A partir de 2026, os cidadãos europeus vão poder guardar documentos oficiais diretamente no telemóvel. Chama-se Carteira Europeia de Identidade Digital e promete simplificar a vida a milhões de pessoas em toda a União Europeia. Além disso, funciona como uma espécie de app gov.pt, mas com validade em todos os Estados-Membros. Por outro lado, a adesão não é obrigatória. Quem preferir continuar a usar os documentos físicos pode fazê-lo sem qualquer problema, já que estes mantêm a validade legal na íntegra.
O que é a Carteira Europeia de Identidade Digital?

Este novo sistema não nasce do acaso. Na verdade, resulta do regulamento eIDAS 2.0, que está em vigor desde maio de 2024. Assim sendo, a ideia central passa por uniformizar a forma como se comprova identidade dentro do espaço europeu. Até agora, cada país tinha as suas próprias soluções, o que dificultava o reconhecimento mútuo entre fronteiras. Com a nova carteira, esse obstáculo deixa de existir.
Que documentos estão na Carteira Europeia da Identidade Digital?
A lista é bastante extensa. Desde logo, inclui o documento de identificação com os dados básicos de identidade e também a carta de condução. Além disso, é possível guardar o passaporte, através do Digital Travel Credential, bem como receitas médicas eletrónicas e o Cartão Europeu de Seguro de Doença. Do mesmo modo, cabem aqui diplomas, certificados académicos e cartões de estudante. Para quem tem deficiência, a carteira ainda contempla o Cartão Europeu de Deficiência e o respetivo cartão de estacionamento. Adicionalmente, encontram-se disponíveis o certificado de matrícula do veículo, bilhetes de viagem, credenciais profissionais e documentos de residência. Por fim, é possível guardar procurações, assinaturas eletrónicas qualificadas e certificados fiscais emitidos por entidades públicas ou bancos.
Como funciona a partilha de dados?

Aqui reside uma das maiores vantagens deste sistema. Ou seja, a partilha de informação é sempre seletiva. Por exemplo, para provar maioridade num serviço restrito a adultos, basta partilhar essa confirmação específica. Desta forma, não é necessário revelar a data de nascimento nem a fotografia. Além do mais, toda a informação permanece guardada localmente no dispositivo, sem depender de servidores externos. Simultaneamente, existe um painel dedicado onde cada utilizador consulta o histórico de partilhas. Assim, fica sempre claro que dados foram partilhados e com quem.
Vale a pena aderir à Carteira Europeia de Identidade Digital?
Em suma, esta ferramenta traz vantagens evidentes em termos de praticidade. Afinal, reúne num único local documentos que, normalmente, estariam espalhados por várias carteiras e aplicações. Ainda assim, a decisão de aderir cabe a cada cidadão. Quem valoriza a comodidade digital tem, agora, um motivo forte para experimentar. Por outro lado, quem prefere manter os hábitos tradicionais pode continuar a fazê-lo sem qualquer prejuízo. De qualquer forma, 2026 marca um passo importante rumo a uma identidade verdadeiramente europeia.

