O casal Courtenay e Rampling.

45 Anos, mini-crítica

 

O realizador britânico Andrew Haigh (‘Weekend’), regressou ao tema dos casais com Charlotte Rampling e Tom Courtney como estrelas de serviço num poderoso drama sobre as questões do amor na ‘terceira idade’.

 

FICHA TÉCNICA

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Título Original: 45 Years

Realizador: Andrew Haigh
Elenco: Charlotte Rampling, Tom Courtenay, Geraldine James
Género: Drama
Alambique | Reino Unido, 2015 | 93 min

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Há em primeiro lugar uma espécie de continuidade na abordagem do tema dos casais, entre ’45 Anos’ e ‘Weekend’. O primeiro filme do britânico Andrew Haigh, abordava a história de um jovem par (homossexual), no início de uma relação amorosa e este ’45 Anos’, é uma crónica dos questionamentos de um casal de idosos sem filhos e que viveram sempre um para o outro.

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Cenas de um casamento.

‘…a história um casal de septuagenários, na semana da celebração do 45º aniversário do seu casamento.’

Em ’45 Anos’, o realizador segue com grande subtileza e sensibilidade as figuras de Kate (Charlotte Rampling) e Geoff Mercer (Tom Courtnay), um casal de septuagenários, na semana da celebração do 45º aniversário do seu casamento. Só que a sua relação começa a ser posta em causa quando recebem a notícia de que o corpo Katya, a primeira namorada de Geoff é encontrado num glaciar dos Alpes suíços, cerca de 50 anos depois do seu desaparecimento. Geoff começa a ficar obcecado lembrando-se do acidente, ao passo que Kate começa a sentir-se insegura, admitindo a possibilidade de Katya ainda estar viva depois de tantos anos de ‘congelamento’.

Uma grande química entre os dois atores.

‘…é notável neste filme a química entre dois, desde a primeira cena à última cena…’

O filme é uma adaptação de um pequeno conto intitulado, ‘In Another Country’, de David Constantine, transposto para os dias de hoje, história essa que realça quase como uma façanha  a longevidade do amor romântico. Courtnay (78 anos) e Rampling (69 anos) conheciam-se há muito mas nunca trabalharam juntos, (embora fizessem parte de vários elencos, como por exemplo ‘Comboio Noturno Para Lisboa’) por isso é notável neste filme a química entre dois, desde a primeira à ultima cena, até às relaxadas cenas de sexo, entre dois actores que apesar da sua idade são de um profissionalismo extremo.

Intimidade com Charlotte Rampling.
Intimidade com Charlotte Rampling.

‘Mas sobretudo é um filme brilhante pela intimidade criada, mesmo com espectador…’

’45 Anos’, é um filme magnífico inclusive pela estranha forma como faz regressar pouco a pouco os fantasmas do passado (que não se podem apagar, já que as memórias e lembranças congelam no tempo, como o corpo de Katya) ao seio do casal.

VER MAIS: trailer de 45 Anos

Mas sobretudo é um filme brilhante pela intimidade criada (mesmo com espectador) e depois pela rara abordagem com que trata os temas do amor e sexualidade na ‘terceira idade’. Naturalmente e sem concorrência os dois actores ganharam os respectivos Prémios de Interpretação na Berlinale 2015, onde o filme estreou em Fevereiro passado.

 

O melhor: a intimidade e a brilhante interpretação dos veteranos actores.

O pior: o registo é lento e pausado, mas não seria de esperar outra coisa de um filme sobre idosos.

 

JVM

 

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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