Se há país que merece ser olhado com atenção na Eurovisão 2026, esse país é a Finlândia. Durante muitos anos, falar da Finlândia no Festival Eurovisão da Canção era falar de uma participação simpática, por vezes entusiasmante e inesperada, mas quase sempre longe do nível dos seus vizinhos nórdicos, como a Dinamarca, a Noruega e sobretudo Suécia que, ano após ano, pareciam estar sempre mais perto de uma vitória. No caso finlandês, havia qualquer coisa de estranho. Poderia até haver personalidade, um inquestionável profissionalismo e uma intenção artística. Mas faltava o “ingrediente secreto” que transforma uma boa participação numa verdadeira candidata a vitória.
Hoje, isso mudou de forma evidente. A Finlândia tornou-se um dos países mais interessantes e imprevisíveis dentro do universo eurovisivo, e também um dos mais consistentes em termos de autenticidade. Em vez de tentar replicar as fórmulas que já resultaram noutros países, sobretudo os seus vizinhos, a Finlândia optou por um caminho muito próprio. Não tem medo de arriscar, de sair da caixa, de enviar propostas que, à primeira vista, podem parecer exageradas e caóticas. É um país que preserva a sua essência musical. Não há receio de expor fragilidades, de apostar em artistas pouco óbvios ou de assumir escolhas mais extravagantes.
Se, em 2023, a Finlândia esteve muito perto de conquistar a vitória, três anos depois o sonho volta a estar mais vivo do que nunca e, desta vez, o palco pode mesmo pintar-se de azul e branco. O país apresenta-se em Viena com “Liekinheitin”, tema interpretado por Linda Lampenius e Pete Parkkonen, uma dupla improvável, mas que rapidamente se transformou numa das propostas mais comentadas desta edição. Neste artigo, para além da conversa com os artistas, quisemos perceber como é que a Finlândia se posiciona dentro da história da Eurovisão.
A longa relação da Finlândia com a Eurovisão
A Finlândia estreou-se na Eurovisão em 1961 com “Valoa ikkunassa”, interpretada por Laila Kinnunen (ver vídeo acima), alcançando o 10.º lugar na edição que decorreu em Cannes. A partir daí, construiu uma relação longa, intensa, mas nem sempre feliz com o concurso. Durante décadas, os resultados ficaram abaixo das expectativas e o país ganhou uma espécie de reputação de “desgraçado” dentro da competição.
Isto acontece, porque a Finlândia já terminou 11 vezes em último lugar, incluindo zero pontos em 1963, 1965 e 1982 e, durante muito tempo, parecia não conseguir encontrar o tom certo para um palco tão específico como o da Eurovisão, tal como aconteceu com Portugal. Havia uma sensação recorrente de frustração, sobretudo quando comparada com os seus vizinhos nórdicos. Enquanto as já referidas Suécia, Dinamarca e Noruega acumulavam vitórias e presenças regulares no topo da tabela, a Finlândia vivia o festival com uma mistura constante de esperança e de desilusão. Durante muitos anos, o melhor resultado tinha sido apenas um sexto lugar, conseguido com “Tom Tom Tom”, interpretado por Marion Rung em 1973 (!!!). Foi preciso esperar até 2006 para acontecer aquilo que os finlandeses há muito procuravam: a vitória.
Nesse ano, os Lordi subiram ao palco vestidos como monstros e apresentaram “Hard Rock Hallelujah”, uma proposta completamente fora dos padrões habituais do concurso. Muitos acharam arriscado e ridículo. Outros consideraram praticamente impossível vencer com uma canção de heavy metal. Mas a verdade é que venceram e de forma histórica, com 292 pontos, número que aparenta ser irrisório para as audiências de hoje, porém na altura representava uma pontuação extraordinariamente elevada e difícil de alcançar. Os Lordi lideraram a votação durante grande parte da final e acabaram por confirmar a vitória com um resultado que não só lhes deu o primeiro lugar, como também bateu o recorde de pontuação mais alta até então, ultrapassando “Wild Dances” de Ruslana da Ucrânia. Foi a primeira vitória da Finlândia na história do concurso e a entrada passou a ser lembrada como a mais popular do país em décadas de participação. Pouco depois da vitória, o impacto foi tão grande que, a 26 de maio de 2006, cerca de 80 mil pessoas juntaram-se na Praça do Mercado, em Helsínquia, para cantar a música, alcançando um recorde mundial do Guinness para karaoke em massa.
