Saga Twilight: Amanhecer Parte 2, em análise

 

Título Original: Saga Twilight: Amanhecer – Parte 2Realizador: Bill Condon

Elenco: Robert Pattinson, Kristen Stewart, Taylor Lautner

Argumento: Melissa Rosenberg (script), Stephenie Meyer (Livro)

EUA | ZON | 2012 | 90 min

Classificação: 
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Finalmente público e boa parte da crítica, a começar pelo insuspeito Rotten Tomatoes, estão de acordo. A adaptação ao cinema do último episódio da saga Twilight, Amanhecer parte 2, é um agradável espetáculo, um fenómeno de massas universal, um novo paradigma no refinamento das técnicas de promoção, especialmente online e viral, em suma uma grande vitória para a equipa de produção, para a Summit e para o cinema em geral, não obstante a crise da economia à qual o cinema não é imune.

Belos tons castanhos, cinza e de neve, envolveram mais uma campanha de marketing, como manda a moda dos filmes de inverno, tal como já se vira em Looper e Lawless. Tudo foi jogado e bem, em termos promocionais e como bom produto de massas e popular, as técnicas mais modernas foram postas em marcha e, tal como nos bons velhos tempos de Hollywood, nem faltou o apimentado e oportuno gossip em torno das frivolidades de Kristen e da agonia de Patt, inteligente e abertamente revertido em favor do fenómeno, ao ponto de se levantarem dúvidas sobre a autenticidade do mesmo.

Quem já leu os livros, reconhece ASTAP2 como visualmente um dos filmes mais fiéis à obra, com os vampiros a fazerem justiça à sua linhagem, poupando um pouco mais no pó de talco e conseguindo um argumento que supera o próprio livro (ao contrário dos restantes filmes, sendo o 4 º o mais fraco neste aspecto). A forma como o argumento lida com a parte final da história é, de facto, quase genial e necessária perante um dos capítulos mais frouxos a nível literário.

Apontamos três os factores essênciais que contribuem de forma decisiva para este êxito redobrado de Amanhecer parte 2 – Carter Burwell, Bill Condon e Kristen Stewart.

Em primeiro lugar Carter Burwell, o responsável pela partitura original de ASTAP2. A banda sonora é um elemento sempre determinante na fluidez, ritmo, mood e grau de coesão do filme, e mais uma vez neste caso um dos principais obreiros do agradável resultado e das melhorias reconhecidas já um pouco por todo o lado e quadrantes e que vão contribuir para colocar este filme como um dos mais rentáveis da história do cinema. Carter colocou Crepúsculo no tom certo e insuflou-o dos créditos que a saga sempre deveria ter tido, com as texturas certas e algumas das mais belas melodias que o cinema alguma vez conheceu, e que por sua vez alternavam na perfeição com as baladas e ritmos alternativos e selvagens das bandas mais próximas do público Twilight. Um propósito inteligente, eficaz e honesto.

Mas a produção resolveu prescindir de Carter em New Moon e o desastre dramático ficou visível e nem Howard Shore o conseguiu salvar em Eclipse. A razão veio ao de cima contudo e Carter foi de novo chamado para compor e reger em ASTAP1, o qual juntamente com Bill Condon reconduziram a saga ao trilho certo, de forma já razoavelmente evidente na primeira parte de Amanhecer e finalmente consolidando os elementos na parte 2. Juntos tornaram este final da saga um filme coeso e fluido, sem as insuportáveis pausas melodramáticas dignas da telenovela, usando e abusando do triângulo amoroso, mas abrindo de novo o espaço à energia e intensidade visual que a saga prometia, explorando os elementos dramáticos de forma mais equilibrada e integrando melhor as referências mitológicas dos universos vampirescos e das mais populares espécies de shape shifters e extra sensoriais.

Bill Condon (Dreamgirls, Deuses e Monstros e sobretudo Relatório Kinsey) consegue a proeza de bem gerir as câmaras, impondo uma bela fotografia, uma montagem eficaz e um bom argumento, que permitiram superar as fragilidades do livro, num ritmo certo e sobretudo com uma inteligente integração dos universos concorrentes e afins da banda desenhada e dos jogos de computador (RPG), dos quais toda a batalha final poderia ter sido retirada.

A nível do cast algumas surpresas, todas elas boas. Impossível não destacar os lobos, em grande plano e em excelente forma, frequentemente roubando a cena a outros elementos em modo mais humano. Para além do já quase veterano Michael Sheen, justiça seja feita àquela que finalmente faz juz ao nome do personagem – a Bella Kristen. Solta das amarras ao desconfortável e cruel script dos últimos episódios, dá largas à sua vitalidade, beleza e frescura da idade e impõe uma presença e espontaneidade que lhe faltou anteriormente.

Uma dúvida final contudo. Terá mesmo acabado a saga, ou pelo menos alguma forma Crepuscular de sequela ? Duvidamos. Por um lado a indústria há muito que não jura sobre a impraticabilidade de tais golpes. Por outro não podemos deixar de observar a forma como todos os personagens desfilam em ASTAP2. Começando pela campanha viral de Posters de todos os personagens, desde os de primeiro plano aos pouco mais que simples figurantes, enobrecendo e projetando ao limite o conceito dos clãs e raças que, mesmo que ao de leve, figuraram na Saga. A forma como surgem na tela, mais parece a de cameos deles próprios. E aquele genérico final, onde misteriosamente os Volturi nao tiveram lugar. Demais para simples tributo em créditos. Não nos admiremos pois se alguma forma de reunião de super dotados, em jeito “Avengariano” nos visite de novo. Porque não vê-lo como a apresentação do próximo episódio?

Por aqui nada contra, gostámos.

RR

 

 

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Rui Ribeiro

Engenheiro, publisher, melómano e audiófilo, daqueles que ainda vão ao cinema, compram vinil, cd's, blu-rays, a Empire e a Stereophile em papel.

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