A Google lançou os seus novos Pixel e, tal como se esperava, 3 versões chegam a Portugal: Pixel 11, Pixel 11 Pro e Pixel 11 Pro XL. É mais do mesmo ou uma grande revolução? E para quem é? No ano passado, o Google Pixel 10 Pro XL foi, para mim, o melhor smartphone do ano. Não era o melhor smartphone para gaming nem tinha a melhor bateria, mas no resto era imbatível, principalmente em AI e fotografia. E este ano?
Vou avisar já, para não vos fazer perder tempo, e depois explico tudo em detalhe: este não é um daqueles saltos geracionais que nos deixam de queixo caído. É uma evolução. Há coisas genuinamente melhores, há uma ou duas que pioraram no papel, e há um aumento de preço que está a acontecer em todas as marcas e aqui é igual. Vamos por partes.
Começamos pelo design, porque é a primeira coisa que salta à vista. E, curiosamente, é onde a Google mexeu mais do que eu estava à espera. O Pixel 11 Pro XL é mais fino e mais leve do que o 10 Pro XL. Não é uma diferença que vos mude a vida, mas pega-se nos dois e nota-se. A barra das câmaras nas costas, aquela assinatura dos Pixel, é agora toda em vidro, e traz uma novidade que a Google decidiu chamar HiLight: uma pequena luz LED na barra que se acende para vos avisar de notificações quando o telemóvel está virado para baixo na mesa. É simpático? É. É essencial? Não. Mas é o tipo de pormenor que dá personalidade, e substitui o sensor de temperatura que o modelo anterior tinha e que muitas pessoas não usavam. Aqui vou ser sincero, eu usava e muito aquele sensor, e tenho pena que a Google o tenha trocado por algo que não me oferece nada de especial. É como se fosse um LED de notificações na traseira do smartphone…
Passamos ao ecrã. Ambos têm 6,8 polegadas, ambos são OLED LTPO com taxa de atualização de 1 a 120 hertz, portanto na estrutura são gémeos. A diferença está no brilho. O 11 Pro XL chega aos 3.600 nits de pico, contra os 3.300 do 10 Pro XL. Na prática, o que isto quer dizer é que num dia de sol em pleno verão, lá fora, o ecrã do novo lê-se um bocadinho melhor. É uma melhoria real, mas é incremental. Se puserem os dois lado a lado dentro de casa, vão ter dificuldade em distinguir.
O salto está no processador
Agora, o coração da máquina: o processador. E aqui a diferença é de facto significativa. O 10 Pro XL usava o Tensor G5. O novo traz o Tensor G6, que dá um salto grande no processo de fabrico, para os 2 nanómetros. Traduzindo o que isto significa para vocês no dia a dia: a Google promete cerca de 25% mais velocidade a navegar na internet e aplicações a abrir uns 15% mais depressa. Mas o verdadeiro foco, como sempre nos Pixel, não é a força bruta. É a inteligência artificial. O G6 traz 50% mais capacidade de computação dedicada à IA, e as tarefas de IA no próprio aparelho, sem passar pela internet, chegam a ser bastante mais rápidas. Vem também acompanhado de um novo coprocessador de segurança, o Titan M3, a substituir o M2. E há uma mudança mais discreta mas importante: um novo modem, que costuma traduzir-se em melhor rede e, potencialmente, melhor eficiência energética.
E é aqui que eu tenho de vos dar a primeira má notícia. O modelo base (o mais barato dos PRO) do Pixel 11 Pro XL vem com 12 gigas de RAM. O do ano passado, na versão base, trazia 16. Ou seja, no modelo mais acessível, a Google cortou memória. Se quiserem os 16 gigas, têm de ir para a versão de 512 gigas de armazenamento, que custa mais. Num telemóvel que se vende precisamente como uma máquina de inteligência artificial, cortar RAM no modelo base é uma decisão, no mínimo, estranha. Contudo, eu testei a versão de 512GB de armazenamento, com 16GB de RAM, e sim, a versão deste ano é mais rápida que o modelo do ano passado.
O rei das fotografias?