Para a Finlândia, esse triunfo foi muito mais do que ganhar um concurso televisivo. Foi uma libertação. Pela primeira vez, tínhamos um país que percebeu que poderia vencer sem esconder aquilo que o tornava diferente. Esse momento mudou de forma definitiva a forma como a Finlândia passou a olhar para a Eurovisão e abriu caminho para uma abordagem mais ousada e confiante no panorama musical nórdico. Não posso deixar de referir que pessoalmente, a Eurovisão de 2006 é a minha primeira memória do festival. Lembro-me de ver aqueles “monstros” na televisão e de ficar imediatamente indignado com aquele espetáculo, mesmo sem perceber totalmente o contexto ou a dimensão do que estava a acontecer. Eu, habituado a desenhos animados, percebi que havia ali algo que fugia à minha realidade. Era teatro exagerado, mas foi o que me levou a querer ver na Eurovisão um espaço de liberdade criativa. Não tem que ver com encaixar em padrões, ou enviar canções que cabem bem no ouvido. A Eurovisão é um lugar onde os artistas não têm medo de ser diferentes, de provocar reações, por muito distantes que estejam das bolhas nas quais vivemos.
O que mudou na última década?
Depois da vitória dos Lordi em 2006, a Finlândia continuou a viver anos irregulares na Eurovisão. Houve participações peculiares, outras mais discretas e algumas que passaram totalmente despercebidas. Ainda assim, ao longo do tempo, notam-se mudanças na forma como o país passou a olhar para o próprio concurso. Se antes a Eurovisão era encarada com alguma desconfiança, na última década passou a ser vista como um projeto cultural mais sério dentro da Finlândia. A seleção nacional ganhou mediatismo, os artistas começaram a encarar o festival como uma verdadeira oportunidade de projeção internacional e o público finlandês passou também a envolver-se de forma muito mais intensa.
O UMK — Uuden Musiikin Kilpailu deixou de ser uma mera seleção para a Eurovisão e passou a assumir um papel central na indústria musical do país. Ou seja, estamos perante um festival de música a sério, onde os maiores nomes do país expõem o seu talento. Trata-se, atualmente, do maior programa musical do país e um dos formatos nacionais mais seguidos, curiosamente também um dos mais acompanhados pelos fãs internacionais da Eurovisão. Organizado pela emissora pública finlandesa Yle, nasceu em 2012, como substituto do sistema anterior de seleção, que existia desde os anos 60. A partir daí, evoluiu de uma escolha relativamente simples para um verdadeiro evento televisivo de grande escala. Digamos que o UMK funciona como um laboratório musical, no qual a Finlândia testa propostas com potencial comercial. Desde 2020, o formato reforçou essa estratégia graças a uma parceria com a rádio YleX, que aposta em canções com maior impacto no mercado.
O resultado tem sido um aumento das audiências e uma atenção crescente fora do país, com a edição de 2026 a ultrapassar os 2,5 milhões de espectadores — mais cerca de 230 mil do que em 2025 — num país com apenas 5,5 milhões de habitantes. São números impressionantes, sobretudo se tivermos em conta a escala demográfica. Falamos de um impacto televisivo muito acima da média europeia. Para termos uma noção mais clara da diferença de escala, basta olhar para Portugal, onde a final do Festival da Canção 2026 registou apenas de 409 mil espectadores, para já não falar da escala do palco e interpretações, nisso Portugal precisa urgentemente de uma maior aposta na modernização do espetáculo.
Voltemos, no entanto, ao tema central desta análise. Em 2021, os Blind Channel devolveram a Finlândia ao topo da tabela europeia com “Dark Side”, uma proposta rock moderna, agressiva e visualmente muito forte, que terminou em 6.º lugar com 301 pontos. Foi um resultado importante, porque confirmou que a vitória dos Lordi não tinha sido um caso isolado, havia espaço real para propostas mais alternativas na Eurovisão.
