Uma vida tão cinematográfica como a própria filmografia só aconteceu com Anthony Quinn. Nasceu na pobreza, no México, e morreu como um dos rostos mais reconhecíveis de Hollywood, com dois Óscares na prateleira e uma família tão vasta que quase daria uma série em nome próprio.
Ao longo de mais de 60 anos de carreira, foi rei, papa, boxeador, pirata e pintor. No entanto, há um papel que o define até hoje.
De talhante e boxeador a Hollywood

Nascido em Chihuahua, no México, em 1915, filho de pai irlandês e mãe mexicana, Anthony Quinn cresceu na pobreza em East Los Angeles, onde chegou a engraxar sapatos e a vender jornais.
Além disso, antes de representar, trabalhou como talhante e boxeador, e chegou a ganhar uma bolsa para estudar Arquitetura com Frank Lloyd Wright.
No entanto, a entrada no cinema aconteceu em 1936. Depois de vários papéis secundários, assinou contrato com a Paramount em 1940 e tornou-se a escolha óbvia de Hollywood para gangsters, reis e “índios”. Isto, tal era o seu aspeto exótico aos olhos do estúdio.
Dois Óscares e um deles por apenas 8 minutos de filme

Anthony Quinn venceu o Óscar de Melhor Ator Secundário por duas vezes. Em 1953, por “Viva Zapata!”, ao lado de Marlon Brando, e em 1957, por “Lust for Life”, no papel do pintor Paul Gauguin.
No entanto este último é particularmente notável. Ou seja, todas as suas cenas no filme somam pouco mais de 8 minutos. O que faz dele um dos Óscares mais “económicos” da história da Academia.
Ainda assim, o papel pelo qual continua a ser mais lembrado nunca lhe valeu a estatueta, o pastor grego cheio de vida de “Zorba, o Grego” (1964).
Anthony Quinn considerava o seu papel preferido e que o levou a voltar aos palcos, em 1983, numa adaptação musical da história. Pelo meio, marcou ainda presença em “Lawrence da Arábia“, “Os Canhões de Navarone” e em “A Estrada”, de Federico Fellini.
13 filhos e vários seguiram-lhe as pisadas
Casado três vezes, a primeira com Katherine DeMille, filha adotiva do cineasta Cecil B. DeMille. Além disso, Anthony Quinn foi pai de 13 filhos. Vários deles seguiram-lhe as pisadas na representação, como Francesco Quinn, conhecido pelo papel em “Platoon”, e Danny Quinn. Já Lorenzo Quinn optou pela escultura, e tornou-se um dos nomes mais conhecidos da arte pública contemporânea.
Anthony Quinn morreu a 3 de junho de 2001, em Boston, aos 86 anos, vítima de insuficiência respiratória. Deixou mais de 120 filmes, dois Óscares e uma família tão grande e talentosa como a própria carreira.

