The Bluff | Entrevista com Priyanka Chopra
“The Bluff” é um novo filme que acompanha Ercell, conhecida como “Bloody Mary”. Ela pensava ter escapado ao seu passado violento como pirata, encontrando paz nas Ilhas Caimão com o Marido, o seu filho e a cunhada.
Contudo, o seu ex-capitão Connor reaparece para uma vingança, que destroi o mundo de Ercell. Assim, ela é obrigada a enfrentar o seu passado, de onde queria fugir, e volta a um jogo mortal, cheio de segredos.
Este filme de aventura, ação e muito suspense chega à Prime Video já no dia 25 de fevereiro. O elenco conta com Priyanka Chopra, Karl Urban, Temuera Morrison, Ismael Cruz Córdova e David Field. Assim, partilhamos uma entrevista exclusiva com a protagonista Priyanka Chopra, que nos revela tudo sobre a sua nova personagem em “The Bluff”.
Podes apresentar-nos a tua personagem, Ercell?
Há tanto para dizer sobre a minha personagem. Ela era filha de servos contratados no século XIX e o navio onde seguia foi saqueado por piratas. Mataram a família dela, raptaram-na e foi criada num navio pirata.
Isto aconteceu, de facto, com algumas piratas que pesquisei, incluindo Grace O’Malley, da Irlanda. A vida de Ercell foi dura enquanto mulher num navio pirata… podem imaginar as agressões, a escravidão, os abusos.
Ela decidiu fugir desta vida e começar de novo quando se apaixonou por um marinheiro. Então roubou o ouro do seu parceiro e fugiu para uma ilha maravilhosa em Cayman Brac, onde começou uma nova vida. Mas o passado acabou por a assombrar. Para mim, o mais incrível na Ercell — e com o qual me identifico muito — é a pergunta: o que faria uma mulher para proteger a sua família? O que faria uma mãe? Até onde iria? Até onde estaria disposta a ir? Isso tocou-me profundamente.
Como surgiu o teu envolvimento no projeto — Como atriz e como produtora?
Estava a filmar a segunda temporada de “Citadel” com Joe Russo e tenho uma relação incrível com a AGBO através desse projeto. Um dia, o Joe enviou-me o argumento por e-mail e, assim que comecei a lê-lo, não consegui parar. Li-o de uma só vez e tocou-me a muitos níveis. Fiquei muito entusiasmada por participar e grata por ter conseguido o papel.
Quando conheci o Frank E. Flowers (realizador), percebi que seria algo especial para mim enquanto atriz na minha filmografia. Poder viajar até ao século XIX e interpretar uma mulher com tantas camadas foi um privilégio. E integrar o projeto como produtora e verdadeira parceira criativa foi incrível. A AGBO e o Frank fizeram-me sempre sentir uma colaboradora. Adorei gravar este filme.
Como protagonista feminina pirata, qual é a tua perspetiva sobre fazer parte de uma história que coloca uma mulher no centro de um género tradicionalmente dominado por homens?
Não acontece muitas vezes, na vida de uma mulher ou de uma atriz, receber um papel em que não só estás no centro da narrativa, como és apoiada por um elenco e uma equipa criativa extraordinários que te veem dessa forma.
Enquanto atriz, é algo pelo qual a maioria de nós tem de lutar, por isso fiquei muito grata ao Joe e ao Frank por terem escrito um argumento que me deu a oportunidade de interpretar um papel que normalmente é dominado por homens.
A tua personagem é descrita como alguém cujos “pecados misteriosos do passado” a alcançam. Podes dar-nos alguma pista sobre que pecados poderão ser esses, sem revelar demasiado?

Não creio que haja aqui grande spoiler, mas a vida da minha personagem foi-lhe roubada aos 12 anos, quando foi raptada e os pais foram mortos. Teve de fazer tudo o que fosse necessário para sobreviver e, quando percebeu que podia realmente ter uma vida verdadeira, com amor, família e filhos, escolheu deixar para trás a pirataria e construir uma vida bonita. E quando alguém ameaça isso, ela reage e luta.
Sendo um filme de ação e aventura muito intenso, com que antecedência começaste a treinar fisicamente e como era a tua rotina?
