Arranca já este mês na Ilha Terceira, nos Açores, a 11ª edição do Cine Atlântico. Este evento traz até à ilha açoriana o melhor do cinema português contemporâneo e ainda um ciclo especial dedicado ao realizador Paulo Rocha.
O evento é organizado pelo Cineclube da Ilha Terceira. Conta com uma programação de 11 filmes, especialmente escolhidos pelo crítico de cinema José Vieira Mendes.
O que é o Cine Atlântico?

O festival de cinema Cine Atlântico acontece anualmente na Ilha Terceira desde 2016. Inicialmente, decorria em meados de novembro até que, a partir de 2022, se estabilizou em meados de outubro.
Desde a sua fundação, o festival é organizado pelo Cineclube da Ilha Terceira e decorre no Recreio dos Artistas. Esta é igualmente a sala que recebe as sessões regulares da associação.
O Cine Atlântico é um festival dedicado à exibição de cinema português. Normalmente, exibe filmes recentes mas inclui ainda, pontualmente, alguns ciclos temáticos, com filmes mais antigos do nosso cinema.
Para a 11.ª edição, o Cine Atlântico tem dois ciclos na sua programação. São eles: “Paulo Rocha: As Sombras de Portugal” e “O Novo Cinema Português: Feridas Abertas e Novas Linguagens”. O certame irá decorrer de 16 a 25 de outubro.
Programação completa do ciclo Paulo Rocha: As Sombras de Portugal

De 16 a 18 de outubro, o Cine Atlântico irá exibir o ciclo “Paulo Rocha: As Sombras de Portugal”. Este 1.º ciclo conta com 5 filmes do histórico realizador português.
Assim, na sexta-feira 16 de outubro irás ver 2 filmes. A saber: às 18h30, “Mudar de Vida” (1966) – um filme essencial para a história do Novo Cinema Português – e às 21h30 “O Desejado ou As Montanhas da Lua” (1987) – sobre o mito de D. Sebastião.
A programação segue no sábado 17 às 18h30 com “O Rio do Ouro” (1998) – um filme de época passado nos anos 1950 nas margens do Douro – e às 21h30 “A Raiz do Coração” (2000) – com as festas de Santo António como pano de fundo.
O ciclo do festival Cine Atlântico termina no domingo 18 às 18h30 com “Vanitas ou O Outro Mundo” (2004) sobre a relação de uma estilista com uma jovem que pretende seguir os seus passos.
Refere José Vieira Mendes: “Paulo Rocha (1935–2012) era um cineasta que não se limitava a contar histórias: quase que escutava o país. Ao longo de mais de cinquenta anos de cinema, a sua obra construiu uma das cartografias cinematográficas mais singulares do imaginário português. Um cinema feito de personagens inquietas, paisagens carregadas de memória, paixões subterrâneas e uma permanente sensação de desencontro entre aquilo que somos e aquilo que gostaríamos de ser. Nos seus filmes, Portugal surge quase sempre como um território em suspenso: entre tradição e modernidade, entre o peso da história e o desejo de transformação.”
Por fim, o programador refere que todos os filmes escolhidos são “histórias sobre o desejo e sobre o destino: dois motores profundos da cultura portuguesa.”
Programação completa do ciclo O Novo Cinema Português: Feridas Abertas e Novas Linguagens

A segunda parte da 11ª edição do festival Cine Atlântico decorre, pois, de 23 a 25 de outubro. Com o título “O Novo Cinema Português: Feridas Abertas e Novas Linguagens”, este ciclo inclui 6 filmes, todos eles estreados comercialmente entre 2025 e 2026.
Assim, a sessão inaugural, sexta-feira 23 às 21h, inclui um dos filmes mais vistos do ano 2026 com a biografia de Carlos Paião “Playback” (2026, Sérgio Graciano).
Seguem-se no sábado 24 mais três sessões. A saber, pelas 16h, vais poder ver “O Barqueiro” (2025, Simão Cayatte) – sobre um ex-recluso que pretende cumprir uma promessa à sua filha –, às 18h “Justa” (2025, Teresa Villaverde) – sobre as consequências e perdas após trágicos incêndios – e às 21h “Entroncamento” (2025, Pedro Cabeleira) – onde uma jovem enfrenta dificuldades no regresso à sua terra-natal.
Por fim, o ciclo do Cine Atlântico encerra no domingo 25 com mais duas sessões. Assim, às 16h será exibido “18 Buracos para o Paraíso” (2025, João Nuno Pinto) – onde uma família enfrenta a seca e desertificação – e às 18h a sessão de encerramento fica a cargo de “O Riso e a Faca” (2025, Pedro Pinho) – um filme entre o documentário e a ficção sobre um português que viaja até Bissau para trabalhar numa organização não governamental.
O ciclo do Cine Atlântico, explicado pelo seu programador
Sobre as escolhas para o ciclo “O Novo Cinema Português: Feridas Abertas e Novas Linguagens” refere José Vieira Mendes: “À sua maneira, todos os filmes desta programação acompanham personagens colocadas perante limites muito concretos. Homens e mulheres encurralados pela História, pela terra, pela pobreza, pela família, pelo passado, pelo desejo ou pelas consequências das suas próprias escolhas. Procuram uma saída, ainda que nem sempre saibam reconhecê-la; uma forma de resistência, mesmo quando resistir significa apenas continuar; um gesto de dignidade ou um lugar onde possam existir sem pedir autorização.”
“Vivemos num tempo saturado de ruído, simplificação e imagens descartáveis, que mal aparecem já estão a desaparecer. Estes filmes fazem precisamente o contrário. Acreditam que o cinema ainda pode pensar sem se tornar frio, emocionar sem ser complacente, perturbar sem recorrer ao espectáculo fácil e permanecer connosco muito depois de as luzes da sala se acenderem.”, concluiu o programador.
Onde ver os filmes e onde adquirir os bilhetes para as sessões?
Como já referimos, todas as sessões da 11ª edição do Cine Atlântico irão decorrer no Recreio dos Artistas, em Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, nos Açores.
Assim, os bilhetes para todas estas sessões podem ser adquiridos neste espaço antes do início de cada sessão. A entrada para as sessões tem um custo de 3€ para o público em geral e de 1,50€ para os sócios do Cineclube da Ilha Terceira.
Por fim, podes consultar mais informações sobre o festival no seu site oficial.

