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Nunca houve melhor altura para voltar à idade de ouro da pirataria? Black Flag Resynced merece o nosso tempo?

Sempre que sai um Assassin’s Creed novo, a conversa acaba no mesmo sítio: “epá, lembras-te dos primeiros jogos?” Para muita gente que largou a série a meio, Black Flag é, ainda hoje, o último que jogou. É aquele cujo protagonista, Edward Kenway, aparece sempre lá em cima nas listas dos melhores. É aquele que deu origem a dois spin-offs marcantes e que inspirou um jogo inteiro construído só à volta do combate naval. Foi um momento cultural ao nível do que a trilogia Ezio tinha feito. E este Resynced não é apenas mais um remake de peso da Ubisoft — é a homenagem que a Ubisoft Singapore faz à reputação (mais do que merecida) do original. Gráficos novos, combate refeito em terra e no mar, exploração e stealth remexidos: é maior e melhor em tudo o que interessa. Mas tem falhas? claro que sim. Vamos analisar tudo!

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Se me perguntam por onde começar, começo pelo mar. Sempre foi ele a alma deste jogo.

O mar continua a ser o coração de tudo

Como a pirataria do início do século XVIII manda, há alturas em que tu e mais trinta amigos precisam de subir a um brigue e resolver as diferenças com a marinha imperial local à força de canhões. A evolução da navegação que o Black Flag (review ao original aqui) foi buscar ao Assassin’s Creed 3 foi sempre um dos grandes trunfos desta experiência — e aqui em Black Flag Resynced está de volta, melhor em todos os sentidos, tal como se pedia, porque o original saiu há mais de uma década.

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Continuas a ter quatro formas principais de atacar (canhões de bordada, morteiros de longo alcance, corrente para rasgar velas e barris de fogo), mas agora cada uma ganhou um modo de disparo secundário, que vais desbloqueando com recompensas de missões. Dei, por exemplo, imenso uso às balas incendiárias das bordadas: têm menos alcance, mas são absolutamente devastadoras face às normais, porque deixam pontos fracos que podes voltar a atingir com as peças giratórias para acumular ainda mais dano. Já as próprias peças giratórias funcionam agora mais à maneira do Assassin’s Creed Rogue — manténs o alvo debaixo da mira e disparam sozinhas, em vez daqueles QTE lentos e chatos de antigamente. É uma melhoria significativa e que torna o jogo mais agradável e com um melhor ritmo.

Os navios também podem ganhar capacidades novas, graças aos oficiais que recrutas. Algumas são fortíssimas, como o “escoramento perfeito” do carpinteiro, que bloqueia dano extra se carregares no botão de escorar no momento certo em que o ataque acerta — e, com blindagem de casco suficiente, chegas a anular o golpe por completo. Foi uma adição interessante, que em alguns momentos torna o jogo muito mais fácil, apesar de menos realista, mas que também me permitiu sobreviver em alguns momentos mais complexos.

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E é no mar que o novo comportamento inimigo e os efeitos climáticos mais se notam. Navios espanhóis, ingleses e piratas andam constantemente a atacar-se, aliando-se em configurações diferentes conforme a situação. Por cada duas fações que apanhava a trocar fogo, encontrava também um grupo de navios com a mesma bandeira a viajar tranquilamente pelo oceano, algo que é estranho e que reparei que outros jornalistas também notaram, mas são detalhes que não mancham o jogo o suficiente.

 

Uma das melhores histórias da série continua a prová-lo

A história de Edward Kenway é uma das mais queridas de todo o Assassin’s Creed, e não é por acaso. Está cheia de personagens memoráveis, de reviravoltas com peso, de boa escrita e boa representação com um excelente final. A história parece simples: um pirata egoísta atrás da glória, arrastado à força e a grande custo pessoal para o meio do conflito entre Assassinos e Templários. Treze anos depois, ainda há poucas histórias que fujam ao molde da mesma forma dentro da série, sendo os detalhes e reviravoltas o que distingue cada jogo. Continua a ser, tranquilamente, uma das melhores aventuras de Assassin’s Creed, apesar de eu ter preferido ver o remake da trilogia Ezio.

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E a história ainda levou algum mimo. Há cutscenes extra que aprofundam certos momentos com personagens importantes, e há um capítulo de fim de jogo inédito que fecha uma ponta solta ligada a uma personagem que, no original, acabou por não ter o desfecho que se esperava. Algumas missões foram reformuladas para ficarem um pouco mais abertas e isso é importante porque algumas missões no original não tinham o peso devido nem a liberdade que poderiam ter, e aqui existe essa melhoria. Se não voltaste ao original há pouco tempo, muitas destas mudanças não vão saltar à vista como novas, mas a experiência é mais agradável.

