© Lucas Coelho

O segundo dia do Rock in Rio Lisboa trocou a pop e o funk brasileiro da véspera por uma noite muito mais ligada ao rock e à nostalgia.

As camisolas coloridas deram lugar ao preto, os telemóveis levantados cederam terreno a milhares de vozes prontas para cantar. O Parque Tejo acabou por ser palco de três atuações com tons bem distintos.

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Assim sendo fica a par da festa indie dos Kaiser Chiefs, a energia old school dos Cypress Hill e do Hoobastank, e o concerto mais aguardado da noite, o regresso dos Linkin Park.

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Kaiser Chiefs incendeiam o Palco Super Bock

Kaiser Chiefs
© Constança Oliveira

A noite arrancou em grande no Palco Super Bock, onde os Kaiser Chiefs não precisaram de muito tempo para conquistar o público. Por volta das 20h15, os primeiros acordes de “The Factory Gates” já tinham as filas da frente a saltar. Mas a verdadeira explosão aconteceu minutos depois, quando soou “Everyday I Love You Less and Less”.

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A atuação ganhou ainda mais por assinalar os vinte anos de “Employment”. Ou seja, o álbum de estreia da banda britânica, responsável por temas como “I Predict a Riot” e “Oh My God”.

Ricky Wilson não escondeu o carinho pelo país, chegando mesmo a colocar Portugal no topo de um ranking pessoal dos melhores locais para atuar em direto, à frente do Brasil e da Escócia.

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Entre momentos de descontração, como uma tentativa atrapalhada (ou matreira) de contar em português para dar início a uma música, e o auge da noite em “Ruby”, com o vocalista a percorrer o palco de pandeireta na mão, a banda voltou a mostrar porque continua a ser uma das mais queridas pelos festivaleiros.

O ponto mais alto chegou em “I Predict a Riot” e “The Angry Mob”, quando Ricky Wilson abandonou o palco para subir a estruturas técnicas de som, cantando lá do alto e comandando a multidão como um maestro improvisado.  O concerto fechou com “Oh My God” transformado num coro coletivo.

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Cypress Hill e a sombra do que estava para vir

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© Andre Saudade

Já no Palco Mundo, e à medida que a tarde avançava, tornava-se cada vez mais evidente que a maioria dos presentes tinha um único objetivo. Ou seja, ver os Linkin Park mais tarde. Essa expectativa pesou sobre a atuação dos Cypress Hill, que subiram ao palco às 21h15 perante um recinto já praticamente cheio.

Musicalmente, o grupo norte-americano provou continuar a ser uma referência, ao combinar os beats de hip-hop old school de Los Angeles com influências rock que atravessam gerações.

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Ainda assim, a receção do público nem sempre correspondeu à qualidade da atuação. Os fãs mais dedicados responderam com entusiasmo. Mas uma parte significativa da audiência parecia já concentrada naquilo que aconteceria a seguir.

Uma diferença bem visível durante “Insane in the Brain”, recebida com bastante menos telemóveis no ar do que seria de esperar para uma música deste género.

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Antes da despedida, a banda ainda criou um dos momentos mais ingratos da noite. Ao anunciar que iria tocar “a música mais poderosa da história do hip-hop”, gerou uma expectativa imediata que acabou frustrada. Mas depois de uma emergência médica no público obrigar a uma pausa que levou ao fim da atuação sem que o tema fosse tocado.

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Hoobastank e a máquina do tempo dos anos 2000

No Palco Super Bock, a noite seguiu com os Hoobastank, num registo bem diferente do experimentado pelos Cypress Hill. O espaço estava longe da lotação máxima, reflexo da concentração gradual de espectadores junto ao Palco Mundo, mas quem optou por assistir encontrou uma audiência particularmente envolvida.

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A energia da banda foi constante e a ligação com o público surgiu de forma natural, com o vocalista a revelar, entre sorrisos da audiência, que tinha perdido um jogo de beisebol do filho para poder estar em Lisboa. A sonoridade do grupo remeteu inevitavelmente para o rock alternativo dos anos 2000.

O momento alto chegou com “The Reason”, que transformou o palco numa verdadeira máquina do tempo, levando o público a recordar diferentes fases das suas vidas.

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A eternidade dos Linkin Park

A noite culminou, então, com a atuação mais aguardada do dia. Os Linkin Park entraram no Palco Mundo às 23h20, perante um recinto esgotado, com a estimativa de 90 mil pessoas no Parque Tejo.

A procura foi tão grande que muitos fãs espalhados pelos lados do recinto descobriram que não conseguiam ver praticamente nada. Nem os músicos, nem os ecrãs gigantes, o que gerou frustração entre quem tinha passado horas no festival para garantir lugar.

A abertura fez-se com “The Emptiness Machine”, do álbum “From Zero”, de 2024. Uma escolha que deixou claro que a banda não estava ali apenas para revisitar o passado. Grande parte da curiosidade da noite estava centrada em Emily Armstrong. A vocalista juntou-se ao grupo depois da morte de Chester Bennington, em 2017.

Ao longo do concerto, sucederam-se momentos de grande intensidade emocional. “Crawling” transformou o recinto num coro gigante que parecia surpreender a própria banda. Enquanto “Lost” trouxe um dos instantes mais suspensos da noite, com Emily Armstrong isolada em palco sob um único foco de luz.

A energia regressou em “Two Faced” e em “One Step Closer”, com os primeiros mosh pits e rodas a formarem-se no meio da multidão. A nostalgia atingiu o ponto mais alto em “Breaking the Habit”. Mas sobretudo, em “In the End”, talvez o momento de maior dimensão emocional de toda a noite.

A despedida ficou reservada para “What I’ve Done”, “Numb” e “Faint”, encerrando uma atuação que deixou claro que a banda continua a ter um lugar especial no coração dos fãs portugueses, doze anos depois da última passagem por Portugal.

No entanto ficou a pairar no ar uma certa desilusão. Os clássicos nunca falham mas ficou a faltar uma certa naturalidade à performance. Além disso os problemas técnicos, por momentos a voz de Emily estava muito baixa, prejudicaram a experiência.


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