The Legend of Zelda: Breath of the wild (Nintendo Switch) | Análise

Poucas séries conseguiram, a cada jogo, ter uma qualidade tão elevada. The Legend of Zelda é sinónimo de jogo que estará no top de cada ano e agora, com a chegada da Nintendo Switch, Link está de volta para provar que quem sabe, nunca esquece.

 

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  • Editora: Nintendo
  • Produtora: Nintendo
  • Plataformas: Nintendo Switch

Classificação 

Enredo
Jogabilidade
Gráficos
Som
Nota Final

 

Mal comecei a jogar fui atropelado por uma brutal sensação de nostalgia. Não são precisos muitos minutos para perceber que este é o mesmo Link de sempre. As músicas são fantásticas e a essência do jogo está presente desde o primeiro instante. Começando pela parte gráfica, este é um Zelda com um design de grande nível, não só nas paisagens, mas também nas cidades e personagens. O estilo gráfico poderá, à primeira vista, não agradar aos que procuram algo mais realista, mas este é o estilo de Zelda, e aqui está melhor do que nunca. As paisagens estão fantásticas, a diversidade é enorme e bem conseguida, tal como os movimentos de tudo o que vemos, seja flora ou fauna. A isso junta-se um sistema de luz e sombras de grande nível, um brutal sistema meteorológico, muita cor e cenários que parecem inacessíveis, mas que não o são. Parece não haver limites neste jogo. Pelo meio, um dos melhores sistemas de física de sempre.

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Na parte sonora a nota tem de ser máxima. A banda sonora é avassaladora, quer nos momentos calmos, quer nas grandes batalhas. A capacidade que a banda sonora tem de se adaptar ao que estamos a fazer é perfeita, passando da melodia de quem explora, para a tensa música de quem se sente em perigo, passando para o frenético e épica música quando lutamos.
O enredo é bom, bem ao estilo de Zelda, e as surpresas são mais que muitas. É verdade que por vezes temos missões secundárias que parecem quase infantis, mas são divertidas e trazem os momentos mais relaxantes de um jogo que é quase sempre tenso. Os personagens estão bem conseguidos, existem bons diálogos e são poucos os momentos óbvios ou forçados.

 

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No entanto é na jogabilidade que este jogo se eleva completamente a outro nível. Começamos o jogo com quase nada para nos defendermos. Teremos de explorar e sobreviver, aproveitando o facto de podermos ficar com todas as armas e armaduras que os nossos inimigos usam. Encontrar recursos é fundamental, não só para comermos mas também para sobrevivermos ao que a natureza nos irá oferecer, quer seja um enorme incêndio, ou uma poderosa tempestade. Devido ao facto de todas as armas terem um prazo de duração, teremos de continuar sempre a adaptar-nos a tudo o que temos, levando a que tenhamos usado umas boas dezenas de armas durante todo o jogo, todas elas pedindo estilos diferentes de combate. A isto alia-se uma das melhores inteligências artificiais de sempre. Os nossos inimigos usam as armas que largamos, adaptam-se ao nosso estilo, obrigam-nos a jogar nos timmings certos e reagem ao que usamos. Se usarmos uma arma com fogo ou com relâmpagos, os inimigos irão adaptar-se. Existe sempre a sensação que cada batalha é diferente.

A isto alia-se um sistema de magias que parece limitado na sua essência, mas que é quase perfeito no que faz, sendo essencial durante todo o jogo. A questão é que ao fim de algumas horas, as limitações que pareciam existir acabam por desaparecer em vários momentos. Se formos criativos, vemos o que o jogo nos pode oferecer, o que podemos fazer com cada magia, e mesmo ao fim de 50 horas de jogo ainda estou a descobrir algo que faz lógica, que tento executar e o jogo responde tal como seria na vida real. Simplesmente fantástico. A forma como tudo reage ao que fazemos, levou-me a que nunca me sentisse seguro neste jogo. É uma experiência de aprendizagem constante que muito poucos jogos conseguiram alcançar.

 

Contudo, o ponto mais alto do jogo é mesmo o seu mundo e a forma como responde. A meteorologia irá condicionarmos, quer seja pela chuva que não nos deixará trepar algo que voltará a estar acessível quando a tempestade passar, ou os ventos que não nos deixam chegar a um novo local. Toda a natureza reage ao tempo e às horas do dia. Os comportamentos são realistas, diferentes a cada hora, e por isso existe sempre algo a aprender. Se estivermos no local molhado, andar com uma espada cheia de relâmpagos será a nossa morte. Usar uma arma de fogo quando chove não é inteligente, e também não o é se o que temos à volta explodir ou se incendiar facilmente, e por aí fora.
Para além disso, existem bons enigmas que são um grande desafio e a grande maioria das missões secundárias são gratificantes.

 

Com quase 50 horas de jogo, é difícil encontrar defeitos significativos neste jogo. A forma como tudo neste jogo se adapta é algo fantástico e que talvez nenhum outro jogo tenha alcançado. Para além disso, a sensação que fica é que ao fim de 100 horas de jogo ainda estarei a aprender e a encontrar algo novo. Este novo Zelda é um marco na história dos videojogos, e apenas não é o melhor Zelda de sempre porque Ocarina of Time é, provavelmente, o melhor jogo de sempre. Mas uma coisa é certa, estamos no início de março, e se tivesse que apostar, acho que colocaria todas as fichas em como este será o jogo do ano de 2017.

 

HARDWARE USADO PELA MHD PARA TESTES DE JOGOS

PS4:

  • PlayStation 4 Glacier White
  • DualShock 4 White
  • Razer Leviathan Sound System

PC:

  • Headphones Razer Carcharias
  • Keyboard Razer Epic Chroma
  • Mouse Razer Naga Epic Chroma

 

Luís Pinto


 



Sobre Luis Pinto

Software developer - Autor do blog Ler y Criticar - Apaixonado por jogos desde o tempo do Spectrum!