Cineclubes Portugal | Destaques de abril de 2026, com Blue Moon
Em abril, os cineclubes portugueses trazem uma programação a pensar sobretudo na comemoração do 25 de Abril. Para os cineclubes mais antigos, a data é extremamente simbólica, uma vez que vários deles sofreram nas mãos do Estado Novo. Contudo, a programação não se esgota nesta temática e há também muito cinema internacional relevante.
Fica, portanto, a saber tudo neste nosso artigo mensal que te traz os destaques por todo o país em diferentes cineclubes. De “A Voz de Hind Rajab” (2025, Kaouther Ben Hania) a “Blue Moon” (2025, Richard Linklater) ou “Sempre” (2024, Luciana Fina), espera-te mais um mês formidável para quem não tem acesso às salas de cinema convencionais.
Cinema americano no Cineclube de Viseu

O Cineclube de Viseu, fundado em 1955, lança neste mês de abril um novo ciclo temático exclusivamente dedicado ao cinema norte-americano. Com o título “Desalinhados in USA”, as sessões acontecem às quintas-feiras às 21h no auditório do IPDJ em Viseu.
A programação abriu ontem com “Onde Aterrar” (2025, Hal Hartley), a história de um realizador tido como à beira da morte.
Já na próxima quinta-feira 9, podes ver “Pai Mãe Irmã Irmão” (2025, Jim Jarmusch), três histórias em três países e cidades diferentes sobre a relação entre pais e filhos.
No dia 16 é exibido “A Cronologia da Água” (2025, Kirsten Stewart). A narrativa centra-se numa mulher que encontra na literatura um refúgio para o seu passado marcado pelo álcool e violência.
Segue-se no dia 23 “Blue Moon” (2025, Richard Linklater), a história de Lorenz Hart na noite de estreia de “Oklahoma!” e que marcou o final da sua parceria com Richard Rodgers.
Por fim, no dia 30, o Cineclube de Viseu continua o ciclo paralelo de filmes sugeridos pelos seus sócios. Assim, vais poder ver o clássico “Solaris” (1972, Andrei Tarkovsky) onde um astronauta procura explicações para umas transmissões misteriosas.
Relembramos-te que as sessões têm o custo de 5€ para o público geral, 3€ para sócios, estudantes do ensino superior, Amigos Teatro Viriato e Associados ACERT e 2€ para sócios estudantes, desempregados e maiores de 65. Até aos 18 anos, a entrada é gratuita.
Em Santarém comemora-se a liberdade (ou a falta dela)

Descendo no nosso mapa, o Cineclube de Santarém foi fundado em 1956 e traz um mês de abril onde se reflete sobre a liberdade e a falta dela em regimes autoritários. Como saberás, as sessões decorrem às quartas-feiras às 21h30 no Teatro Sá da Bandeira. Excecionalmente, não haverá sessão a 22 de abril.
A programação começou, então, anteontem, dia 1, com o filme “Complô” (2025, João Miller Guerra). Trata-se de um documentário sobre o ‘rapper’ cabo-verdiano Ghoya onde se reflete sobre discriminação, violência ou o legado colonial português.
Depois, na próxima quarta-feira 8 chega o documentário “Orwell: 2+2=5” (2025, Raoul Peck) que, a partir da obra do escritor George Orwell, reflete sobre os autoritarismos contemporâneos.
No dia 15 vais poder ver “Lavagante” (2025, Mário Barroso). Trata-se da adaptação da obra homónima de José Cardoso Pires cuja ação decorre durante o Estado Novo e aborda um amor proibido.
Por fim, na quarta-feira 29, a programação encerra com “Fantasia Lusitana” (2010, João Canijo). É, pois, um documentário que procura descodificar o regime de Salazar a partir de imagens de propaganda.
A entrada para as sessões tem o custo de 2,50€ para sócios e 5€ para não sócios. No caso dos jovens até aos 30 anos, a entrada custa 1€, enquanto os sócios até aos 30 anos têm entrada gratuita.
O Cineclube de Faro reflete sobre o próprio cinema

