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Pode o novo James Bond ser um dos jogos do ano? Aqui está a nossa análise!

A IO Interactive, o estúdio famoso pela série Hitman, lançou o aguardado “007 First Light“, provando ser a equipa ideal para adaptar o universo de James Bond aos videojogos. O título apresenta-se não apenas como uma excelente aventura de ação e furtividade, mas também como uma sólida história de origem para o icónico espião britânico. Contudo, será este jogo uma simples mistura de Uncharted com Hitman? Será mais ação, ou espionagem? Será mais carisma e glamour ou tiros, lutas e explosões?

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O jogo afasta-se da personalidade sombria do Agente 47 para dar lugar a um Bond mais jovem, confiante, charmoso e, por vezes, imprudente. Aliás, esta parte agradou-me principalmente porque o Bond dos livros e também dos filmes, começa sempre por alguma impulsividade e imaturidade, levando-o, numa fase inicial, a sobreviver por uma mistura de sorte e talento. O ator Patrick Gibson traz coração e personalidade à personagem (o que foi uma surpresa porque nos trailers eu não tinha sentido qualquer ligação com a personagem), destacando-se numa longa lista de nomes que já assumiram o papel. A narrativa coloca o jogador na pele de um recruta da MI6, rodeado por figuras familiares como Miss Moneypenny, M, Q e a Dra. Selene Tan. Agradou-me, enquanto fã dos livros e de alguns filmes, de ver que a IO Interactive trouxe o elenco todo logo no primeiro jogo.

 

Uma agradável surpresa em vários aspetos

Surpreendentemente, para um estúdio cuja especialidade não passava pelo foco em narrativas cinemáticas, “First Light” apresenta um nível de polimento muito acima da média. As sequências de vídeo são incrivelmente detalhadas, os diálogos têm opções de escolha e os NPCs são comunicativos, criando um mundo envolvente e autêntico. Não é um jogo que deslumbre em termos de inteligência Artificial dos nossos inimigos, o que é pena, mas a história é interessante, principalmente na segunda metade do jogo. Alguns diálogos são bons, as interpretações dos personagens estão acima da média e existe um bom trabalho de vozes. Pelo meio, tiros, explosões, muita ação e muito stealth. Na verdade, o jogo tenta ter um bocadinho de tudo, mostrando várias inspirações de outros jogos, mas equilibrado o suficiente para ter a sua identidade.

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Uncharted ou Hitman? Bond, James Bond!

Jogabilidade: Furtividade e Combate Fluido “007 First Light” brilha ao oferecer níveis expansivos que encorajam a criatividade e múltiplas abordagens. A estrutura de missões, que começa com reuniões táticas (briefings) e passa pela seleção de equipamento, faz com que o jogador sinta que está a aprender a ser um espião ao estilo de Ian Flemming em conjunto com o protagonista. Com isto, 007 First Light é o equilíbrio entre os dois jogos que já suspeitávamos, e consegue-o com grande estilo e qualidade. Hitman é um jogo inteligente mas por vezes não nos dá a liberdade que queremos para planear. Uncharted é um jogo de ação pura onde a estratégia não tem assim tanto peso. Este é um jogo diferente. Bond leva-nos a planear mas sem baixar o ritmo de jogo. Para isto, muito importa a interatividade com os cenários que, não sendo perfeita, dá-nos algumas liberdade que tornam o jogo viciante e até numa boa experiência a ser repetida.

  • Abordagem Furtiva e Tática: O ADN de Hitman está presente na exploração de oportunidades, no uso de disfarces, na interceção de conversas e no recurso a um vasto leque de engenhocas (bombas de fumo, armadilhas explosivas e choques elétricos). Tudo muito ao estilo de James Bond e da ajuda do seu amigo Q. O jogo recompensa o planeamento e a manipulação inteligente do ambiente, que é algo que sempre apreciei na série Hitman quando se tornou mais estratégica.

