-se ao pai.

Star Wars: O Despertar da Força é uma evolução na continuidade, que já não tem o efectivamente o impacto dos três primeiros filmes e de outros tempos de ver batalhas espaciais no grande ecrã, pois a ficção científica, passava apenas na televisão e nos livros aos quadradinhos. Agora é apenas uma boa tentativa de agradar às novas e às antigas gerações de espectadores. No entanto, mais do que um filme ou uma saga de ‘Star Wars’, é um conceito de negócio e entretenimento. E que a Força esteja contigo!

O melhor: Os diálogo entre os personagens, que soam entre o quotidiano e o shakespeariano.

O pior: Apesar de tudo tem um menor impacto do que os três primeiros (e velhos!) filmes da saga.

Consulta Também: Guia das Estreias de Cinema | Dezembro 2015

 

JVM

 

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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