Agora a Sul, o Cineclube de Faro, também fundado em 1956, tem um mês especialmente dedicado à sétima arte ao exibir filmes sobre realizadores, um filme a partir de arquivos e um filme sobre cineclubismo.
A programação começou ontem, dia 2, com o documentário “Riefenstahl” (2024, Andres Veiel). Este filme aborda a vida e obra da realizadora alemã Leni Riefenstahl associada ao regime de Hitler.
Na próxima semana, dia 9, vais poder ver o documentário “Godard Cinema” (2022, Cyril Leuthy) que, como o nome indica, se centra na figura de Jean-Luc Godard.
Já na quinta-feira 16 chega “O Meu Nome é Alfred Hitchcock” (2023, Mark Cousins), documentário sobre o mestre do suspense.
Na quinta-feira seguinte, 23, o Cineclube de Faro comemora o 25 de Abril com “Sempre” (2024, Luciana Fina), a partir de arquivos do Estado Novo e da Revolução dos Cravos.
No dia 30, o Cineclube comemora o seu 70.º aniversário com a exibição da curta-metragem “Henrique Alves Costa: Cinéfilo Inconformista” (2025, Manuel Vitorino) que aborda a vida e obra de Alves Costa, grande impulsionador do Cineclube do Porto e da Federação Portuguesa de Cineclubes. Após a curta, é exibida a longa-metragem “Marcel e Monsieur Pagnol” (2025, Sylvain Chomet) que acompanha Marcel Pagnol numa altura em que ele começa a escrever sobre a sua infância.
Sessão especial e informações úteis
Além destas sessões, o Cineclube de Faro traz ainda uma sessão especial “Cineclubinho / Animagoria” com a longa-metragem nomeada ao Óscar de Melhor Filme de Animação “A Pequena Amélie” (2025, Maïlys Vallade e Liane-cho Han), filme que retrata a vida de uma criança belga no Japão. A sessão decorre no sábado 11 às 16h30.
De referir que todas as sessões decorrem no auditório do IPDJ de Faro e as sessões de quinta-feira acontecem às 21h30. Os sócios com as quotas em dia têm entrada livre, o público em geral paga 4€ e os estudantes 3€.
Repressão, animação e teatro no Cineclube de Guimarães

De volta ao Norte, o Cineclube de Guimarães, fundado em 1958, traz-te 7 sessões de cinema em abril e outras duas sessões especiais.
Assim, a programação iniciou-se ontem, dia 2, com o vencedor do Óscar de Melhor Documentário “Mr. Nobody Contra Putin” (2025, David Borenstein e Pavel Talankin), a história de um professor que retratou a doutrinação de Putin nas escolas da Rússia.
No sábado 4 às 17h há cinema para toda a família com “GOAT: O Maior de Todos” (2026, Tyree Dillihay e Adam Rosette) sobre um pequeno bode que quer jogar ‘roarball’.
No domingo 12 às 21h15 também em Guimarães poderás ver “Orwell: 2+2=5”.
Na terça-feira 14 às 21h15 comemora-se o 25 de Abril com “O que podem as palavras” (2022, Luísa Marinho e Luísa Sequeira) sobre as Três Marias e o seu livro “Novas Cartas Portuguesas”.
Já no domingo 19 às 21h15 poderás ver o nomeado ao Óscar de Melhor Filme Internacional “A Voz de Hind Rajab” sobre uma menina encarcerada debaixo de fogo em Gaza.
Na terça-feira 21 às 21h15, o Cineclube de Guimarães inicia o ciclo “Os Dez de Hollywood”. Assim, vais poder ver o clássico “O Testa de Ferro” (1976, Martin Ritt) sobre um caixeiro que finge ser o autor de argumentos de autores da chamada ‘lista-negra’ de Hollywood nos anos 1950.
Por fim, no domingo 26 às 21h15, poderás igualmente ver em Guimarães “Blue Moon”.
Para além das sessões de cinema, o Cineclube de Guimarães tem ainda duas outras sessões especiais. A saber: sexta-feira 24 às 21h30 o concerto “Sons da Liberdade” e segunda-feira 27 às 21h a conversa em torno do teatro e cinema “Entrecampos”.
Informações de bilheteira
As sessões de domingo à noite e o concerto decorrem no grande auditório do Centro Cultural Vila Flor, enquanto as restantes sessões acontecem no pequeno auditório. A conversa “Entrecampos” decorre na sede do Cineclube de Guimarães. A sessão de “GOAT: O Maior de Todos” tem entrada gratuita. As restantes sessões têm entrada gratuita apenas para sócios do Cineclube de Guimarães, mediante o pagamento de uma quota mensal de 3,50€.
Em Torres Novas há cinema português, sonhos e sorte

No centro do país, o Cineclube de Torres Novas, fundado em 1960, tem as suas sessões às terças-feiras às 21h30 no Teatro Virgínia e têm o preço único de 3€.
A programação começa no dia 7 com “O Homem Mais Sortudo da América” (2025, Samir Oliveros). A obra retrata a história de um camionista de gelados com uma fórmula para ganhar uma quantidade infinita de dinheiro.
Segue-se no dia 14 “DJ Ahmet” (2025, Georgi M. Unkovski) sobre um pastor de 15 anos que encontra na música eletrónica um refúgio e o sonho de uma carreira.
No dia 21, Torres Novas recebe o documentário “O Palácio de Cidadãos” (2024, Rui Pires) que retrata a legislatura da ‘geringonça’.
Por fim, no dia 28, o mês fecha com “Terra Vil” (2025, Luís Campos), um filme sobre uma família disfuncional onde o papel masculino é posto à prova.
Histórias humanas na Póvoa de Varzim

