Wolverine, em análise

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  • Título Original: The Wolverine
  • Realizador: James Mangold
  • Elenco: Hugh Jackman, Tao Okamoto, Rila Fukushima, Svetlana Khodchenkova, Hiroyuki Sanada, Hal Yamanouchi
  • BIG Picture Films | 2013 | Ação/Aventura| 100 min

Classificação:

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Depois de X-Men Origins: Wolverine, o caos no universo cinematográfico dos mutantes X-Men foi amplamente aumentado. Houve falhas cronológicas graves e incoerências narrativas que levaram os produtores a dividir os filmes em segmentos lógicos e a evitar que o público fizesse cruzamentos e comparações, nomeadamente entre os filmes da trilogia principal e o fraco filme a solo que criaram para Wolverine.

Acontece que após a “Origem”, o novo filme sobre o herói interpretado por Hugh Jackman decide seguir a história deixada em “X-Men: The Last Stand”. Se por um lado se vê um adensar do novelo cronológico destas adaptações, por outro percebe-se a tentativa de remediar os erros do passado e construir uma narrativa que faça uma ligação coerente entre a trilogia X-Men e o segmento desenvolvido no futuro do aguardado “X-Men: Days of Future Past”.

Seguindo os eventos deixados em “X-Men: The Last Stand”, viajamos com Logan (Hugh Jackman) na sua atormentada aventura: perdido do mundo, vivendo alucinações com a morte Jean Grey e incapaz de lidar com a sua condição de imortal que, nesta fase da sua vida, funciona como um veneno que o mantém vivo. Os acontecimentos de Nagasaki, onde salvou o soldado japonês Yashida da bomba atómica de 1945, têm um papel determinante no início desta nova aventura que rapidamente conduz Wolverine numa jornada de revisitação do passado, no Japão.

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Yashida, agora CEO de uma grande empresa de tecnologia, está a morrer de câncro e espera que Logan regresse ao Japão com Yukio (Rila Fukushima) a fim de Yashida o compensar por este o ter salvado há longos anos atrás. Yashida pretende, através dos seus desenvolvimentos tecnológicos, que Wolverine transfira os seus poderes de imortalidade e que cure dois males de uma só vez: ele fica livre da sua penosa doença e Wolverine finalmente a salvo da sua fatigante imortalidade.

James Mangold (Walk the Line) segue nos primeiros minutos a fórmula que temos assistido nos filmes do género dos últimos anos e para o qual “Batman Begins” foi pioneiro: a humanização do herói. A desconstrução psicológica de Logan e do seu passado é feita de forma bastante satisfatória. É-nos apresentado um herói abalado psicologicamente e que exterioriza a sua raiva em atos nobres como o de proteger um animal das atrocidades da raça humana. O contexto do ataque nuclear em Nagasaki é também ele muito bem conseguido, criando um ponto de partida bastante negro e realista que expõe toda a força física deste herói e revela as origens da sua debilidade psíquica.

A decisão de transportar o herói fragilizado para o Japão é um dos principais trunfos de “Wolverine”. Essa decisão permite estudar alguns detalhes da cultura japonesa que conduzem o filme para um novo patamar ao nível cénico, nomeadamente no que diz respeito ao cuidado guarda-roupa ou às belas paisagens que enchem a câmara. Também há que realçar a qualidade de algumas cenas de ação bem coreografadas onde ninjas e samurais desempenham um papel determinante – a cena onde Wolverine é atacado pelas costas com inúmeras setas é digna de registo.

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No entanto, a viagem de Wolverine pelo Japão fica manchada no último terço do filme. Destinado a salvar Mariko (Tao Okamoto) – neta e herdeira do império de Yashida – dos Yakuza, Wolverine vê-se envolvido numa teia de problemas onde ele próprio é o alvo a caçar e onde Viper (Svetlana Khodchenkova) se assume como a principal caçadora.

No último terço, as ideias que James Mangold havia desenvolvido anteriormente rendem-se às necessidades dos estúdios, passando a partir desse momento a reinar a lógica do entretenimento fácil. Casos amorosos previsíveis, cenas que colocam em causa a nossa inteligência (como a de Wolverine a tentar chegar com a mão ao seu coração) e situações que contrariam por completo a natureza realista revelada no início são meros exemplos do fraco remate final. “Wolverine” sujeita-se a satisfazer as necessidades das audiências esfomeadas por cenas de ação onde se é obrigado a desligar o cérebro, e perde todo o potencial que ainda poderia ter.

Há também uma enorme dificuldade em perceber as reais motivações de alguns personagens do elenco secundário. Viper é caso mais evidente porque pouco se percebe os seus objetivos, parecendo ser introduzida na história apenas por conveniência – para exibir o seu poder que serve para explicar um dos detalhes das pretensões de Yashida.

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E para completar algum caos narrativo, há alguns plotholes que podem arruinar a visualização do filme para quem conhece os outros filmes da saga. Por exemplo, se “Wolverine” é uma continuação de “X-Men: The Last Stand”, como é que Wolverine se consegue recordar do que ocorreu na Segunda Guerra Mundial e do ataque em Nagasaki? Este é um dos muitos erros do argumento dado que em X-Men Origins: Wolverine, após a adição adamantium, Wolverine perde a memória (situação que se prolonga na trilogia X-Men). Se para alguns espectadores está é uma situação que pode ser facilmente esquecida com a sua ação bem encenada, para outros, o limite do nonsense é muitas vezes atingido.

Hugh Jackman é mais uma vez incansável na forma como se entrega ao personagem. Um ator que luta para construir o seu personagem e levar o filme às costas. O mesmo não se poderá dizer do elenco mais secundário onde talvez apenas Rila Fukushima se salve no meio de personagens tão superficiais.

No momento onde cai o pano, somos inundados pelos créditos finais que transportam um decair da fé neste género de filmes… mas rapidamente uma luz ao fundo do túnel se abre. Chama-se “X-Men: Days of Future Past” e consegue em apenas uma cena, justamente a meio dos créditos, restabelecer a fé numa narrativa poderosa que dignifique os mutantes depois destes últimos atropelos.

Não estamos perante um mau filme, principalmente considerando a defeituosa qualidade de X-Men Origins: Wolverine. Ainda assim, estamos convictos que o futuro nos reserva mais e melhor.

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