13º IndieLisboa: De Lisboa com amor e amizade

Começa às 21h30 no Cinema São Jorge, com ‘Amor & Amizade’, de Whit Stillman, a grande maratona cinematográfica lisboeta. Mas, a seguir ao almoço há já filmes para ver no 13º IndieLisboa, que tem uma intensa programação até 1 de maio, que vai transformar Lisboa, entre o Arco Cego, Avenida da Liberdade e Barata Salgueiro, numa grande festa do cinema e da animação noturna.

Amor e Amizade

A abertura oficial do festival está marcada pela estreia nacional de Amor & Amizade do Herói Independente do ano passado Whit Stillman, com a bela e sedutora Kate Beckinsale, à frente de um grande elenco, numa comédia de costumes e época, passada na Londres nos finais do século XVII. A bela viúva Lady Susan Vernon (Kate Beckinsale) decide passar uns tempos na propriedade dos sogros, ausentando-se dos salões da alta sociedade londrina de modo a arrefecerem os rumores sobre os seus casos amorosos e na tentativa de encontrar maridos para si e para a sua filha, Frederica (Morfydd Clark). No entanto acaba por chamar à atenção do jovem Reginald DeCourcy (Xavier Samuel), do rico e boçal Sir James Martin (Tom Bennett) e do belo, mas casado, Lord Manwaring (Lochlann O’Mearáin). Dinheiro e amor é tudo o que Susan precisa para ser feliz, mesmo que os vá encontrar em homens diferentes.

Vê trailer de Amor & Amizade

Baseado no romance Lady Susan, da escritora Jane Austen, o realizador Whit Stillman em Amor e Amizade construiu uma divertida comédia, cheia de classe, com diálogos mordazes, uma extraordinária direcção artística e um cuidado guarda-roupa. Mas o filme vale sobretudo pelas grandes interpretações: Beckinsale é sedutora, fútil, interesseira, intriguista e, mesmo assim, é impossível ao espectador não simpatizar com ela; os diálogos entre Lady Susan e a amiga americana Alicia Johnson (Chloë Sevigny) são verdadeiramente hilariantes, como aliás os do boçal Sir James Martin, num brilhante ‘boneco’ de Tom Bennett, o bom-partido. Na generalidade todos os actores são extraordinários numa comédia inteligente e irreverente para agradar a todo o público do 13º IndieLisboa e que estreia nas salas comerciais brevemente.

Desde Allá

Do outro lado da cidade, às 21h30 no Grande Auditório da Culturgest, vai estrear o Leão de Ouro do último Festival de Veneza: Desde Allá, do venezuelano Lorenzo Vigas, um intenso drama social e uma história de amizade e vingança, entre dois homens de diferentes estratos sociais. Desde Allá, de Lorenzo Vigas merece destaque não apenas por ser um dos pouco filmes venezuelanos que chega a Portugal, mas também porque é um poderoso drama sobre a amizade e o desejo, passado no caos social de Caracas, a capital da Venezuela.

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Desde Allá, é produzido por Guillermo Arriaga (o argumentistas entre outros de Babel, realizador e agora produtor), é protagonizado pelo chileno Alfredo Castro, actor fetiche de Pablo Larrain e um dos maiores da América Latina. Castro é Armando um cinquentão solitário que tem muita dificuldade em relacionar-se com os outros, e que procura a companhia de jovens de rua, apenas por voyerismo, até encontrar Elder (Luis Silva), um rapaz quase selvagem e violento. Os dois estabelecem uma amizade improvável. O filme é sobre esta relação de amizade entre um homem adulto e o rapaz, que procuram superar o seu isolamento emotivo, cada uma à sua maneira, oscilando entre o afecto pai-filho, a homossexualidade não assumida e uma dura vingança que mais parece planeada.

Robocop

No entanto, a primeira sessão do festival é com RoboCop, o filme mais popular do Heroi  Independente’ Paul Verhoeven, na Sala Félix Ribeiro, da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, às 15h30. Num futuro não muito distante, a cidade de Detroit é dominada por marginais. A polícia tenta manter a ordem e controlar a situação, mas está impotente. Quando o policia Alex Murphy (Peter Weller) é brutalmente assassinado por uma quadrilha de traficantes, um dos executivos da grande empresa OCP coloca em ação um projeto que criará um policia perfeito. A cabeça e o torso de Murphy são combinados com um corpo mecânico blindado, e o seu rosto é oculto por um capacete. As memórias da sua vida anterior são apagadas e o policia biônico, batizado pelos media de Robocop, cumpre as suas primeiras missões com sucesso. Mas após algum tempo, a sua colega Anne (Nancy Allen) reconhece-o e chama-o pelo seu nome. A partir daí, Murphy começa lentamente a lembrar-se da esposa, do filho e mesmo de seus assassinos, que estão a serviço de um dos dirigentes da OCP (Ronny Cox).

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O realizador holandês Paul Verhoeven, na sua primeira obra hollywoodiana em 1987, não só entregou ao mundo um grande filme de ação, como, também, um visionário ensaio sobre o futuro: o filme previu a falência da cidade de Detroit, a intensificação da violência urbana no mundo, a privatização de serviços essenciais, o poder das empresas privadas, os escândalos de corrupção a influência sobre a vida dos cidadãos, seja para a sua manipulação (I’d buy that for a dollar!), seja para o controle das massas, ao nível por exemplo dos destaques nos telejornais.

Don’t Blink – Robert Frank

Para os cinéfilos mais pesados igualmente na Cinemateca Portuguesa, é possível recordar a vida de um dos mais influentes fotógrafos do século XX através do documentário Don’t Blink – Robert Frank, com uma sessão às 19h00. Logo a seguir, às 21h30, Wat zien ik/Diary of a Hooker a segunda sessão da retrospectiva de Paul Verhoeven, a fechar a programação do dia na Cinemateca Portuguesa. Para quem preferir a descoberta das origens do cinema europeu, passa no Pequeno Auditório da Culturgest, às 21h45, o primeiro programa de curtas do ciclo dedicado aos filmes de escola de cinema francesa, La Fémis. E arranca com alguns pesos-pesados: Louis Malle (Crazealogie), o português Ruy Guerra (Quand le soleil dort), o holandês Johan van der Keuken (Du bruit), Jean-Michel Carre (Liberté Jean), Olivier Ducastel (Le goût de plaire) e, uma habitué IndieLisboa, Claire Denis (Le 15 mai). Em alternativa, passa ainda , no Cinema São Jorge, às 21h45, Journal d’hérésie, que reúne num mesmo espaço de criação o “poeta sonoro” francês Anne-James Chaton, o guitarrista da banda holandesa The Ex Andy Moor e do fundador dos Sonic Youth Thurston Moore.

JVM


José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colabora no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’, ( 2014). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’,(2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’, (2012) Mostras de Cinema da América Latina 2010 e 2011, 'Vamos fazer Rir a Europa', 2014 e Mostra de Cinema Dominicano, 2014 e Cine Atlântico, Terceira, Açores. É o Director de Programação do Cine’Eco- Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela desde 2012. É membro da FIPRESCI.

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