©Rose

A Internet mudou definitivamente a forma como ouvimos música. Primeiro libertou-a do suporte físico; depois colocou milhões de álbuns no bolso. Hoje, streaming, playlists, smartphones e auscultadores fazem parte do quotidiano de milhões de pessoas.

Mas quem gosta realmente de música dificilmente fica por aí. Em casa, os auscultadores podem dar lugar a umas boas colunas, a uma soundbar ou a um verdadeiro sistema Hi-Fi. E é aqui que o streaming deixa de ser apenas uma extraordinária comodidade para passar também a ser uma fonte de elevada qualidade.

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Os números ajudam a perceber a dimensão da transformação. Segundo o mais recente Global Music Report da IFPI, o streaming representou em 2025 nada menos que 69,6% das receitas mundiais da música gravada, ultrapassando 22 mil milhões de dólares. Só o streaming por subscrição já vale 52,4% do mercado, com 837 milhões de utilizadores pagos.

Spotify, Apple Music ou Qobuz? Nunca houve tanta música disponível

A oferta é igualmente gigantesca. Spotify, Apple Music, Amazon Music, YouTube Music, Tidal, Qobuz e Deezer estão entre os grandes serviços que hoje dão acesso imediato a catálogos de dezenas de milhões de músicas. Alguns privilegiam a descoberta e as playlists, outros apostam fortemente no áudio sem perdas, alta resolução ou Dolby Atmos. Já aqui explicámos, por exemplo, ⁠as diferenças entre Qobuz e Spotify para quem leva a qualidade da música a sério.

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E os melhores streamers permitem juntar estes universos à música armazenada localmente, a rádios online e, em muitos casos, a plataformas como o ⁠Roon, um verdadeiro ecossistema musical capaz de integrar streaming, biblioteca própria e múltiplas divisões da casa.

É neste ponto que entra o equipamento. Um streamer pode hoje custar menos de 200 euros ou ultrapassar largamente os 10.000, assumindo funções que vão da simples recepção de música da Internet até verdadeiro servidor, DAC e centro nevrálgico de todo um sistema digital. E no outro extremo desta escala encontramos o verdadeiro High End, incluindo ⁠alguns dos melhores sistemas Hi-Fi do mundo que recentemente fomos descobrir precisamente na Ajasom.

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A ⁠Ajasom disponibiliza perto de 50 streamers, servidores e soluções de música digital, cobrindo praticamente todas as gamas de preço. Seleccionámos cinco dos mais interessantes, dos 179 aos 12.000 euros, para perceber o que podemos encontrar à medida que subimos esta particular escada do áudio digital.

Rose RW800: streaming Hi-Fi por apenas 179 euros

Rose RW800
©Rose

Pequeno no tamanho e surpreendente no preço, o ⁠Rose RW800 demonstra até onde desceu a barreira de entrada para um verdadeiro streamer de rede.

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Pode funcionar autonomamente, ligado a um amplificador, DAC ou colunas activas, ou servir como módulo de expansão para equipamentos HiFi Rose compatíveis. Tem Ethernet, Wi-Fi dual-band, Bluetooth 5.2, saída analógica RCA e entrada e saída ópticas.

E dificilmente se poderá acusá-lo de viver apenas do preço: suporta PCM até 32-bit/384 kHz e DSD128, além de Tidal Connect, Qobuz Connect, Spotify Connect, AirPlay 2 e Google Cast, sendo ainda Roon Ready. Por 179 euros, é uma pequena caixa capaz de transportar um sistema tradicional para o universo actual do streaming.

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Innuos STREAM1: tecnologia portuguesa a crescer com o sistema

Innuos STREAM1
©Innuos

Com o ⁠Innuos STREAM1 entramos numa filosofia diferente: modularidade, qualidade de construção e possibilidade de evolução. E há aqui uma história portuguesa. A Innuos foi fundada em 2009 por Nuno Vitorino e Amelia Santos, dois engenheiros informáticos portugueses formados no Instituto Superior Técnico. O projecto começou em Londres, mas os fundadores regressaram em 2013 a Portugal, instalaram a empresa no Algarve e hoje a marca tem sede e instalações em Faro, mantendo desenvolvimento próprio de hardware e software.

O STREAM1 pode receber armazenamento SSD NVMe interno de 2 ou 4 TB, transformando-se também num servidor para a biblioteca musical do utilizador. A plataforma Sense integra Qobuz, Tidal, Deezer, HighResAudio, IDAGIO, Spotify Connect, Tidal Connect e Qobuz Connect, além de rádio e podcasts.