O que desapareceu por completo em Black Flag Resynced foram os interlúdios no presente, aqueles em que andavas pelos escritórios da Abstergo a tentar sabotar a corporação Templária. Em vez disso, os glifos espalhados pelo mapa alimentam agora os vários sistemas de meta-progressão do novo Animus Hub, que a Ubisoft estreou no Assassin’s Creed Shadows. Faz diferença esta mudança? A verdade é que melhora o ritmo de jogo, mas acho que se perdeu algum conteúdo, principalmente para quem for aos poucos começar a série e jogar este em vez do original. Acima de tudo, fica a sensação de que a Ubisoft está mesmo a abandonar a ideia inicial da saga, em que a luta era em todos os momentos, incluindo no presente.

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Olhando agora para a jogabilidade, existem várias melhorias, com inimigos mais inteligentes a equilibrar o quão melhor agora conseguimos jogar. Tudo é mais realista, mas ágil sem parecer demasiado e o controlo é melhor melhor nos 360 graus. Agora os inimigos têm barras de postura para gastar, e não só vida. Os golpes rápidos, aliados aos novos remates de ataque pesado, esvaziam essas barras depressa e deixam a maioria dos inimigos vulnerável a execuções instantâneas de um só botão, que podes encadear para os que estão ao pé. Trata-se de um sistema de luta ligeiramente mais estratégico e não tão focado em carregar simplesmente nos botões.

Os maus costumam vir em pouca variedade (o que é pena) mas em grande número, e quase todos defendem bem os ataques de frente e nota-se que tudo é inspirado no Odyssey e Origins, para criar uma mistura mais equilibrada. Tudo isto junto cria um combate relativamente simples mas satisfatório, em que cada opção parece útil e necessária. Dito isto, as lutas ficaram, no geral, menos “fantásticas”, mais realistas, e gostei dessa melhoria porque os tempos são outros e os jogadores assim o exigem.

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O botão de agachar muda tudo

Agora falamos da grande mudança, e é mais simples do que se podia esperar. Agora temos o botão de agachar. Confesso que no início nem me lembrava que no original isto não era possível. É algo tão simples, tão básico nos dias de hoje, ter um jogo de stealth em que nos podemos esconder atrás de um pequeno móvel ou na vegetação. Mas, há mais de uma década, essa não era a realidade. O engraçado é que uma coisa tão simples como agachar abre tantas maneiras novas de passar despercebido que acaba por minar as soluções mais fora da caixa — o tal “stealth social” de te misturares na multidão, de contratar distrações ou de atirar moedas para o chão continuam a ser um trunfo da série, mas agora podemos simplesmente ficar escondidos atrás de uma caixa.

Pelo meio, mais gadgets, mais possibilidades, mais liberdade, mais estratégia e um parkour atualizado…

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Andar por este mundo: parkour e um mapa mais contido

O parkour foi atualizado e, à primeira vista, pode não parecer muito diferente do que te lembras. Mas revisitei o Black Flag original simplesmente para sentir a diferença durante uns minutos e há aqui um punhado de retoques modernos que tornam a coisa claramente melhor. As sequências de parkour passam de um movimento para o outro com muito mais fluidez, mudas de direção bem mais depressa, e as marcações de percurso mais visíveis reduzem a tentativa e erro na hora de saltar de apoio em apoio. E, não esquecer de mencionar que, sendo o mapa gigante, a verdade é que havia demasiado a aparecer no mapa do original. Há muito para se fazer, mas agora o mapa foca-se em mostrar-nos o que é importante e só aprofunda se estivermos perto. Isto ajuda imenso!

 

Vale a pena jogar este remake?

O Black Flag original aguenta-se bem o suficiente para provavelmente não ter sido a minha primeira escolha para um remake. Sim, eu escolhia a trilogia Ezio, sem dúvida! Talvez, até escolhesse o primeiro jogo com Altair… Mas navegar a alto-mar, mandar outros barcos para o fundo, desenterrar segredos antigos e lutar com sabres por todo o lado tem a satisfação que precisamos.  Isto é mais do que um retoque visual: traz os sistemas e as sensibilidades do Black Flag para os padrões de hoje. E sim, mencionar que visualmente o jogo está muito melhor, em tudo!

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O combate, em terra e no mar, está reforçado com truques novos que acrescentam profundidade e clareza à ação toda. A história de topo de Kenway prova que é adorada por bons motivos, e ganha conteúdo extra que aprofunda certos momentos de personagem que mostram a vontade com que este remake foi feito. As missões foram ajustadas e reestruturadas só o suficiente para tirar partido das atualizações (quase sempre acertadas) ao parkour e ao stealth. E mesmo onde tropeça —a inteligência artificial por vezes é muito fraca e o jogo torna-se muito fácil —, nunca parece um passo atrás. Se não jogaste o original e gostas deste estilo ou desta série, este é um jogo a ter. Se jogaste o original e adoraste, então vais gostar ainda mais deste.


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