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Resident Evil Requiem, em análise

Resident Evil Requiem regressa ao início da saga para nos dar uma visão ainda mais brutal

A Capcom parece ter encontrado a fórmula perfeita para homenagear as duas almas da sua icónica franquia com a chegada de Resident Evil Requiem, um título que já se afirma como um dos mais espetaculares e cativantes de toda a série. Mas, nunca fase em que têm conseguido criar tão bons remakes, será este jogo o que a série precisa? Será que a qualidade está igual há dos últimos jogos que puxaram a saga Resident Evil novamente para os lugares mais altos das opiniões dos jogadores? Esta era a minha dúvida principal. Afastando-se de qualquer tom mais “pateta”ou exageros infundados de iterações passadas como Resident Evil 6, o novo jogo atinge um equilíbrio magistral ao fundir o terror de sobrevivência claustrofóbico com a ação explosiva. Aliás, qual a série consegue este equilíbrio, o sucesso é garantido. Porque é isso que queremos: queremos ação, mas queremos sentir que podemos não sobreviver. Queremos sentir adrenalina a correr, lutar, disparar, mas também queremos o medo de não termos munições. A narrativa serve como uma ponte vital entre os fantasmas de Raccoon City e o futuro da saga, focando-se em dois protagonistas com dinâmicas radicalmente opostas, e isto agradou-me bastante.

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Duas personagens, duas experiências diferentes

De um lado, temos a estreante Grace Ascroft, uma órfã do trágico incidente original e atual agente do FBI, que é atraída para uma elaborada armadilha no local do seu maior trauma. Do outro lado está o lendário Leon S. Kennedy, que investiga o mesmo caso enquanto parece trilhar um percurso fatídico, pagando o preço de uma vida inteira dedicada a combater o bioterrorismo. O encontro entre os dois não serve apenas o enredo e a minha experiência enquanto jogador, mas dita toda a estrutura da obra. E logo aqui, o jogo afasta-se de outros, criando o seu espaço e tornando-se único, principalmente porque com Grace nós teremos uma experiência de jogabilidade muito interessante.

Esta dualidade de personagens que fui sentindo reflete-se de forma brilhante e intencional no design do jogo, dividindo a experiência em duas metades distintas. A primeira parte, protagonizada por Grace, é uma verdadeira carta de amor ao terror psicológico e à sobrevivência clássica de Resident Evil 1 e Resident Evil 7. Basicamente, o que estamos a dizer é que esta parte olha para o melhor que Resident Evil ofereceu desde sempre, e executa com mestria nos novos conceitos de jogabilidade e de comandos que temos na nossa mão.

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Os cenários são o ambiente perfeito

Num cenário opressivo de um hospital labiríntico, é recomendado que o jogador adote a perspetiva na primeira pessoa para maximizar o pânico, porque sentidmos que não vemos tudo, que algo pode acontecer a qualquer momento. A fragilidade e inexperiência de Grace ditam as regras: balas contadas, escassez de curas, e uma atmosfera inquietante onde a constante tomada de decisão entre enfrentar um zombie ou poupar recursos dita o ritmo. A inteligência artificial implacável dos inimigos e a necessidade de memorizar corredores mantêm o jogador num estado de alerta absoluto que gostei bastante. Aliás, esta experiência foi das melhores que alguma vez tive nesta saga. No entanto, quando a narrativa transita para Leon na segunda metade, Requiem sofre uma metamorfose para um blockbuster de ação desenfreada, elevando a adrenalina ao nível do aclamado remake de Resident Evil 4. E com isto, temos as duas experiências, para que todos os jogadores se identifiquem mais com uma delas. É um equilíbrio bem conseguido e que nos faz questionar quando na história se irão juntar. é o ponto mais alto do jogo? Para mim, sim e vem confirmar o bom caminho que esta saga decidiu seguir.

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Grace sobrevive, Leon aniquila

Com Leon, o meu medo dissipou-se para dar lugar a uma demonstração de força num formato de pequeno mundo semiaberto, um segmento tecnicamente exigente que puxa pelas capacidades da Playstation 5 onde joguei. Bebendo inspiração na filosofia do modo “Mercenários” — algo não muito distante do que vimos em Resident Evil 5 e noutras tentativas mais dissimuladas na série —, a jogabilidade foca-se em abater inimigos para acumular pontos. Estes podem ser trocados em postos de controlo da BSAA por armamento pesado, munições e melhorias. É uma injeção de adrenalina pura, repleta de set pieces cinematográficas e exploração recompensadora. No entanto, a história não perde peso, apenas a forma como avançamos é que muda, porque o personagem é o elemento principal e jogamos ao seu estilo. Pelo meio, menos enigmas do que com Grace, mas mais momentos de cortar a respiração e que não esquecemos. De qual gostei mais? Confesso que foi da parte da Grace, mas o jogo equilibra muito bem o melhor e o pior para o meu gosto e, provavelmente, para o gosto de qualquer jogador.

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A nível técnico, Resident Evil Requiem tem uma banda sonora que é discreta mas faz o que é preciso: criar ambiente. No entanto, na parte sonora, são os efeitos sonoros que vencem e bem! A nível gráfico é um jogo com boas texturas, bons efeitos de sombra e luz (essenciais para criar atmosfera), e a performance é boa, pois não senti quebras na minha Playstation 5. Em relação à jogabilidade, não há muito a apontar. Requiem não inova no que faz, mas inova ao juntar conceitos, até porque, para o bem e para o mal, a sua curta duração não o deixa ser repetitivo nem nunca senti que estava a morrer por falha da jogabilidade. Tenho de aplaudir esta parte.

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Vale a pena, ou não?

Contudo, perante tanta qualidade, o jogo esbarra num único obstáculo que deverá dominar as discussões: a sua curta duração. Na dificuldade normal moderna, a campanha pode ser finalizada em cerca de oito ou nove horas, e se forem jogadores que dominem Resident Evil, provavelmente conseguem em menos tempo. Para contornar esta brevidade e obter a experiência definitiva, é fortemente recomendado que os jogadores optem pela dificuldade “Normal Clássica” (aquela dificuldade dos antigos Resident Evil e dos antigos jogos em que morrer é um castigo maior e o desafio mais recompensador). Este modo restringe o número de gravações e aumenta o desafio, prolongando o tempo de jogo de forma natural, não por ter mais conteúdo, mas sim porque vamos ser mais cautelosos, vamos percorrer tudo mais devagar, e vamos repetir algumas zonas mais vezes. Mas a verdade é que o conteúdo, a história… é curto. Em suma, ao refinar a estrutura bicéfala introduzida em Village, e que correu muito bem, a Capcom entregou uma obra que exalta o melhor de dois mundos, resultando numa jornada tão empolgante que o instinto imediato após os créditos finais é, simplesmente, recomeçar.

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Olhando de forma crua, Resident Evil Requiem faz muito bem o que tenta fazer. é um jogo com uma identidade clara e que se foca em agradar aos dois estilos de jogadores da saga. O impressionante é que o consegue melhor do que Village, por exemplo. Não, não está ao nível de Resident Evil 1 ou 4, mas está, claramente no top 5 dos melhores jogos com Resident Evil no nome, e isso já quer dizer muita coisa.


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