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A arquitectura modular permite escolher diferentes placas de saída — DAC, SPDIF ou PhoenixUSB — e posteriormente melhorar a alimentação através da fonte linear LPS1. Suporta PCM até 32-bit/768 kHz e DSD512 nas configurações adequadas e pode igualmente funcionar como Roon Core ou Endpoint. Na Ajasom, o STREAM1 começa nos 2.800 euros.

Rose RS151: streaming com imagem de cinema

Rose RS151
©Rose

O ⁠Rose RS151 dificilmente passa despercebido. O enorme ecrã táctil IPS de 15,4 polegadas ocupa praticamente toda a frente e transforma a experiência de utilização.

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Mas não é apenas um streamer espectacular de ver. O RS151 utiliza um DAC ESS Sabre ES9039PRO, suporta PCM até 32-bit/768 kHz e DSD512 e oferece acesso a serviços de streaming e ao ecossistema próprio Rose.

Há ainda armazenamento SSD interno opcional, Ethernet Gigabit, Bluetooth 5.4 aptX, USB, AES/EBU, coaxial, óptica, HDMI ARC e até HDMI 2.0 com vídeo 4K/60 Hz. As saídas analógicas podem ser balanceadas ou RCA. Por 4.799 euros, é provavelmente o mais multimédia deste quinteto.

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McIntosh DS200: streamer, DAC e pré-amplificador digital

McIntosh DS200
©McIntosh

A estética não engana. O ⁠McIntosh DS200 é um McIntosh desde o primeiro olhar, mas por detrás do vidro negro encontra-se uma máquina digital particularmente versátil.

É simultaneamente streamer e DAC, compatível com AirPlay, Google Cast, Qobuz Connect, Spotify Connect, Tidal Connect e Roon. Dispõe ainda de Ethernet, Wi-Fi e Bluetooth 5.0 com aptX HD.

O conversor Quad Balanced de oito canais suporta através de USB PCM até 32-bit/384 kHz, DSD512 e DXD. E as oito entradas digitais incluem USB, AES/EBU, coaxiais, ópticas, HDMI ARC e a ligação MCT da própria McIntosh.

As saídas balanceadas e RCA podem funcionar em nível fixo ou variável, permitindo ao DS200 assumir também o papel de pré-amplificador num sistema exclusivamente digital. Preço Ajasom: 6.960 euros.

SOtM sMS-2000: quando o streaming chega aos 12.000 euros

SOtM sMS-2000
©SOtM

No extremo deste percurso encontramos uma abordagem bastante diferente. O ⁠SOtM sMS-2000 é, rigorosamente, um servidor de música High End, pensado para quem procura construir a reprodução digital a partir da própria infraestrutura informática e de rede.

A SOtM utiliza motherboard dedicada sMB-Q370, clock sCLK-EX, interface de rede audiófila sNI-1G, saída USB tX-USBx10G e fonte de alimentação sPM-ATX100. O armazenamento interno pode chegar aos 4 TB SSD M.2, dependendo da configuração.

Com um preço de 12.000 euros, é a demonstração perfeita de como a palavra “streaming” pode esconder mundos completamente diferentes: desde uma pequena caixa de 179 euros que cabe praticamente na palma da mão até um servidor de 10 kg concebido para integrar sistemas digitais sem compromissos.

Afinal, qual é o melhor streamer para o meu sistema?

Cinco equipamentos e cinco interpretações muito diferentes do mesmo conceito — mas estão longe de esgotar as possibilidades. Entre 179 e 12.000 euros há DACs integrados ou externos, armazenamento local ou apenas streaming, Roon, diferentes plataformas, múltiplas saídas digitais e analógicas e, sobretudo, sistemas Hi-Fi e necessidades muito diferentes.

É por isso que, neste universo, o melhor streamer nem sempre é simplesmente o mais caro. É aquele que melhor se integra no sistema que já temos — ou naquele que queremos construir.

E perante perto de 50 alternativas, nada substitui completamente uma conversa com quem representa as marcas, conhece como ninguém os modelos em oferta e entende as necessidades dos clientes. Uma visita à loja ou ao showroom da Ajasom, na Damaia, pode ser afinal a forma mais simples de descobrir qual destas muitas portas de entrada para o streaming é a nossa.


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