O último dia do Rock in Rio Lisboa 2026 prometia fogo, mas dividiu-se em dois extremos. No Palco Mundo, 21 Savage decepcionou (e muito).
No entanto, no palco Super Bock, um dos secundários, o carismático CeeLo Green, com muito menos público à espera, deu a noite que ninguém esperava mas que precisavamos.
21 Savage mais valia ter cancelado o concerto (novamente)
O rapper britânico, criado em Atlanta, chegou a Lisboa como cabeça de cartaz do “Dia do Hip Hop”, numa estreia em Portugal há muito atrasada. Isto porque tinha cancelado o Super Bock Super Rock em 2024 por motivos de saúde. No entanto, mais valia ter cancelado e poupado horas de sono ao público, visto que hoje é segunda-feira.
Ou seja, o concerto nunca arrancou a sério. As luzes apagaram-se, os graves começaram a fazer tremer o Parque Tejo e milhares de pessoas levantaram os telemóveis à espera do grande encerramento do “Dia do Hip Hop” do Rock in Rio Lisboa, mas o concerto de 21 Savage nunca chegou verdadeiramente a arrancar.
Isto porque faltou comunicação com o público. Do seu lado, 21 Savage manteve-se quase sempre parado, com pouca expressão e praticamente sem comunicar com o público, e a plateia também parecia desligada.
Houve picos isolados. “Bank Account” trouxe a primeira reação forte da multidão, mas o rapper continuou sem procurar uma verdadeira ligação com o público, falando muito pouco entre músicas.
O verdadeiro momento de comunhão só chegou com “Rockstar”, a colaboração com Post Malone, a única música em que milhares de pessoas acompanharam claramente o refrão. “Creepin’” repetiu a fórmula, e no final 21 Savage deixou apenas uma frase ao público, “Está frio, mas eu amo Portugal.”
Pouco para uma noite que devia fechar em grande o palco principal. Assim sendo, num concerto que devia ter 1h30, tivemos 30 minutos de um DJ que não sabia dar hype e um rapper que já passou o auge. É díficil estar sozinho, sem banda em palco, e só Post Malone conseguiu dar um verdadeiro concerto assim em 2022.
CeeLo Green, a jukebox humana que ninguém esperava
Enquanto isso, no Palco Super Bock, a história foi completamente diferente. CeeLo Green, mais conhecido pela voz dos Gnarls Barkley do que pela carreira a solo, encontrou pouco público inicial, muita gente estava só a “matar tempo” antes de 21 Savage.
Bastaram minutos para mudar isso. Acompanhado por uma banda funk-soul versátil, o norte americano transformou-se numa espécie de jukebox ao vivo, indo de êxito a êxito sem pausas longas.
Passou por Jet, Michael Jackson, Pet Shop Boys, INXS, Paul McCartney e Daft Punk, muitas vezes só com alguns segundos de cada música, mas o suficiente para o público cantar em conjunto.
Os momentos mais fortes vieram de clássicos como “Ace of Spades” dos Motörhead, “Living on a Prayer” dos Bon Jovi, que gerou o coro mais sonoro da noite, e ainda “Smells Like Teen Spirit” dos Nirvana e “Sweet Child o’ Mine” dos Guns N’ Roses, já com fogo de artifício sobre a roda gigante.
Fechou com os seus próprios êxitos, “Fuck You” e “Crazy”, dos Gnarls Barkley, antes de uma escolha inesperada para terminar. “Magalenha”, do brasileiro Sergio Mendes, com bandeira portuguesa em palco. Enganou-se quando disse que ia celebrar a cultura portuguesa mas o público não levou a mal.
Rock in Rio Lisboa volta em 2028
Quem tinha tudo para brilhar, 21 Savage, cabeça de cartaz internacional, ficou apagado. Quem tinha menos espetadores e menos expectativa, CeeLo Green, acabou a fazer a festa real do encerramento do Rock in Rio Lisboa 2026.
A próxima edição do Rock in Rio Lisboa regressa em 2028 ao Parque Tejo nos dias 17, 18, 24 e 25 de junho.

