Como o nome indica, “Parallel Tales conta com várias histórias, de várias personagens diferentes, que se interligam ao longo do filme. A trama começa quando uma escritora está à procura de inspiração para o seu próximo livro e começa a espiar os vizinhos do apartamento da frente.
A partir daí, ela cria uma história que desencadeia uma série de acontecimentos e consequências que abalam todas as personagens. Este é o novo filme de Asghar Farhadi, também conhecido por “A Separation”, que acaba de chegar ao Festival de Cannes.
Os rumores de um filme boring e demasiado longo
Longo é o “Soudin” e nem isso o faz ser secante. Mas mesmo no que toca a “Parallel Tales”, não entendo os críticos que críticam o filme por ser secante e parecer muito mais longo do que é.
É um filme que causa curiosidade desde o início e nunca perde o seu sentido de intriga até ao final. É um filme que prende a atenção, porque as suas consequências vão em crescendo e temos a necessidade de ficar para ver o que acontece às personagens no final. Que escolhas fazem para resolver aquela situação.
Assim, e tendo em conta os filmes que já vi em Cannes este ano, não diria de todo que este é um filme lento. No máximo, “Parallel Tales” tira o seu tempo para desenvolver as personagens e garantir que as conhecermos ao ponto de recearmos as suas ações.
A importância do Som em Parallel Tales
No filme de Asghar Farhadi temos um conjunto de personagens que trabalha num estúdio que produz sons para filmes. Assim, a questão do som está sempre presente na história, através do plot e também do trabalho e personalidade das personagens.
Nesse sentido, não faria sentido que o som do filme fosse mau. Assim, considero o design de som um dos grandes pontos fortes de “Parallel Tales”. Os barulhos estão muito presentes, os sons que rodeiam as personagens. E com o próprio do plot, não conseguimos deixar de reparar na presença do som, do ambiente.
As mensagens de Parallel Tales

Apesar dos seus momentos de thriller, da intensidade dos erros das personagens e das consequências catastróficas destas escolhas, as mensagens do filme acabam por ser universais.
“Parallel Tales” utiliza estas histórias interligadas para passar uma mensagem de que muitas vezes conseguimos ter mais empatia pelas pessoas que não conhecemos do que com quem está mais próximo de nós.
O maior problema do filme é que não sabe concretizar. Vai até ao fim com os problemas causados pela história que a escritora decide escrever baseada na vida dos seus vizinhos, mas não consegue concluir o que começou.
Fica demasiado em aberto, tendo em conta todo o desenvolvimento que trabalha ao longo do filme. Com mais de duas horas, o filme tinha tempo de construir uma conclusão que satisfizesse o público.
Virginie Efira vem à conquista de Cannes
Durante este Festival de Cannes, a atriz Virginie Efira tem duas estreias em que é protagonista. A primeira é “Parallel Tales” e a segunda é o brilhante “All of a Sudden” (Mas desse falamos depois).
A atriz é a estrela de ambos os filmes e tem algo em comum em ambos, a gentileza e empatia com que interpreta a suas personagens. São personagens muito humanas, que não têm medo de ajudar o outro mesmo quando isso as prejudica. A diferença é que em “Parallel Tales”, a sua personagem sofre e cansa-se desta empatia.
O restante elenco do filme conta com Isabelle Huppert, Pierre Niney, Vincent Cassel, Adam Bessa e India Hair que também fazem um ótimo trabalho na sua construção destas personagens.

