“The Terror: Devil in Silver” continua a fazer furor entre os espectadores e ainda há muitos episódios por estrear. No entanto, se ainda não começaste a ver, então podes fazê-lo a qualquer momento, pois os episódios já se encontram disponíveis no streaming nacional através do AMC Selekt.
A nova temporada da popular série antológica segue a história de um homem trabalhador comum que se vê, preso num hospital psiquiátrico, apesar de estar no controlo das suas capacidades mentais. Porém, tudo muda quando Pepper começa a testemunhar acontecimentos estranhos na instituição, levando-o a questionar a sua sanidade.
Os novos episódios de “The Terror: Devil in Silver” chegam ao AMC todas as segundas-feiras, pelas 22h10, seguindo-se da estreia no AMC Selekt no dia seguinte. No entanto, enquanto esperas, fica a conhecer as principais diferenças entre a série e o livro que lhe dá origem.
De Pepper a Dan Stevens
A principal diferença entre o livro de Victor LaValle e “The Terror: Devil in Silver” surge logo com a introdução do protagonista. Interpretada por Dan Stevens na série do AMC, ator britânico conhecido pelo seu trabalho em “Downton Abbey” e “A Bela e o Monstro”, a personagem não poderia ser mais diferente da sua versão literária.
No livro, Pepper é descrito como um homem negro da classe trabalhadora de Queens. Além disso, a caracterização física de Pepper refere ainda que ele é um homem alto (2 m) e de grande porte, elementos que Stevens (1m 83 cm) não representa.
The Terror na primeira pessoa e no conjunto

Em “The Devil in Silver”, de LaValle, a história é-nos contada na primeira pessoa. Isto significa que os leitores acompanham o desenrolar da história pela perspectiva de Pepper, conforme ele vai testemunhando os eventos.
No entanto, na série, LaValle optou por expandir a visão da história mais abrangente. Embora Pepper permaneça o ponto central do enredo, os restantes pacientes de New Hyde têm uma presença mais recorrente e central ao enredo.
Uma mudança temporal em The Terror
Ao contrário do que aconteceu com as duas primeiras temporadas da série “The Terror”, a história de “Devil in Silver” não decorre no passado. Tal como acontece com o livro publicado em 2012, a história é situada no presente.
Contudo, mesmo assim as diferenças temporais são notáveis entre o livro de LaValle e a série. A obra literária situa a ação no final doa anos 2000, sem smartphones nem redes sociais, enquanto a série desloca o enredo até aos anos 2020, com a presença de 20 anos de evolução tecnológica bem presentes.
O comentário social mais explicito
A narrativa de “The Devil in Silver” surge com um papel importante, que vai muito mais além do que contar uma história de terror. O livro assume um papel importante, expondo a realidade por detrás de muitas instituições psiquiátricas que lidam em maus tratos, violência generalizada, e tratamentos experimentais ilegais. Porém, este é um aspecto da obra literária que pode passar despercebido entre os leitores mais distraídos.
No entanto, a série dá novo destaque a esses elementos, tornando o comentário social da história original muito mais explicita. Assim, apesar de ambas as versões utilizarem o hospital psiquiátrico como metáfora para uma sociedade que aprisiona e negligencia pessoas com quem não sabe lidar. A série é especificamente descrita pelos seus criadores como uma história sobre pessoas “esquecidas pelo mundo” e sobre sistemas falidos.
A representação do Devil in Silver

No livro, o elemento sobrenatural tem uma presença mais ambígua, estando profundamente ligada à experiência subjetiva de Pepper, ao hospital, à violência institucional e à questão do que constitui exatamente um “monstro”.
Por outro lado, a série retem a essência da figura do Devil, mas dá-lhe uma presença mais corpórea. Assim, no desenrolar da série, Pepper acaba mesmo por confrontar a entidade que se alimenta do sofrimento presente em New Hyde.

