The X-Files T11, primeiras impressões

The X-Files regressa para mais uma ronda, mas desta vez parece trazer consigo um vento nostálgico mais comprometido com os pergaminhos que notabilizaram esta série de culto dos anos 90. Será que é desta que os Ficheiros serão encerrados de forma satisfatória?

Chris Carter, o criador dos ficheiros mais famosos do mundo – quais “Wikileaks” ou “Panama Papers” -, parece que ainda tem uma palavra a dizer sobre as verdades e mentiras que têm sido veiculadas pelo seu show televisivo de crimes paranormais ao longo de quase duas décadas. Mas será que a verdade que anda por aí ou mentira, como parece ser a nova punchline introdutória de Ficheiros Secretos, carece de um verdadeiro closure ou será que esta febre de reavivar os clássicos impõe a reabertura fútil deste dossiê mais que sensível?

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Redigido por Chris Carter, o episódio piloto “My Struggle III” – a par do season finale -, insiste na reciclagem do brainstorming mediático viralmente despejado em “My Struggle I“. No entanto, ao invés de “CC” apresentar um enredo anacrónico que saltou no tempo e desvirtuou o seu passado, agora, a atualidade segrega a saudade de algumas memórias empoeiradas, que não poderiam deixar de ter a chancela do vilanesco “Smoking Man”. E enquanto temíamos um dejá vu comercial para as massas sem apelo nem agrado, porque foi com essa sensação envinagrada que a décima temporada se esfumou em meia dúzia de encontros desconchavados, eis que a mega conspiração alienígena larga os homens de verde ou de qualquer outra cor e feitio, para se focar mais nos homens de carne e osso. Pelo menos, assim se perfila, enquanto Carl Gerhard Bush (O Homem do Cigarro) revela o seu nome civil e os seus planos maquiavélicos ao mundo. E se um sorvo atrás de sorvo de nicotina, num rosto antipático e omnipresente, ainda não enjoaram, então é sinal da necessidade premente de X-Files sobreviver à custa do papel ativo das suas personagens mais icónicas, e é por esse motivo que saudamos e toleramos mais um bafo de tabaco.

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E após a propaganda megalomaníaca e narcisista de um homem que não se considera maldoso, apenas prático, somos enviados para aquele delírio imagético de Carter na íris de Scully (Gillian Anderson), sobrecarregada pelo fotograma premonitório dos últimos eventos em “My Struggle II“, que a atiram para a inconsciência de uma cama de hospital. Mulder (David Duchovny) e Skinner (Mitch Pileggi), não perdem tempo em injetar nervosismo e apreensão à trama logo nos minutos iniciais, aonde Chris Carter tira um “óvni” da cartola no momento em que, uma tomografia cerebral em tempo real, revela um código morse para os agentes interpretarem. Entretanto, Scully acorda para alertar Mulder de que o vírus Spartan causará uma pandemia global. E quem poderá estar por detrás de um ato tão vil, conseguem adivinhar? Até o irmão de Mulder, o ex-agente FBI Jeffrey Spender (Chris Owen) sai da tumba de 2002 para celebrar o episódio duzentos e nove. Soa tudo ao mesmo mambo-jambo de sempre, mas ficámos com a impressão de que, desta vez, existe a predisposição para o descortínio dos meandros desta teia complexa, que usa o alegado filho de Mulder e Scully como a derradeira peça do puzzle.

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E aceleramos, logo em seguida, para o Mustang de Mulder no encalço daquele figurão sinistro, que por acaso é seu pai, com monólogos existenciais a substituírem-se à radio local num tom quase juvenil e jocoso, servindo os compromissos dinâmicos da plot. Neste segmento da narrativa, que procede a bom ritmo e com algumas revelações à mistura, Mulder tem o primeiro contacto com o Sindicato, uma organização envolvida na colonização extraterrestre, que pede a Mulder que elimine a concorrência sob pena de não voltar a ver o seu filho William. Mas tudo isto é fumaça, se é, quando a bomba informativa cair nos vossos olhos; uma preciosidade escondida desde a sétima temporada em “En Ami“. Até ver, The X-Files esforça-se por lavar a cara da trapalhada que foi a temporada transata, muito graças ao acerto químico da parceria “FoxCully”, que não terá outra oportunidade para se reencontrar, e ao resgate da essência mitológica personificada na persona sombria do seu eterno mau da fita, agora mais presente que nunca. “My Struggle III” ultrapassa a mediocridade e até tem os seus momentos, mas só o tempo dirá se não será altura de fechar permanentemente estes Ficheiros Secretos.

TRAILER | A VERDADE OU A MENTIRA ANDAM POR AÍ!

Já viste o primeiro episódio “My Struggle III” da nova temporada de X-Files? O que achaste deste episódio, entusiasmou?

The X-Files - Temporada 11 "My Struggle III"
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Name: The X-Files

Description: O criador e produtor executivo Chris Carter traz-nos um novo e alucinante capítulo de “Ficheiros Secretos”, uma temporada emocionante de seis episódios onde as estrelas David Duchovny e Gillian Anderson voltam a interpretar os seus papéis mais conhecidos: os agentes do FBI Fox Mulder e Dana Scully.

  • Miguel Simão - 75
75

CONCLUSÃO

O MELHOR - Mulder e Scully voltam a acertar as agulhas emocionais, oferecendo aos fãs um vislumbre daquela parceria sentida e profunda mais comprometida com o espírito da série; a recorrência aos símbolos mitológicos e personagens icónicas como "The Smoking Man" com uma presença mais vincada e influente; um rumo mais coerente que Chris Carter pretende imprimir com a introdução de algumas revelações chocantes.

O PIOR - O enredo ainda peca por ser demasiado confuso e disperso com muitas pontas soltas; voiceovers de Mulder soam a algum amadorismo; nos dia de hoje, The X-Files, já não possui o mesmo encanto de outrora.

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Miguel Simão

Jurista e Poeta em algumas horas vagas. Cinéfilo incurável com forte pancada pelo sci-fi, que se perde algures pelo vício noturno de umas quantas séries televisivas de renome; amaldiçoado pelo perfecionismo estético de uma resma de palavras mais ou menos caras. Podem encontrar-me a divagar entre a Terra e o Espaço no meu blogue premiado Última Transmissão Humana.

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