© Ajasom

O som em geral (e a música muito em especial) não é, na sua essência mais elementar, mais do que vibração. Vibração das partículas de ar propagadas no espaço, geradas por um instrumento, uma voz, uma coluna ou qualquer outro emissor sonoro.

Essas vibrações chegam aos nossos ouvidos e ao cérebro, missão cumprida. É precisamente isso que procuramos quando ligamos um sistema áudio ou vemos um concerto ao vivo. O problema é que a música não vibra apenas onde queremos. Vibra também em tudo o que a rodeia.

Pub

Quando um sistema, mesmo simples e modesto, como uma barra de som ligada à televisão ou um par de colunas stereo compactas, começa a debitar os seus 70, 80 ou 90 dB, entram em cena outros protagonistas menos desejados: móveis, janelas, chassis metálicos, televisores, pisos flutuantes, prateleiras, amplificadores e até os próprios equipamentos fonte.

Todos já ouvimos aquela janela que vibra subtilmente, o móvel que ressoa, o grave que parece “engordar” demasiado ou aquele ligeiro endurecimento do som em volumes mais elevados. A questão é que muitas dessas vibrações acabam por regressar ao sistema, contaminando precisamente aquilo que estamos a tentar ouvir com maior pureza.

Pub

O inimigo invisível do bom som

Nos últimos anos, muitos especialistas e entusiastas da alta fidelidade defendem que os maiores progressos audíveis não aconteceram apenas nas colunas ou nos amplificadores, mas sobretudo em duas áreas frequentemente subestimadas: a qualidade da alimentação elétrica e o controlo das vibrações. Hoje vamos ficar apenas nesta última.

O chamado desacoplamento acústico consiste, de forma simplificada, em impedir que vibrações indesejadas se transmitam entre equipamentos, móveis e estruturas da sala. Em simultâneo, procura-se também permitir que determinadas energias vibratórias sejam dissipadas da forma mais eficiente possível.

Pub

Parece abstrato, mas os efeitos podem ser bastante concretos: graves mais controlados, melhor foco da imagem stereo, vozes mais naturais, menor agressividade em volumes elevados e uma sensação geral de maior transparência e silêncio de fundo.

É precisamente aqui que entram soluções aparentemente simples, como suportes dedicados, bases anti-vibração, pés desacopladores ou racks desenhadas especificamente para sistemas áudio.

Pub

Produtos como os Ultra Feet da Bassocontinuo ou os conhecidos Ceraball da Finite Elemente mostram bem até que ponto esta área evoluiu tecnologicamente nos últimos anos.

Desacoplamento: muito mais do que “pezinhos”

mesa
© Ajasom

À primeira vista, muitos destes acessórios parecem apenas pequenos detalhes cosméticos. Mas basta experimentar alguns deles num sistema minimamente resolutivo para perceber que existe aqui muito mais engenharia do que aparenta. Na categoria do desacoplamento acústico encontramos várias abordagens distintas:

Pub
  • suportes anti-vibração para eletrónica;
  • bases para gira-discos;
  • pés específicos para colunas;
  • plataformas desacopladoras;
  • elevadores para cabos;
  • sistemas com microesferas cerâmicas;
  • materiais absorventes e dissipadores de energia.

A própria Ajasom possui uma oferta particularmente extensa nesta área, incluindo dezenas de soluções de desacoplamento acústico para diferentes níveis de sistema e orçamento.

Naturalmente, o bom senso continua a ser fundamental. Não faz sentido investir milhares de euros em acessórios sofisticados num sistema modesto, mas também é verdade que alguns cuidados básicos podem transformar significativamente a experiência de escuta.

Pub

Um simples tapete colocado entre colunas e posição de audição pode reduzir drasticamente a primeira reflexão do chão. E quem já ouviu música numa sala com piso integralmente em pedra ou cerâmica nua sabe exatamente do que estamos a falar.

Da mesma forma, uma rack sólida e corretamente desenhada pode impedir que amplificadores, streamers ou gira-discos sofram com vibrações provenientes do chão ou dos restantes equipamentos.

Pub

A sala também faz parte do sistema

Existe uma frase clássica no universo da alta fidelidade que continua extremamente atual: “a sala é o componente mais importante do sistema”. E há muito de verdade nisso.

Podemos ter excelentes colunas, amplificação de topo e fontes digitais sofisticadas, mas se a sala introduzir reflexões excessivas, ecos, reforços de grave ou ressonâncias específicas, tudo isso acaba inevitavelmente por se refletir no resultado final. É precisamente aqui que entra o tratamento acústico.

Pub

Falamos de painéis absorventes, difusores, ressoadores e outros dispositivos desenhados para controlar determinadas frequências problemáticas da sala. Alguns são discretos e decorativos, outros mais técnicos e assumidamente profissionais.

Curiosamente, até soluções improvisadas ou económicas podem produzir melhorias relevantes. As famosas caixas de ovos ganharam popularidade precisamente porque ajudam a dispersar parte das reflexões, embora estejam longe de ser uma solução estética ou verdadeiramente otimizada.

Hoje existem alternativas bastante mais sofisticadas e integráveis em ambientes domésticos modernos, capazes de melhorar a acústica sem transformar a sala numa espécie de estúdio de gravação.

O papel do mobiliário na qualidade sonora

pagode
Finite Elemente Pagode Carbon © Ajasom

Uma das áreas mais fascinantes deste universo continua, contudo, a ser o mobiliário áudio especializado. Muitos utilizadores continuam a encarar uma rack apenas como um móvel para pousar equipamentos. Mas as melhores estruturas atuais são desenhadas precisamente para controlar vibrações, dissipar energia mecânica e evitar interações negativas entre componentes.

Marcas como a Acoustic System International, a Bassocontinuo ou a histórica Finite Elemente ajudaram a redefinir aquilo que entendemos hoje por mobiliário áudio.

No caso da Finite Elemente, por exemplo, muitos dos seus projetos foram verdadeiros pioneiros no estudo do comportamento vibracional dos equipamentos áudio, numa época em que quase ninguém falava seriamente deste tema.

A realidade é que todos os componentes vibram. Transformadores vibram, chassis vibram, leitores vibram, gira-discos vibram e as próprias colunas transmitem energia mecânica ao espaço envolvente. A questão nunca foi evitar totalmente essas vibrações, algo impossível, mas sim controlá-las inteligentemente.

Lê Também:
Cabos para todos os sistemas e carteiras: Como tirar mais do teu áudio e vídeo

E talvez seja precisamente essa a grande conclusão: num sistema áudio moderno, ouvir melhor música não depende apenas das colunas ou do amplificador. Depende também da forma como conseguimos proteger a música das más vibrações que ela própria cria pelo caminho.


About The Author


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *