Tim Curry morreu esta terça-feira, dia 25 de agosto, na sua casa em Los Angeles, aos 80 anos. O ator britânico, com uma carreira de cinco décadas entre cinema, televisão e teatro, ficou para sempre associado a personagens inesquecíveis. Foi o palhaço Pennywise em “It” (1990) e emprestou a voz a vários vilões de animação.
Mas entre todos os papéis, há um que se destaca acima de todos os outros: Frank N. Furter. É esse papel, o do cientista alienígena travestido de “Rocky Horror Picture Show” (1975), que continua a fazer de Curry uma figura de culto quase 50 anos depois da estreia do filme. Para aqueles que pretendem (re)descobrir o ator, o filme está disponível no Disney+ em Portugal.
Qual é o enredo de Rocky Horror Picture Show?
A história começa de forma banal: o casal recém-noivo Brad Majors e Janet Weiss fica com o carro avariado numa noite de tempestade. Estão no meio do nada. À procura de um telefone, batem à porta de um castelo sinistro. Lá dentro decorre uma estranha festa anual, organizada pelo excêntrico Dr. Frank N. Furter. Ele é um “cientista” extraterrestre. Autodescreve-se como um travesti vindo da Transilvânia transexual.
O casal é arrastado para uma noite de excessos, sedução e mistério. Tudo culmina na apresentação da criação de Frank: Rocky, um homem musculado feito em laboratório para satisfazer os seus desejos. Há números musicais constantes. Há referências à ficção científica dos anos 50. E há uma boa dose de humor camp. Ao longo do filme, os segredos dos habitantes do castelo vão-se tornando cada vez mais bizarros.
Quem faz parte do elenco
Além de Tim Curry, o elenco conta com Susan Sarandon (“Dead Man Walking”), Barry Bostwick (“Spin City”), Richard O’Brien (“The Crystal Maze”), Patricia Quinn (“I, Claudius”), Nell Campbell (“The Killing Fields”), Meat Loaf (“Fight Club“) e Charles Gray (“Diamonds Are Forever”, da saga James Bond). Jim Sharman realiza o filme de culto.
Rocky Horror Picture Show: O estatuto de culto depois do flop inicial
O que hoje é tratado como clássico teve uma estreia desastrosa. Em 1975, “The Rocky Horror Picture Show” foi praticamente ignorado pela crítica e afundou nas bilheteiras, sendo retirado de cartaz ao fim de poucas semanas na maioria das salas.
A reviravolta veio com as sessões da meia-noite. Pequenos cinemas passaram a exibi-lo tarde, para um público fiel que voltava semana após semana, fantasiado, a recitar falas com o ecrã. Assim, nascia o fenómeno do “midnight movie”.
O filme foi também percursor para que, décadas depois, títulos como “The Room” repetissem a fórmula.
O que diz a crítica sobre o clássico de Tim Curry?
“The Rocky Horror Picture Show” tem hoje 81% de aprovação no Rotten Tomatoes e 65 pontos no Metacritic.
A Entertainment Weekly resume bem o fascínio duradouro do filme: apesar de ser uma mistura quase sem enredo entre velhos filmes de ficção científica e uma estética andrógina à Bowie, a obra continua a conquistar públicos, em parte pela forma genuína como celebra as liberdades que representa.
Por outro lado, a Empire seleciona Tim Curry como o verdadeiro motor do filme. Aliás, para a publiciação o ator nunca mais voltou a atingir um nível tão gloriosamente desvairado. Além disso, o The AV Club destaca o equilíbrio entre um argumento apenas parcialmente compreensível e os números musicais quase ininterruptos, fusões brilhantes entre glam rock e teatro musical que, junto com uma energia sexual transgressora, mantêm o filme sempre em movimento.
Por fim, a Variety é a voz dissonante, assemelhando-se aos críticos da época. Para a publicação, muitas das piadas que talvez funcionassem no palco parecem hoje óbvias e sem vida, como se o brilho original se tivesse perdido pelo caminho.

