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Sundance 2022 | Outros Filmes Que Vimos

Aqui encontrarão críticas sobre outros filmes que assistimos durante o Sundance Film Festival 2022 e que valem a pena conhecer.

 

892
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“892” possui uma história comovente e chocante baseada em eventos verídicos, provando que a vida real é tão incompreensível que os espetadores já não conseguem distinguir realidade de ficção. John Boyega oferece uma das suas melhores interpretações da carreira, entregando uma prestação genuinamente transformadora repleta com emoção palpável. Michael K. Williams (última performance) e Nicole Beharie também se destacam. Infelizmente, a narrativa centrada num só local não possui suspense e tensão suficientes para manter o público totalmente cativado durante todo o tempo de execução. Mesmo sem saber o fim de antemão, o build-up para a conclusão previsível – lindamente executada – carece de pontos de enredo interessantes e desenvolvimento de personagem impactante. Não deixa de ser chocante, mas é um visionamento que a maioria dos espetadores não repetirá.

Call Jane
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“Call Jane” apresenta uma premissa convincente focada nos direitos das mulheres, notavelmente elevada por prestações excelentes de Elizabeth Banks, Sigourney Weaver, Chris Messina e Wunmi Mosaku. Um primeiro ato interessante e envolvente rapidamente conquista os espetadores, apresentando um argumento bem escrito e um uso inteligente de músicas espirituosas. No entanto, a história gradualmente perde força, tornando-se repetitiva e monótona. Praticamente todos os pontos significativos são cumpridos durante a primeira metade, logo a última hora parece algo redundante e irrelevante, tirando um desenvolvimento em específico. Problemas de ritmo surgem com o tempo de execução excessivamente longo e a tentativa de Phyllis Nagy de cobrir demasiado terreno. Além disso, a ligação emocional com a protagonista e a própria narrativa é intermitente ao longo do filme. Um bom esforço, no entanto.

Emily the Criminal
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“Emily the Criminal” possui duas prestações fenomenais de Aubrey Plaza e Theo Rossi, mas a sua narrativa formulaica de um crime-thriller carece de ideias criativas o suficiente para a tornar mais do que meramente “mais uma obra”. A atriz prova mais uma vez o seu imenso talento, mas na verdade, é o ator que surpreende num papel mais terra-a-terra que quebra muitos estereótipos relacionados com este tipo específico de personagem. Um bom final pode deixar o público com uma opinião mais positiva do que o filme justifica, mas é admitidamente divertido e interessante o suficiente… para um lançamento caseiro.

God's Country
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“God’s Country” apresenta uma interpretação notável de Thandiwe Newton, mas o argumento previsível e desconcentrado torna este filme demasiado mediano para relembrar. Tecnicamente, é um dos filmes mais fortes do festival. Cinematografia deslumbrante, banda sonora impactante, atmosfera envolvente – contém os ingredientes técnicos essenciais para um grande filme. No entanto, ao tentar abordar muitos temas distintos, Julian Higgins não é capaz de se focar adequadamente e desenvolver excecionalmente um único assunto. Além disso, a protagonista carrega motivações compreensíveis, mas as suas ações consequentes parecem contraditórias. O racismo e o sexismo que sofre diariamente são reais, mas a sua forma de enfrentar essas situações está longe de ser exemplar. Por último, o final tenso e algo chocante funciona lindamente em teoria, mas como tudo em termos de enredo é tão pouco surpreendente e lento, os espetadores provavelmente já se sentirão demasiado cansados ​​​​para se importarem.

Honk For Jesus. Save Your Soul
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Honk For Jesus. Save Your Soul” carrega um tremendo potencial enquanto sátira religiosa, mas tirando as prestações dedicadas de Regina Hall e Sterling K. Brown, é difícil encontrar outros componentes agradáveis. Excetuando duas sequências admitidamente hilariantes, a grande maioria das piadas e referências sobre religião e a igreja não resultam, de todo. O enredo dramático desinteressante leva-se demasiado a sério, afetando negativamente o equilíbrio entre os diferentes tipos de narrativa. A ideia por detrás dos aspect ratios distintos faz sentido “no papel”, mas a sua execução repetitiva e constantemente alternada torna-se mais frustrante do que qualquer outro pormenor técnico. Talvez espetadores com uma conexão mais profunda com a religião e com conhecimento sobre como funciona o sistema da igreja americana encontrem mais entretenimento…

Master
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“Master” detém uma das histórias Negras mais significantes, instigantes e com maior propósito do festival. A estreia na realização de Mariama Diallo traz uma narrativa intrigante repleta com comentários sociais impactantes sobre racismo e supremacia branca, “disfarçando-os” com uma força maligna sobrenatural aterrorizante rodeada por uma banda sonora poderosa e uma cinematografia assustadora. Regina Hall oferece uma performance impressionante, tal como Zoe Renee, mas a primeira realmente brilha no papel principal. A personagem de Amber Gray podia ter sido melhor explorada, assim como alguns temas secundários, que resultam numa perda de foco na secção intermédia. No entanto, o argumento bem redigido oferece um ponto de vista informativo, permitindo que os espetadores sintam a discriminação que as personagens principais sofrem sem nunca tornar a mesma num ponto de enredo forçado. A cena final com os créditos já a rolar é uma conclusão perfeita para demonstrar as diferenças culturais e comportamentais em relação a cada raça.



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