Novamente a Norte, em abril, o Cineclube Octopus, fundado em 1983, tem uma programação sobretudo pautada por cinema árabe e europeu. Todas as sessões acontecem à quinta-feira às 21h45 no Cine-Teatro Garrett.
Ontem, dia 2, a Póvoa de Varzim recebeu “A Voz de Hind Rajab”.
Na próxima quinta-feira 9 chega “O Bolo do Presidente” (2025, Hasan Hadi) onde uma criança fica incumbida de fazer o bolo de aniversário do presidente Saddam Hussein.
Depois, no dia 16, podes ver “Sem Alternativa” (2025, Park Chan-wook) sobre um homem desempregado que decide eliminar a sua concorrência.
Segue-se no dia 23, também na Póvoa de Varzim, a exibição de “Lavagante”.
Por fim, no dia 30, a programação encerra com “Olhar o Sol” (2025, Mascha Schilinski), o retrato de uma família ao longo de cerca de um século.
De relembrar que as sessões do Cineclube Octopus são de entrada gratuita para sócios (com quota de 45€ anuais). Para os não sócios, a entrada tem um custo de 4€. Há ainda descontos para menores de 20 anos: um grupo de 2 pessoas fica a 2€/pessoa e um grupo de 4 ou mais pessoas fica a 1€/cada.
Em Amarante há histórias próximas do real

O Cineclube de Amarante foi fundado em 1995 e tem as suas sessões às sextas-feiras no Cinema Teixeira de Pascoaes às 21h30.
Assim, esta sexta-feira 3 podes assistir ao documentário “Mr. Nobody Contra Putin”.
Já no dia 10 chega até Amarante o filme “Kontinental ’25” (2025, Radu Jude) sobre uma mulher numa crise existencial devido à morte de um sem-abrigo.
Igualmente em Amarante terás a hipótese de ver “Blue Moon” no dia 17.
Por fim, no dia 24, o Cineclube de Amarante exibe “A Vida Íntima de Um Casal” (1974, Maurice Pialat) onde uma mulher está à beira da morte e o seu marido e filhos acompanham a sua agonia.
A saber: a entrada para as sessões tem o custo de 3€ para não sócios, enquanto os sócios tem entrada livre, mediante o pagamento da quota de 4€/mensais.
No Cineclube de Joane, documentários, ténis, família e História

O Cineclube de Joane, fundado em 1998, tem as suas sessões às quintas-feiras às 21h45 no pequeno auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão.
Assim, ontem, dia 2, foi exibido “Valor Sentimental” (2025, Joachim Trier). Vencedor do Óscar de Melhor Filme Internacional, é o retrato de uma família ligada às artes.
Na próxima quinta-feira 9 chega “Laguna” (2025, Sharunas Bartas), um drama sobre a memória, o luto e a fragilidade da vida.
No dia 16, chega até ao Cineclube de Joane “Marty Supreme” (2025, Josh Safdie) sobre um jovem tenista que quer ser o melhor do mundo.
Depois, no dia 23, também em Vila Nova de Famalicão poderás ver “Sempre”.
Por fim, no dia 30, a programação encerra com “Juventude – Tempos Difíceis” (2024, Wang Bing), segunda parte de um documentário sobre trabalhadores no têxtil.
O cinema europeu é destaque em Abrantes

Descendo novamente para o centro do país, o Espalhafitas – Cineclube de Abrantes foi fundado em 2002 e tem as suas sessões às quartas-feiras às 21h30 no Centro Cultural Gil Vicente no Sardoal.
Assim, no dia 1 já foi exibido “O Estrangeiro” (2025, François Ozon), adaptação de Albert Camus.
Na próxima quarta-feira 8 chega a Abrantes “Entroncamento” (2025, Pedro Cabeleira), um retrato de uma jovem que regressa à sua cidade-natal.
Também em Abrantes poderás ver, no dia 15, “A Voz de Hind Rajab”.
No dia 22, a programação prossegue com “Umberto Eco – A Biblioteca do Mundo” (2023, Davide Ferrario). Trata-se, pois, de um documentário com o escritor que nos mostra a sua biblioteca com mais de 30 mil livros.
Por fim, no dia 29 chega um dos filmes portugueses mais consagrados do ano passado “O Riso e a Faca” (2025, Pedro Pinho). Trata-se de um híbrido entre o documentário e a ficção passado em África.
Em Vila Franca de Xira homenageia-se um conterrâneo

Por fim, em pleno Ribatejo, o Cineclube Vilafranquense, fundado em 2023 vai ter duas sessões muito especiais em abril. A saber: este cineclube irá homenagear o realizador vilafranquense Rogério Ceitil, falecido em abril de 2025, com novas cópias de dois dos seus filmes. Tem um sabor duplo no sentido em que não é só uma homenagem ao realizador mas também à liberdade proporcionada pelo 25 de Abril já que ambos os filmes vivem do confronto entre o Estado Novo e a democracia.
Assim, na sexta-feira 10 às 21h vais poder ver “Cartas na Mesa” (1975). Este filme, na verdade, foi terminado em 1973 mas proibido pela censura e retrata o mundo do jornalismo.
Por fim, na sexta-feira 17 às 21h é exibido “Antes do Adeus” (1977), filme que reflete sobre os momentos finais do Estado Novo e sobre cineclubismo.
As sessões decorrem no auditório da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira e custam 2,5€ para sócios e 5€ para não sócios.

