“After the Hunt”, thriller psicológico com Julia Roberts. | © 2025 Amazon Content Services LLC. All Rights Reserved.

After the Hunt com Julia Roberts é grande filme-choque | Festival de Veneza 2025 (Dia 3)

A competição ainda aquece motores, mas o filme mais falado é de quem nem sequer entrou no jogo: “After the Hunt”, de Luca Guadagnino. (fora de competição) do Julia Roberts regressa sem sorriso de “Pretty Woman”, em modo professora atormentada, num thriller académico onde cada silêncio pesa mais do que uma acusação.

Em “After the Hunt” temos Julia Roberts contra a moral académica e Guadagnino em modo bisturi ainda no terceiro dia do Festival de Veneza 2025. Mas já se percebeu que a competição oficial anda a meio-gás e que o filme mais falado até agora está… fora dela.

Chama-se “After the Hunt”, é do italiano convertido a Hollywood, Luca Guadagnino (“Chama-me Pelo Teu Nome”) e tem Julia Roberts a provar que não está condenada a viver o resto da vida de sorrisos em anúncios de perfumes.

Aqui, é Alma Olsson: um professora universitária de filosofia respeitável, vida organizada, marido psicanalista (Michael Stuhlbarg) e uma reputação imaculada que se começa a desfazer como papel molhado quando a universidade onde ensina (Yale University por sinal) se transforma num tribunal moral.

Guadagnino sem sangue, mas com faca afiada

Luca Guadagnino já nos tinha dado corpos suados e maduros (“Chama-me Pelo Teu Nome”), danças de vísceras (“Suspiria”) e até um romance canibal (“Ossos e Tudo”). Agora em “After the Hunt” tira os ossos do prato e atira-se a outro tipo de violência: a do poder, do silêncio e da memória. “After the Hunt” é um thriller passado no meio académico filmado como uma ópera claustrofóbica: corredores sombrios, diálogos cortantes e um campus universitário que parece mais perigoso do que uma floresta cheia de lobos.

Festival de Veneza 2025
“After the Hunt”  com Julia Roberts e Andrew Garfield. © 2025 Amazon Content Services LLC. All Rights Reserved.

O detonador de “After the Hunt” é simples: uma aluna brilhante (Ayo Edebiri, saída de “The Bear” e agora em registo dramático puro) acusa um professor carismático (Andrew Garfield) de má conduta sexual. Daí para a frente, é um dominó de acusações, alianças e manipulações que deixa Julia Roberts no centro da tempestade com um seu próprio segredo do passado a ameaçar rebentar-lhe no colo.

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Julia Roberts, finalmente atriz outra vez

Há décadas que Julia Roberts vive entre duas imagens: a “Pretty Woman” eterna e a estrela de Hollywood que já não precisa de provar nada. Mas aqui em “After the Hunt”, Guadagnino devolve-lhe a densidade: cabelo disciplinado, cara fechada, rugas que contam mais do que qualquer sorriso.

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Alma Olsson é uma personagem feita de dilemas e culpas, de silêncios envenenados e de uma luta interna que a Roberts veste como se fosse uma segunda pele. Sim, podem começar já a falar dela para os Óscares — o filme é da Amazon MGM Studios — mas desta vez, para variar, sem flores nem vestidos vermelhos, apenas com a vulnerabilidade crua e à flor da pele..

After the Hunt
Alma Olsson (Roberts) é uma figura feita de dilemas. © 2025 Amazon Content Services LLC. All Rights Reserved.

Ayo Edebiri rouba cenas, Garfield é viscoso e irresistível em doses iguais, e Stuhlbarg mantém-se como o mestre dos papéis que parecem discretos até serem uma navalha escondida na intimidade. O resultado de “After the Hunt” não é um thriller de tribunal ou policial, mas antes um exorcismo moral em câmara lenta.

Um filme desconfortável e inquietante

“After the Hunt” não quer ser um filme confortável, antes pelo contrário. Guadagnino  apresenta-nos um filme que aperta a garganta, obriga a pensar em quem pode esquecer, quem tem de recordar e quem paga o preço de cada silêncio. Se a competição oficial ainda procura o seu título maior para candidato ao Leão de Ouro, este filme, ironicamente exibido fora dela, é já um dos momentos altos do Festival de Veneza 2025. Atenção à maravilhosa banda sonora de Trent Reznor e Atticus Ross,  pautada com vários temas de música brasileira, entre eles de António Carlos Jobim.

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