Dois anos depois, em 2023, Käärijä levou essa lógica ainda mais longe com “Cha Cha Cha”. A canção venceu o televoto de forma esmagadora, tornou-se um fenómeno europeu e somou 526 pontos, ficando a um passo da vitória final. Em 2025, Erika Vikman manteve o país competitivo com uma proposta altamente provocadora, onde somou os 196 pontos. Com um microfone dourado gigante em palco, Vikman mostrou que a Eurovisão é também uma questão de statement, é aquele espaço de exagero assumido e de uma performance que quer chocar. Salvador Sobral disse que a Eurovisão não precisa de fogo de artifício. Mas a verdade é que a música também vive de excessos, de liberdade e de contrastes e a Finlândia tem sabido explorar esse lado sem complexos.
Nesta que será a 70.ª edição do Festival Eurovisão da Canção, a Finlândia volta a surgir entre os grandes favoritos, liderando há vários meses as casas de apostas. A proposta combina o pop com uma forte energia orquestral e promete fazer história já na próxima terça-feira, com o regresso do som do violino em direto ao palco da Eurovisão, algo que o festival não vê desde o abandono da orquestra em 1999 por faixas de apoio pré-gravadas. A proposta deste ano chama-se “Liekinheitin”, que significa lança-chamas e mistura a voz intensa de Pete Parkkonen com o violino clássico de uma das maiores nomes da música mundial: Linda Lampenius.
Quem são Linda Lampenius e Pete Parkkonen?
Uma das razões pelas quais a candidatura finlandesa da Eurovisão 2026 despertar tanta curiosidade é precisamente a dupla escolhida. Linda Lampenius (que se poderá tornar na mais velha vencedora da Eurovisão aos 56 anos) é uma das figuras mais reconhecidas da música finlandesa e uma violinista com carreira internacional sólida. Começou muito cedo, ainda em criança, e rapidamente se destacou pelo seu talento excecional, levando a sua música a vários palcos internacionais e construindo uma carreira consistente no universo clássico.
Ao longo do percurso, trabalhou com alguns dos nomes mais sonantes da indústria global, incluindo Sir Andrew Lloyd Webber (compositor britânico responsável por “Evita”, “O Fantasma da Ópera” e “Jesus Christ Superstar”) e Jim Steinman, figuras associadas a grandes produções internacionais e ao universo do teatro musical e do pop orquestral. Mais do que uma violinista clássica, Linda sempre teve uma forte presença mediática fora do seu país e uma capacidade performativa que a tornam particularmente interessante num palco como o da Eurovisão, onde a interpretação visual tem tanto peso como a musical.
Do outro lado está Pete Parkkonen, que ganhou destaque junto do grande público em 2008 através do programa Idols. Ao contrário de muitos artistas que surgem da televisão e desaparecem poucos anos depois, Pete conseguiu construir uma carreira sólida e consistente na Finlândia, afirmando-se como uma das vozes pop mais seguras da sua geração. Tem experiência de palco, versatilidade e uma forma muito direta de comunicar emoção através da música. Juntos, funcionam precisamente pela diferença entre os dois mundos que representam: Linda traz o virtuosismo instrumental e a sofisticação clássica, enquanto Pete reforça a ligação emocional e a proximidade interpretativa com o público. Em palco, essa dinâmica cria equilíbrio, e é precisamente dessa relação que nasce a identidade da canção e que permitirá à proposta destacar-se na Eurovisão 2026.
Letra da canção da Finlândia na Eurovisão 2026
- Ois viisaampi häipyy täält
- Miten tunteet vois jäädyttää?
- Sä oot, sä oot liekinheitin
- Samas illas, savuu ilmas
- Etin ihmisjoukost sua
- Puhut muille, sun tutuille
- Oot ku et ees tuntis mua
- Vähän outoo, ettet sä kato mua silmiin
- Ku viime yönä et saanut musta käsiäs irti
- Vaik saan sult runtuu, niin se hyvältä tuntuu
- Ois viisaampi häipyy täält
- Mut tulel vielkin leikin
- Miten tunteet vois jäädyttää
- Ku sä oot liekinheitin? Ooh
- Saat mut palamaan (A-aah, aah)
- Saan sust palan vaan
- Oot niin kuuma, mut jääkylmä
- Sä oot, sä oot liekinheitin, liekinheitin
- Pariin iltaan en sua kii saa
- Voiko ihminen kuolla kiimaan? Joo
- Aina kun ollaan iho ihoa vasten
- Mä saan sust palovammoja kolmannen asteen
- Oh dear Lord, saanko viel yhen kasteen
- Kun syntiä taas teen?