Vamos ao que quase toda a gente quer saber num Pixel: a câmara. E esta é, para mim, a razão número um para olhar para este telemóvel. A Google trocou o sensor principal de 50 megapixels por um novo, e redesenhou a teleobjetiva de 48 megapixels, que passa a ter um sensor maior e, segundo a Google, cerca de 30% mais sensibilidade à luz. O que é que isto quer dizer na vida real? Melhores fotografias com zoom e, sobretudo, melhores fotografias à noite e em ambientes escuros. Juntem a isto o novo processador de imagem que vem dentro do Tensor G6, e temos captura noturna quase instantânea, sem aquele meio segundo de espera a que já estávamos habituados. Há ainda uma funcionalidade nova chamada Camera Looks, que basicamente vos deixa dar um ar mais cinematográfico às fotografias, como se fossem filtros com carácter. O 10 Pro XL continua a tirar excelentes fotografias, que fique claro. Mas se a fotografia é a vossa prioridade, o 11 é objetivamente o melhor dos dois, especialmente quando a luz é pouca. Aqui vou ser direto: é o melhor smartphone para fotografias que testei até hoje.
Bateria e carregamento. E aqui temos a segunda pequena desilusão. A bateria do 11 Pro XL é, na verdade, ligeiramente mais pequena: 5.115 miliampéres-hora, contra os 5.200 do 10 Pro XL. É uma diferença mínima, e a Google garante que a maior eficiência do novo processador compensa, mantendo a promessa de mais de 30 horas de autonomia. Provavelmente na prática vão ter uma duração muito parecida com a do ano passado, o que, convenhamos, não é propriamente empolgante. No carregamento, mantém-se nos 45 watts com fio, o que enche o telemóvel até cerca de 75% em meia hora. O carregamento sem fios, esse sim, ficou mais rápido (finalmente!), até 25 watts, com o sistema magnético Pixelsnap que é compatível com acessórios MagSafe. Uma vez mais, sendo direto, tal como a maioria dos smartphones, terão de o carregar à noite porque ele não aguentará dois dias inteiros para um uso minimamente intenso.
O foco é a Inteligência Artificial
Quanto ao software, é onde o Pixel sempre brilhou e continua a brilhar. Vem com Android 17 na sua forma mais limpa, sem tralha, e com toda a camada de inteligência artificial da Google, a Gemini, integrada de raiz. E há um argumento que muitas vezes esquecemos: o suporte. Estes telemóveis têm sete anos de atualizações garantidas. Compram um hoje e ele vai continuar a receber versões novas de Android e atualizações de segurança durante muito tempo. Isso é valor real, e é uma das coisas que justifica o preço.
E chegámos ao preço, que é onde esta conversa toda tem de aterrar. O Pixel 11 Pro XL arranca nos 1.199 euros na Europa. É mais caro do que o 10 Pro XL foi no lançamento. Portanto, deixem-me somar tudo: pagam mais, para receber, no modelo base, menos RAM e uma bateria ligeiramente mais pequena, em troca de um processador melhor, uma câmara melhor e um ecrã um pouco mais brilhante. Mas, e esta é a parte mais importante, este smartphone é realmente melhor do que o anterior. Mas não é o ideal para todos. Este é um telemóvel focado em ajudar-nos a sermos produtivos. É fantástico nas fotos, tem um excelente ecrã e é um smartphone cheio de software inteligente que nos ajuda no dia a dia. É, facilmente, o smartphone que mais nos ajuda a poupar tempo, principalmente se tivermos outros gadgets do ecossistema Google.
Veredito: para quem é
Se vocês têm um Pixel 10 Pro XL, o do ano passado, a minha recomendação é clara: fiquem onde estão, a menos que o dinheiro não seja um problema. Não há aqui uma diferença enorme que justifique gastar mais de mil euros para trocar um telemóvel que ainda é excelente, que vai continuar a receber atualizações durante anos e que faz basicamente tudo o que o novo faz. Agora, se vocês têm um Pixel 9 Pro XL ou mais antigo, ou se vêm de outra marca e querem entrar no ecossistema Pixel, aí a conversa muda por completo. Para vocês, o salto é enorme. Processador muito mais capaz, câmara claramente melhor, ecrã mais brilhante, design mais refinado e sete anos de suporte pela frente. Para esse grupo, o Pixel 11 Pro XL é uma compra fácil de recomendar.
Resumindo tudo numa frase: o Pixel 11 Pro XL é o melhor telemóvel que a Google já fez, como seria de esperar, mas é uma melhoria feita a pensar em quem precisa mesmo de trocar, e não em quem comprou o topo de gama há doze meses. Telemóvel do ano? Talvez, para já, é um grande candidato, principalmente para amantes de fotografia ou entusiastas de AI.