Tive um ano muito ocupado quando aceitei fazer “The Bluff”. Comecei o ano a filmar “Heads of State” e depois passei diretamente para “The Bluff”, com apenas cerca de 15 dias entre um e outro. Logo a seguir, comecei a filmar a segunda temporada de “Citadel”… foi o meu ano Amazon.
Comecei a treinar para “The Bluff “enquanto ainda estava a filmar “Heads of State”. Entre cenas, eu e a minha incrível coordenadora de duplos, Anisha Gibbs, treinávamos esgrima e fazíamos preparação física. Trabalhávamos juntas para garantir que eu estava no estado mental certo e tinha a agilidade necessária para mover o meu corpo da forma exigida pelo papel.
É um papel fisicamente muito exigente e tive de o preparar enquanto filmava em França. Foi muito trabalho, mas não tenho medo de trabalhar arduamente e senti-me privilegiada por poder contar a história de mulheres que raramente são colocadas em destaque. Levei isso muito a sério.
O Capitão Connor é um adversário brutal e forte. Como foi trabalhar com Karl Urban e explorar as vossas personagens e cenas em conjunto?
Foi incrível trabalhar com Karl Urban. Sempre admirei o trabalho dele, incluindo em “The Boys”. Antes de começarmos a filmar, sentámo-nos com o Frank durante alguns dias para falar sobre o passado das nossas personagens e a natureza da relação entre elas.
Sendo inimigos formidáveis, precisava de haver uma base muito sólida para o “porquê”, e passámos bastante tempo a descobrir esse “porquê” juntos. O Karl é um génio na construção de personagens. É extraordinário em set e faz-nos querer ser melhores a cada cena. Fiquei muito grata por ele ter aceitado integrar o projeto e “brincar aos piratas” comigo.
Trabalhaste de perto com a figurinista Antoinette Messam para criar o visual de Ercell de forma a permitir-te lutar e mover?

Antoinette Messam foi um verdadeiro anjo. Para além de ser uma pessoa maravilhosa, é extremamente trabalhadora, assim como a sua equipa. O nível de detalhe, não só no meu figurino, mas em todos os figurinos do filme, foi impressionante. A autenticidade, desde as fivelas aos botões e às costuras, tudo respeitando o século XIX.
Ela envolveu-me totalmente no processo. Adorei vê-la trabalhar. Garantiu que, nas cenas de ação, eu tivesse várias versões dos figurinos para me sentir confortável e conseguir fazer o meu trabalho. Esteve presente no set todos os dias, deu sempre o seu melhor e trouxe também o seu conhecimento da região. Fiquei muito grata por ter alguém como ela a supervisionar a autenticidade visual da minha personagem e do filme.
Também interpretas os vocais assombrosos de “Ercell’s Lullaby” no final do filme. Como surgiu essa colaboração criativa?
Essa é mais uma pergunta para o Frank, mas quando ouvi a canção de embalar pela primeira vez e ele me mostrou, quis cantá-la ao vivo na cena, tal como uma mãe cantaria ao seu filho. Depois de filmarmos essa cena, foi ideia do Frank regravá-la para que pudesse servir como tema de Ercell no filme.
Acho-a profundamente inquietante. A composição e a melodia são muito fiéis ao medo e à antecipação que Ercell sente naquele momento. É uma homenagem não só ao seu passado, mas também ao seu presente e à esperança no futuro. Se ouvirem a letra com atenção, é muito emocionante, e tocou-me profundamente. Fiquei muito grata por ter tido a oportunidade de cantar essa canção.
Se pudesses “roubar” um objeto ou figurino do set (como uma verdadeira pirata) para levar para casa, qual seria?
Tentei levar o tesouro, o ouro… e depois percebi que não era verdadeiro. Estou a brincar! O que gostaria mesmo de levar seria o busto criado para “Bloody Mary”. Foram precisas muitas pessoas e muito trabalho para o criar à medida dos contornos do meu corpo.
Gostaria de o ter em casa como recordação deste período maravilhoso com colaboradores incríveis, em que criámos juntos e viajámos no tempo até ao século XIX para tornar aquela realidade a nossa verdade.

