A Noiva!, a Crítica
Jessie Buckley protagoniza aquela que é, de certa forma, a nova versão de “A Noiva de Frankenstein”, assinada por Maggie Gyllenhaal e com argumento original pela própria. Esta é uma evolução num sentido completamente distinto quando comparada com a sua primeira longa-metragem – “The Lost Daughter” (2021).
Aqui, Gyllenhaal é mais ousada e arrisca com este seu gesto criativo. Embora não seja um filme que agrade a todos, dificilmente é possível ignorar a ambição clara desta sua nova obra.
Jessie Buckley e Christian Bale: dois carismáticos protagonistas

Nesta narrativa situada na Chicago e Nova Iorque da década de 1930, temos uma Jessie Buckley imperdível como a Noiva. Buckley, a mesma que está na senda do Óscar que quase certamente receberá por “Hamnet” no próximo dia 15 de março , continua aqui a provar ser uma das grandes atrizes da sua geração. É com alegria que a vemos a tornar-se progressivamente uma figura mais mainstream.
A atriz dá aqui vida a Ida, que mais tarde responde pelos nomes “The Bride” e “Pretty Penny”. No começo, as motivações da sua personagem parecem-nos inteligíveis, quiçá apenas explicáveis por pura loucura, mas à medida que a vamos conhecendo admiramos a sua bravura e insana dedicação para com a verdade.
No início da história, temos Christian Bale na pele do Monstro de Frankenstein, que se encontra na busca por uma companheira romântica. Para tal, requer a ajuda da Dra. Euphronius para ressuscitar uma jovem recentemente morta para ser a sua companheira. E é precisamente a campa de Ida que acabam por assaltar, depois desta ser morta num “acidente”. Annette Bening é outro trunfo do filme, notável neste papel de “cientista louca”.
Já o Frankenstein de Christian Bale é incrivelmente carismático e engraçado, num regresso à forma para o ator que não tem ultimamente protagonizado tantas longas badaladas como, por exemplo, havia feito no início do milénio. É adorável ver a paixão cinematográfica desta versão do monstro de Frankenstein, um carinhoso solitário em busca de amor pelo qual é tão fácil torcer (mesmo quando está a atacar violentamente alguém).
A Noiva! e o seu visual distinto

Desde o arranque da longa metragem , temos a componente visual da fita como um trunfo maior, com uma estética neo noir e steam punk combinadas. Sequências oníricas abundam nesta versão de um clássico que casa ficção científica, crime e comédia em parcelas bem doseadas.
A Noiva , essa, está em diálogo com a própria autora do livro Frankenstein, Mary Shelly, também esta interpretada por Jessie Buckley. As suas conversas enigmáticas estão repletas de auto-referencialidade e de impressões visuais que evocam vagamente o expressionismo alemão .
Empoderamento feminino em The Bride!

Este é um filme sobre agência feminina num mundo perverso e injusto, com a versão presente da noiva a ser apresentada como uma enigmática rebelde. Não fosse “I Would Prefer Not to”, citação da personagem literária icónica Bartleby, uma das frases favoritas da Noiva e repetida ao longo de todo o filme.
Uma jornada musical negra por Maggie Gyllenhaal
Com “The Bride!” experienciamos uma jornada musical deliciosa. Começamos pelo destaque para o adorável cameo do irmão da realizadora, Jake Gyllenhaal, aqui no papel de um ator de musicais, Ronnie Reed, um favorito do Monstro de Frankenstein.
Sem dúvida, a banda sonora é inebriante, como o trailer deixava já adivinhar, com um bonito tributo aos musicais do cinema de outrora. Arrisco-me até a afirmar que as várias sequências musicais são o ex-líbris deste filme. Aliás, mais do que uma das sequência musicais do filme atingem o que Joker: Folie à Deux (2024) não conseguiu ser – uma exuberante loucura musical.
Novos caminhos para velhas histórias
“A Noiva!” consegue ser muito estranho e bizarro, mas também inebriante. E sim, torna-se ligeiramente menos interessante quando evolui para uma narrativa de detectives e história de mafiosos, não obstante o carisma incontornável da assistente de polícia interpretada por Penélope Cruz.
Mas há que se reforçar que a longa brilha muito mais quando o foco está no companheirismo entre Frankenstein e a sua noiva, uma bela parelha que nunca deixa de resultar.
Aqui, representa-se um mundo de violência e crueldade brutais, onde os aparentes monstros são as figuras mais luminosas e improváveis justiceiras. Maggie Gyllenhaal consegue criar, com “A Noiva!” , uma versão empolgante e surpreendente de uma história que já foi narrada tantas vezes, o que de si só é um feito notável. O filme pode ser caótico e pouco usual, pode estar longe da perfeição, mas tem uma identidade e aura muito próprias.
A Noiva!, a Crítica
Conclusão
- Maggie Gyllenhaal consegue criar, com “A Noiva!” , uma versão empolgante e surpreendente de uma história que já foi narrada tantas vezes, o que de si só é um feito notável. O filme pode ser caótico e pouco usual, pode estar longe da perfeição, mas tem uma identidade e aura muito próprias.

