TOP 10 Filmes Woody Allen | 8. Blue Jasmine

 

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Blue Jasmine, não é apenas um retrato das consequências da crise financeira de 2008, é também um projeto onde o talento da atriz principal não passa despercebido. 

Depois de Para Roma, Com Amor, filmado em Itália como uma série de episódios, muito ao estilo do que Federico Fellini fizera em La Dolce Vita, Woody Allen decidiu regressar aos Estados Unidos, e mais precisamente a São Francisco, onde o seu O Grande Conquistador (1972) já havia sido rodado.

Neste incrível melodrama, com um toque realista – uma vez que parece inspirar-se em parte nos esquemas fraudulentos do nova-iorquino Bernie Madoff – somos apresentados a Jasmine (Cate Blanchett galardoada com o troféu de melhor atriz pela Academia de Hollywood, num dos mais pertinentes desempenhos da sua carreira), uma socialité de Manhattan que está à beira da ruína financeira e mental, após o colapso dos negócios do seu marido (Alec Baldwin) e que se vê forçada a mudar para a casa da sua irmã Ginger (docemente interpretada por Sally Hawkins).

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Woody Allen

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Antes sequer de privilegiar o trabalho de Allen como realizador, Blue Jasmine tem como primeiro pilar a persona de Cate Blanchett. A sua frágil e triste Jasmine – que no final parece sucumbir aos devaneios neuróticos e aos delírios de grandeza, no sentido em que ela própria torna-se responsável pelo seu destino – mostra-nos c0mo de um minuto para outro, alguém com uma vida dita estável pode ver o mundo a seu redor desabar. Jasmine é, em si mesma, uma figura cómica e trágica e Cate Blanchett está magnífica numa personagem que repensa uma herança do cinema de atores de Elia Kazan, e sobretudo do desempenho de Vivien Leigh em Um Elétrico Chamado Desejo. Aliás, todo o argumento de Allen rotula-se como uma visão moderna da peça original de  Tennessee Williams, que mistura flashbacks e flashforwards no melhor e no pior das duas classes sociais totalmente opostas.

Inclusive, Blue Jasmine tem aquilo que de melhor uma obra-prima de Woody Allen pode oferecer: um diálogo extremamente expositivo, uma banda-sonora que privilegia música jazz à moda antiga, e que, por sua vez, exclui toda a música moderna e um mundo de ilusões que as suas personagens não querem ou não conseguem resistir. Não será Jasmine um reflexo do que fora Cecilia em A Rosa Púrpura do Cairo? Enfim, é certo que no decorrer da sua carreira Woody Allen deve ter conhecido algumas mulheres obsessivas, mas nenhuma delas consegue ser tão cativante como Jasmine, a triste e cómica Jasmine.

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Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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