- Oo-ooh
- Ois viisaampi häipyy täält
- Mut tulel vielkin leikin
- Miten tunteet vois jäädyttää
- Ku sä oot liekinheitin? Ooh
- Saat mut palamaan (A-aah, aah)
- Saan sust palan vaan
- Oot niin kuuma, mut jääkylmä
- Sä oot, sä oot liekinheitin, liekinheitin
Liekinheitin – letra em português
- Deveria ser mais sensato, devia ir embora
- Como posso congelar aquilo que sinto?
- Tu és
- Tu és
- Um lança-chamas
- A mesma noite de sempre, fumo no ar
- Procuro-te no meio da multidão
- Falavas com doçura aos teus amigos
- Fingindo que nem sequer me conheces
- É estranho não me olhares nos olhos
- Quando ontem à noite não conseguias tirar as mãos de mim
- Tratas-me mal, mas caramba, sabe tão bem
- Deveria ser mais sensato, devia ir embora
- Mas continuo a brincar com o fogo
- Como posso congelar aquilo que sinto?
- Quando tu és um lança-chamas
- Tu incendias-me
- Mas nunca és totalmente meu
- Tão quente, mas frio como gelo
- Tu és
- Tu és
- Um lança-chamas
- Lança-chamas
- As noites passam, não te consigo alcançar
- Pode uma pessoa morrer de calor?
- Sempre que estamos pele com pele
- Dás-me queimaduras de terceiro grau
- Oh meu Deus, mais uma absolvição
- Porque pequei outra vez
- Deveria ser mais sensato, devia ir embora
- Mas continuo a brincar com o fogo
- Como posso congelar aquilo que sinto?
- Quando tu és um lança-chamas
- Tu incendias-me
- Mas nunca és totalmente meu
- Tão quente, mas frio como gelo
- Tu és
- Tu és
- Um lança-chamas
- Lança-chamas
O que significa “Liekinheitin”?
“Liekinheitin” traduz-se como “lança-chamas”. Estamos perante uma narrativa sobre desejo, dependência emocional e relações tóxicas, aquela ligação que sabemos que nos faz mal, mas da qual não conseguimos simplesmente fugir. Há consciência do perigo, há desgaste emocional, há luta interior… e, ainda assim, permanece a atração. É precisamente esse conflito que sustenta toda a música.
O narrador sabe que devia sair, sabe que está a ser consumido por uma relação destrutiva, mas mantém-se preso a ela. A metáfora do lança-chamas encaixa de forma perfeita neste contexto. Alguém que destrói, que queima, que deixa marcas profundas no noutro, e que, mesmo assim, continua a exercer um poder de atração quase impossível de ignorar.
Linda Lampenius e Pete Parkkonen em entrevista
MHD: Acho que é uma performance muito forte e um processo criativo bastante interessante, nesta fusão entre pop e violino. Acho que traz algo novo ao público e isso é sempre refrescante. Como é que esta canção tão poderosa nasceu?
Linda Lampenius: Começou num estúdio em Helsínquia, em agosto do ano passado. Estava lá com a compositora Vilma Alina e dois produtores, o RZY e o Lauri Halavaara. Estivemos a trabalhar em algumas músicas e, de repente, esta surgiu. Inicialmente pensei em fazer uma canção com uma artista feminina, mas quando esta nasceu percebemos que precisava de um homem, e não de um homem qualquer, mas de uma presença muito forte. Como não vivo na Finlândia e não conhecia tão bem o panorama pop local, comecei a pesquisar artistas. E o Pete foi sempre a minha primeira escolha. Já tinha até dito à minha editora que queria trabalhar com ele. Quando percebemos que precisávamos dessa personalidade forte, alguém que, além da voz, transmitisse tudo também pela expressão, pelo olhar, pela forma de estar em palco, o Pete foi a escolha natural.
Pete Parkkonen: E por sorte, um dos produtores conhecia-me e ligou-me diretamente do estúdio.
Linda Lampenius: Sim, e ele respondeu logo!