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  • Ação Corpo a Corpo: É no combate que o jogo encontra a sua própria identidade. Bond é ágil e as suas animações transmitem a agressividade crua de um espião em início de carreira. O sistema de luta é brutal e fluido — lembrando a dinâmica da franquia Arkham — e integra de forma brilhante o uso de elementos do cenário para incapacitar os inimigos. Estamos a controlar um lutador menos ágil do que Nathan Drake, menos rápido, mais realista e mais fácil de ser vencido. Uma vez mais, este foi um ponto que me agradou.

  • Mecânicas de Tiro e Espetáculo: Quando a furtividade falha, o jogo oferece mecânicas de tiro sólidas, baseadas num sistema de cobertura. As sequências de ação coreografadas (set pieces) são altamente memoráveis, aproximando-se do nível de espetacularidade de jogos como Uncharted, apesar de não terem, em alguns casos, o efeito WOW que Uncharted criou há alguns anos. Existiram ainda alguns momentos de luta que me pareceram forçados, principalmente na forma como controlamos James durante essas lutas, mas nada que seja um problema grave no jogo.

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E o grafismo?

Visualmente, o título é um autêntico espetáculo gráfico na maioria do tempo, apesar de ter algumas falhas. Os modelos de personagens detalhados e a direção de arte exímia trabalham em conjunto com um design de áudio muito acima da média, que dita o ritmo e a tensão das cenas — especialmente nos momentos furtivos. Aliás, toda a parte sonora do jogo é um dos pontos mais altos, oferecendo o que é preciso para criar o ambiente certo e elevando o jogo para outro patamar. Mas os olhos ficam, para o bem e para o mal, na parte gráfica. Nos pontos mais negativos, a câmara revela-se, por vezes, desajeitada em combates de grande proximidade e onde os espaços são apertados (o que é recorrente neste estilo de jogo). Outro aspeto a ter em conta são pequenos detalhes nos cenários que me parece que foram deixados de lado. Coisas simples como a falta de lama a saltar dos pneus quando estamos a conduzir a alta velocidade pelo meio da terra, ou alguns cenários onde as textura são claramente mais fracas do que noutros. Nada disto destrói o jogo, mas mostra alguma inconsistência.

Voltando à história, e apenas para parte final da análise, gostei do caminho que o jogo levou, e estamos perante um claro primeiro jogo de uma franquia que vai continuar a partir daqui. Há muitos personagens para explorar, muitas conspirações para aniquilar e perguntas ainda sem resposta. A curva de aprendizagem dos controlos é ligeiramente acentuada e pode afastar alguns jogadores, mas se passarem as primeiras horas de jogo, a verdade é que 007 First Light se torna muito viciante, principalmente se gostarem desta versão de James Bond. Salientar ainda que a nível gráfico praticamente não senti qualquer quebra, mesmo nos momentos mais intensos (testado numa PS5).

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Jogo do ano?

007 First Light” compreende perfeitamente o seu material de origem e que tipo de jogo tem de ser, evitando a armadilha de ser apenas um “Hitman com outra roupagem ou um Uncharted mais calmo”. Ao integrar mecânicas emergentes e uma produção de elevadíssimo nível, a IO Interactive não só entrega um fantástico jogo de ação furtiva, como estabelece uma base incrivelmente forte para o futuro da franquia. é, a par de Goldeneye, o jogo jogo de sempre de James Bond, e acredito que seja um dos jogos mais aplaudidos do ano. Se será jogo do ano, a verdade é que é difícil, mas no seu estilo, poucos lhe farão frente, e não me admira que acabe o ano de 2026 com várias nomeações em diferentes categorias. Mas, talvez mais importante do que ser jogo do ano, seja a resposta a uma simples pergunta. É um jogo divertido? A resposta é sim, claramente, e provavelmente, para quem o jogar, será um dos melhores jogos do ano, porque é um jogo que é difícil não se gostar.


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