Se “Interview with the Vampire” nos mostrou um protagonista sereno e refletivo, “The Vampire Lestat” dá-nos um coelhinho duracell banhado em glitter e sangue. O universo gótico de Anne Rice está de regresso à AMC no dia 15 de junho, ficando disponível no streaming a 16 de junho. Neste artigo ficarás a conhecer os melhores momentos do primeiro episódio, intitulado “Detroit”. Nota da autora: Contém alguns Spoilers após o primeiro subtítulo.
Com 100% no Rotten Tomatoes, a terceira temporada de uma das séries mais populares da AMC adapta o segundo livro da saga “The Vampire Chronicles” de Anne Rice, publicado em 1985. Enquanto em “Interview with the Vampire” temos os eventos narrados pela perspetiva de Louis de Pointe du Lac (Jacob Anderson), o novo capítulo cede o palco a Lestat de Lioncourt.
A história segue Lestat (Sam Reid) no caminho para se tornar numa estrela do rock. Em simultâneo, descobrimos mais sobre a sua origem, da família ao primeiro amor, bem como a sua relação com os demais vampiros. A cereja no topo do bolo? Tanto o livro publicado por Daniel Molloy (Eric Bogosian) como a tour do deus caprichoso chamam a atenção de alguns grupos que farão de tudo para travar esta introdução indesejada da sua raça aos humanos.
“The Vampire Lestat” tem a melhor abertura de sempre
Os primeiros dez segundos do primeiro episódio são provavelmente a melhor abertura de uma nova temporada de sempre. Em pouco tempo, “The Vampire Lestat” levanta mais questões do que oferece respostas. Estamos num leilão, tão frio e inexpressivo que parece o funeral do próprio Lestat. Armand (Assad Zaman) tem uma pala, Louis usa uma bengala para se apoiar, e Raglan James (agente da Talamasca, a sociedade secreta que monitoria vampiros e outros seres paranormais) parece deveras interessado na coleção de discos deixados por Lestat. O que aconteceu? Como chegámos aqui?
Do Glitter e Sangue, ao íntimo e mórbido

A premissa é diferente do habitual e criativa. Não nos limitamos a seguir Lestat, agora o líder de uma banda de rock em busca da fama. A história é narrada através de uma coleção de discos intitulada “Failures”, na qual viajamos entre os primeiros anos da sua vida em França, até ao Théâtre des Vampires, passando por Nova Orleães e à sua jornada enquanto músico.
Após ler o polémico livro de Daniel Molloy, Lestat tem um “pequeno” colapso nervoso que o leva numa jornada musical com dois objetivos: fama e mostrar ao mundo as mentiras de Louis. Contudo, os eventos não acontecem numa linha contínua à semelhança do que Louis faz em “Interview with the Vampire“. Em “The Vampire Lestat” somos arrastados num turbilhão temporal que simula na perfeição a mente caótica de um imortal levado ao extremo e à beira de um colapso nervoso.
Mas não é apenas a mente de Lestat que é caótica. A música do vampiro chama atenção de covens por todo o mundo, e nem todos estão impressionados. Logo no primeiro episódio temos uma luta agitada e fantástica entre Lestat e membros do coven de Detroit – um appetizer do que podemos esperar dos próximos capítulos. Aliás, todo o terceiro ato deste episódio é brilhante.
Sam Reid nasceu para interpretar Lestat
O primeiro episódio está repleto de cenas memoráveis. Uma das minhas favoritas é quando ele simplesmente comenta “sim… estava a chover”, quando lê “Interview with the Vampire”. É um detalhe quase easter egg tornado engraçado pela forma tão natural quanto é entregue. Mais do que furioso com a história de Louis, Lestat tem o seu orgulho ferido e sabemos que o deus não vai deixar isso passar ao lado, respondendo da forma mais dramática e over the top possível.
Contudo, o protagonista não é apenas uma drama queen. Em “The Vampire Lestat” descobrimos as diversas facetas de Lestat de Lioncourt. Sim, um vampiro hiperativo, super extrovertido, e manipulador. Mas também uma criatura que viveu com a solidão toda a sua vida. Sam Reid não interpreta uma personagem mas sim três ou quatro, todas com profundidas e necessidades distintas. E fá-lo com uma naturalidade admirável.
A banda sonora original de “The Vampire Lestat”

Contrariamente ao que aconteceu com “Queen of the Damned”, onde são utilizadas músicas de artistas como Disturbed para dar voz ao vampiro, “The Vampire Lestat” apresenta singles exclusivos. “Long Face” e “All Fall Down” são dois dos temas já disponíveis no Spotify e demais plataformas de streaming. Ambos compostos por Daniel Hart e interpretados por Sam Reid, utilizando a letra para passar mensagens aos seus ex ou aos demais vampiros. A única cover até ao momento é “Dancing with Myself” de Billy Idol mas esta aparecerá somente no terceiro episódio.
Além da música, uma mistura entre diversos géneros do rock que vais querer ouvir mesmo depois do episódio terminar, a presença em palco de Lestat é hipnotizante. De certa forma, uma mistura entre a apresentação que vemos em França quando conhece Armand, e o segredo obscuro do Théâtre des Vampires – apesar das vítimas não serem mortas.
Roupa nova, roupa velha… E Daniel Mollow
Em França, Lestat tinha Armand e o grupo de teatro vampírico. Em Nova Orleães, o deus caprichoso partilhava o seu tempo com Louis e Claudia, e mais tarde com um “millennial chato”. Agora além de se fazer acompanhar pelos membros da banda “The Vampire Lestat”, ele tem toda uma entourage de humanos e vampiros – incluindo um sósia insólito (Sam Reid), uma fã que advertidamente envenena Lestat com um cocktail de drogas que torna o episódio muito mais interessante, a mãe do próprio vampiro, e uma equipa de filmagens.
Depois do sucesso de “Interview with the Vampire”, Daniel Molloy (e o Dr. Fareed Bhansali, que não está presente) regressa para a sequela. Agora vampiro, ele está ainda mais implacável, picando Lestat para tentar provocar uma reação. Enquanto nas primeiras duas temporadas ele aparece como um humano no meio de dois vampiros que facilmente o conseguem matar, agora ele é em certa parte um igual, com habilidades que o protegem.
Assim, “The Vampire Lestat” reinventa o material original de Anne Rice, enriquecendo-o de forma única e que vale muito a pena ver. E isto aplica-se mesmo se não tiveres assistido a “Interview with the Vampire. Os eventos relevantes do passado são explicados ao de leve, mas com a profundidade necessária para compreenderes o presente.