Pete Parkkonen: Exatamente. Ele perguntou-me se eu estaria interessado em fazer uma música com a Linda e eu disse logo: “Que tal amanhã?” E, na verdade, marcámos para o dia seguinte. Todos nós. Conhecemo-nos literalmente no dia seguinte.
Linda Lampenius: E a parte engraçada é que, quando entrei na sala, mal dissemos olá e eu disse logo: “Estava a pensar que esta canção devia ser sobre fogo e gelo.” E, de alguma forma, eles já tinham criado a música com esse conceito. Foi mesmo como se tudo estivesse destinado a acontecer.
MHD: Agora que sabemos que o violino vai ser tocado ao vivo em palco na Eurovisão, como se sentem com isso?
Linda Lampenius: É fantástico. É mesmo incrível. Independentemente do resultado final, se ficarmos em 10.º, 5.º ou 1.º, isto já é um momento histórico. Já fazemos parte da história da Eurovisão. Como violinista, sempre desejei que os instrumentos ao vivo voltassem ao festival. Fiquei muito triste quando isso deixou de acontecer em alguns casos. Lembro-me, por exemplo, do Alexander Rybak não poder tocar o violino em pleno. Por isso, para mim, isto significa muito. E também é essencial para a própria história da canção. Como vamos atuar ao vivo, conseguimos realmente comunicar dentro destes três minutos. Eu toco para ela, ela responde-me através da voz do Pete. É quase como uma conversa em palco. E isso torna tudo muito mais verdadeiro.
MHD: Para além da atuação, o que é que esta canção revela sobre vocês enquanto pessoas?
Linda Lampenius: Muita coisa.
Pete Parkkonen: Sim, muito mesmo. De certa forma, nós já vivemos esta música. Já passámos por sentimentos muito semelhantes — bons, maus, intensos — e isso permite-nos interpretá-la de forma muito honesta. Um dia disse à Linda que é relativamente fácil cantarmos isto ao vivo, precisamente porque já passámos por experiências que estão muito próximas daquilo que a canção descreve. Chegámos a um ponto da vida em que conseguimos reconhecer a tristeza, os lados mais difíceis, tudo aquilo que a música traz consigo. E, de certa forma, também sentimos que a nossa função pode ser ajudar outras pessoas a não chegarem a esse mesmo lugar.
MHD: Sabiam que duetos raramente vencem a Eurovisão? Só aconteceu quatro vezes.
Pete Parkkonen: A sério? Não sabia disso.
Linda Lampenius: Nós não tínhamos essa noção.
MHD: Sim. Dinamarca em 1963, Irlanda em 1994, Dinamarca novamente em 2000 e o Azerbaijão em 2011.
Pete Parkkonen: Então já está na altura de outro!
Linda Lampenius: Exato, talvez esteja mesmo na altura.
MHD: Também pode ser a primeira vez que uma canção em finlandês vence a Eurovisão. O que significa isso para vocês?
Linda Lampenius: É muito importante. É a nossa língua materna, é a forma mais natural de expressarmos emoções. É uma língua muito forte e muito expressiva, mesmo que não se entenda tudo, sente-se. Pensámos em fazer parte da canção em inglês, mas rapidamente percebemos que não funcionava. Soava forçado. Esta música precisava de finlandês.
Pete Parkkonen: Sim, não teria o mesmo impacto. O objetivo aqui não é traduzir tudo, é fazer sentir. O ponto principal desta canção é que pode soar cliché, mas é como uma linguagem do amor, aquilo que estamos a retirar dela. Por isso, não importa em que língua a ouves. Só tens de a sentir. Mas para nós, é importante que esteja na língua finlandesa.
MHD: Que mensagem querem deixar aos fãs da Eurovisão?
Linda Lampenius: Estamos muito agradecidos. Estamos a receber tantas mensagens de todo o mundo, até de pessoas que não falam finlandês, e é incrível ver como a música está a tocar nas emoções das pessoas. O quão profundamente esta música está a tocar as pessoas.
Pete Parkkonen: Sim, é mesmo com muita humildade que dizemos obrigado. E, acima de tudo, cuidem de vocês e das vossas famílias, isso é o mais importante. É o que queremos transmitir com a canção.
Gostaríamos de agradecer à equipa de comunicação da Finlândia para a Eurovisão, que todos os anos se disponibiliza amavelmente para uma conversa.

