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Com “The End of Oak Street”, o cineasta do terror e do bizarro David Robert Mitchell injecta nova vida a uma fórmula clássica criada por Steven Spielberg no século passado. A nostalgia está lá, bem como o valor de entretenimento, juntamente com alguma ousadia e humor negro ausentes da proposta inicial que aqui é homenageada.

Quem criou The End of Oak Street?

David Robert Mitchell realizou e escreveu “The End of Oak Street”, o seu primeiro grande blockbuster de verão, depois de ter tido sucesso significativo em mundos mais indie. Cineasta responsável pelo gigante sucesso de terror “It Follows” (2014) e do subsequente Lynchiano e misterioso “Under The Silver Lake” (2018), Mitchell explora aqui um território mais familiar, mainstream e com um público potencial mais amplo.

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Sem qualquer dúvida, e evidente para todos, é o estilo de homenagem que este “O Fim de Oak Street” assume. A narrativa decorre inclusive na década de 1980, e apresenta-nos a história da mais banal das famílias suburbanas nos Estados Unidos. A família nuclear, com mãe, pai, dois filhos e um cãozinho, perfeitos na superfície e infelizes na prática, são a tela perfeita para começar, lentamente e com algum desenvolvimento de personagem, um drama familiar que, no fundo, é apenas a desculpa perfeita para uma narrativa de aventura.

 

Tudo é banal e veranil em Oak Street, isto até ao momento em que toda a rua é transportada para o passado, mais precisamente para o período jurássico, levando a família interpretada por Anne Hathaway (“The Odyssey”), Ewan McGregor (“Star Wars”) e companhia a lutar pela sobrevivência contra gigantes dinossauros carnívoros e a tentar arranjar forma de contornar a estranha anomalia no contínuo espácio-temporal que os levou até aqui.

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Uma narrativa familiar ou uma aventura inesquecível?

“The End of Oak Street” tem um arranque surpreendentemente lento, com direito a conhecermos bastante bem a nossa família nuclear, em particular a sua matriarca reticente, Denise (Hathaway). Todavia, uma vez que a ação arranca, o valor de entretenimento não cessa mais, com uma mescla bem-sucedida entre humor negro, sequências de perseguição e a progressiva apresentação de uma panóplia interessante de fauna e flora jurássica.

Sim, esta é uma homenagem clara ao trabalho prévio de Spielberg, mas numa altura em que o franchise de “Jurassic Park/ Jurassic World” se encontra perfeitamente gasto, com reboot atrás de reboot e nenhuma alma de que se possa falar, é gratificante ver uma história semelhante narrada de um ponto de vista distinto.

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O Fim de Oak Street 2026
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Além disso, o filme de David Robert Mitchell sabe brincar com as nossas expectativas. Com a sua construção de narrativa familiar, temos a impressão concreta de que nada de mau poderá verdadeiramente acontecer. Mas, apesar de não inventar a roda, de forma alguma, quer no que toca a histórias de dinossauros ou de viagens no tempo, a verdade é que “The End of Oak Street” é mais arrojado visualmente e tem mais coração do que aquele que encontramos atualmente no mundo jurássico fundado por Spielberg.

Existe mais sangue e existe mais emoção, parecendo-nos que a jornada dos heróis é mais suada e os perigos são mais eminentes e sangrentos. Além disso, existe um humor particular que surge a partir da mente de um cineasta que, historicamente, tem vindo a estar associado a histórias menos comuns. Ou seja, existe margem para eventos inesperados, quase toscos, que provocam o riso e chocam. Não nos atreveríamos, contudo, a enumerá-los e correr o risco de estragar a surpresa a quem possa não ter ainda visto o filme.

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Esta é uma história clássica, uma aventura onde a família é o núcleo essencial e o motor para tudo o que acontece. Uma história onde um evento extraordinário faz com que os nossos heróis consigam valorizar o que verdadeiramente importa. Mas é também uma aventura fantástica, onde a ficção científica empregue nunca é explicada ao pormenor, mas onde o valor da sugestão e da criação de explicações por parte de quem vê também tem o seu valor.

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Uma ambivalência incutida por David Robert Mitchell

The End of Oak Street
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No final, temos uma espécie de “final feliz” muito invulgar e que se pauta por uma grande ambivalência. Para este final feliz acontecer, certos aspectos do que aconteceu ou não ficam escondidos nas sombras. Contudo, há a sugestão clara de que algo foi sacrificado para que este fim pudesse ocorrer. Algo muito significativo.

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Não querendo, uma vez mais, levantar demasiado o véu, o final ambíguo de “The End of Oak Street” aumenta o valor do argumento de David Robert Mitchell. No original de Steven Spielberg não existiriam tais zonas cinzentas, a resolução seria perfeita e preto no branco. Não é isso que recebemos aqui, e ainda bem.

Já nas salas de cinemas nacionais desde 13 de agosto, “The End of Oak Street” é uma das propostas mais capazes de entreter entre as estreias do verão de 2026 e, sem dúvida, o tipo de grande produção que merece ser descoberta nas salas de cinema e não no pequeno ecrã.

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The End of Oak Street, Crítica

Conclusão

  • “The End of Oak Street” navega territórios já familiares, com a capacidade para introduzir certos momentos subversivos e eventos que navegam com sucesso a linha entre choque e humor negro. Acima de tudo, é puro entretenimento bem sucedido.
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6.5/10
6.5/10
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