18 º FICA, Goiás, Brasil: Os Filmes Premiados

O filme luxemburguês Vozes de Chernobyl-La Suplication, de Pol Cruchten, foi o vencedor do Grande Prémio Cora Coralina, do FICA 2016. Este filme faz parte da competição oficial do CineEco 2016, onde terá estreia absoluta em Portugal em Outubro próximo.

As Vozes de Chernobyl

Sem grande surpresa As Vozes de Chernobyl-La Supplication, de Pol Cruchten, um dos filmes mais marcantes da actualidade sobre o tema ambiental e sobre os malefícios da energia nuclear, foi o vencedor do prémio máximo (um prémio que tem nome da grande poetisa da cidade de Goiás Velho) do FICA 2016. Vozes de Chernobyl-La Supplication é uma obra extraordinária e única feita a partir do livro da escritora bielorrusa Svetlana Alexievitch, Prémio Nobel da Literatura 2015, uma viagem poética ao horror e ao apocalipse de Chernobyl feita através dos testemunhos dos seus protagonistas de há 30 anos, e que funciona como uma espécie de grito de alerta para os poderes actuais, quantos aos danos directos e colaterais da produção de energia nuclear.

Vê trailer de Vozes de Chernobyl 

Este filme integra a competição oficial do CineEco, em estreia absoluta na abertura deste festival que se vai realizar em Seia de 5 a 15 de Outubro próximos.

O Prémio de Melhor Longa Metragem, e o segundo pela ordem de importância foi atribuído a Remember Your Name, Babylon, de Marie Brumagne e Bram Van Cauwenberghe (Bélgica), um filme que se destacou pela sua brilhante actualidade, ao retratar de uma forma notável o drama dos migrantes clandestinos, que fogem à pobreza e procuram novas oportunidades de vida nos países mais ricos e neste caso, no Sul de Espanha. O filme indiano Phum Shamg, de Haobam Paban Kumar foi o vencedor do Prémio de Média Metragem é um filme algo tosco na sua realização (anda próximo da reportagem de televisão), mas que vale pela sua autenticidade e pelo questionamento   em relação a um desenvolvimento que coloca em risco tanto a natureza, como formas tradicionais de sustento das populações que vivem no Lago Loktat, no estado indiano de Manipur.

Vê trailer de  La Petit Pousse 

O Prémio de Melhor Curta Metragem foi para o filme de animação francês dos famosos estúdios da Folimage, intitulado La Petit Pousse, de Chaïtane Conversat. Trata-se de um filme muito simples e lúdico feito em animação tradicional sobre uma menina que engole uma semente e com isso vai crescer-lhe uma flor no umbigo.  A força destes desenhos animados  contribuem certamente para a tomada de consciência ambiental, tanto nas crianças como dos adultos.

Remember Your Name, Babylon

O FICA é igualmente uma grande e importante montra da produção goiana local, e neste sentido foram atribuídos dois prémios também marcantes: o primeiro para  a longa documental Taego Ãwa, de Marcela Borela e Henrique Borela, um filme que pelo seu valor etnográfico e pela sua riqueza documental retrata a cultura e a luta de um povo perseguido no passado e que está agora novamente em risco de ser extinto e expoliado das suas terras; o segundo prémio foi para a curta metragem E o Galo Cantou de Daniel Dalil, que tem como protagonista o grande actor Chico Diaz. Trata-se de uma primeira obra muito bem realizada que aborda o conflito de intenções de um pai (Chico Diaz) e do seu filho (Allan Jacinto). O pai projeta para o jovem uma vida austera de trabalho na lavoura, enquanto este deseja antes partir para a cidade à procura de outras oportunidades e deixar a família e o campo, como fez o seu irmão, num gesto que deixou marcas na família.

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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