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Wuthering Heights – a Crítica

“Wuthering Heights” recebe em 2026 uma nova adaptação ao cinema. Este filme é uma reimaginação do clássico de Emily Bronte, com Emerald Fennell como realizadora. A história acompanha a relação intensa e destrutiva entre Heathcliff, um órfão acolhido pela família Earnshaw, e Catherine, a filha do seu benfeitor.

Cruza amor obsessivo, diferenças social e o desejo de vingança. Com uma visão modernizada, que conta com Jacob Elordi, Margot Robbie, Alison Oliver, Ewan Mitchell, Shazad Latif, Owen Cooper, Hong Chau, Martin Clunes e Charlotte Mellington no elenco. O filme estreia nos cinemas no dia 12 de fevereiro.

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Um visual apaixonante

Tal como no livro, as localizações do filme, os seus cenários, o “Monte dos Vendavais”, são também uma personagem do filme. Algo que a realizadora conseguiu captar na perfeição neste filme.

O ambiente é cru, é rude, é doentio. É frio é humido e causa desconforto ao espectador. É a forma de mostrar, visualmente, o quanto o isolamento e as condições ásperas desta vivência trazem consequências para as escolhas destas personagens.

A cinematografia é lindíssima, parece que estamos constantemente a olhar para um quadro. Além do design de produção cuidado. E, claro, do incrível guarda roupa que complementa o tom gótico e dark do filme.

Assim, já que estamos a falar da parte técnica de “Wuthering Heights”, finalizo com a banda sonora. O score de Anthony Willis é impactante, causando tensão no espectador durante as partes mais marcantes do filme. E Charli XCX encaixa que nem uma luva neste estilo gótico do filme. Mal posso esperar por ouvir o seu albúm dedicado ao filme, que sai no dia 13 de fevereiro.

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O que Wuthering Heights traz de novo?

Wuthering Heights com Margot Robbie

PeopleMargot Robbie
TitlesO Monte dos Vendavais
Photo by Courtesy of Warner Bros. – © Warner Bros.

A partida, já sabíamos que Emerald Fennell iria mudar muito daquilo que lemos da obra de Emily Bronte. Assim, sem dúvida que há momentos ou personagens que sentimos falta para completar a história, como o filho de Earnshaw e a filha de Cathy e Edgar.

Contudo, ao percebermos que a história não irá por aí e que se vai focar no romance entre as personagens principais, é fácil ligarmo-nos a estas personagens e entendermos o conceito deste novo filme.

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Emerald Fennell pretende mostrar-nos tudo o que está no subtexto do material original. Tudo aquilo que está entre as linhas de “Wuthering Heights”, tudo aquilo que não vemos a acontecer no livro, mas que imaginamos quando o estamos a ler, está representado nesta adaptação.

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Obviamente, também é uma modernização desta história. Assim, o que sentimos é que, se “Wuthering Heights” tivesse sido escrito na década de 2020, esta seria a sua história.

É apaixonante, é desconfortável, é obsessivo. O cinema é feito de sensações e é nisso que este filme acerta da melhor forma. Claro que muito do que sentimos, está relacionado com o excelente elenco, que já não precisa de afirmação. Margot Robbie e Jacob Elordi são dois atores que conseguem ir aos dois extremos de serem adoráveis ou repugnantes. É por isso que as suas personagens dúbias funcionam tão bem neste filme.

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A polémica de Wuthering Heights

As críticas feitas a este filme são, não só muito pouco inteligentes, como até mostram algum desconhecimento. E, também, algum preconceito com realizadoras, como Emerald Fennell, que arriscam nos seus filmes e nos temas que abordam.

Assim, reparem que nos últimos tempos temos visto vários filmes que são adaptações soltas do seu material original e que estão a ter um enorme sucesso. É o caso de “Frankenstein” de Guillermo del Toro, nomeado para melhor filme nos Óscares 2026. É o caso de “Hamnet”, que ficcionaliza a vida de William Shakespeare. Também este nomeado para o Óscar de Melhor Filme. E, ainda este ano, vamos ver “The Odyssey”, a adaptação não fiel do clássico, reimaginada por Christopher Nolan.

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Atenção, que adoro todos estes filmes e aguardo com expectativa pelo novo filme de Christopher Nolan. No entanto, atentem como, quando esta reimaginação de um clássico vem de uma mulher que arrisca sempre nos seus filmes, que traz algo original, que aposta na sensualidade mas também no cuidado com o visual e na parte técnica… o filme é mal recebido. E não por ser um mau filme, uma vez que as críticas surgiram muito antes do filme estrear.

Novos fãs do clássico

Owen Cooper em O Monte dos Vendavais
© Lie Still

Mas mais importante ainda, esta nova adaptação de Emerald Fennell está a colocar muitos leitores a ler o clássico de Emily Bronte pela primeira vez. E a incentivar jovens a entrar neste mundo da leitura.

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Segundo o The Guardian, as vendas de “Wuthering Heights” aumentaram 469%, só no Reino Unido, desde o ano passado. Em janeiro deste ano, foram vendidos mais de dez mil exemplares, em comparação com os mil e oitocentos vendidos em janeiro de 2025.

Só isto devia justificar a nova versão realizada por Emerald Fennell. Criar uma nova versão de um adorado livro, que apele a novas gerações, que apaixone novos fãs, deve ser algo que celebramos e não que repudiamos, mesmo que acabemos por não gostar do filme.

Conclusão

Esta nova adaptação de Emerald Fennell reimagina o clássico de Emily Brontë com uma abordagem moderna, focada na relação obsessiva e destrutiva entre Heathcliff e Catherine. O filme destaca-se pelo seu ambiente cru e gótico, uma forte componente visual e sonora, e interpretações intensas de um elenco de grande peso. Apesar das críticas o filme está a ter um impacto cultural evidente, ao despertar novo interesse pelo romance de Emily Brontë e aproximar novas gerações da literatura clássica.

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