Temporada final de Bates Motel, em análise

Bates Motel da A&E chegou ao seu final climático na passada segunda-feira. Um final que, embora previsível, encerra um capítulo importante para os fãs do filme de Alfred Hitchcock Psycho.

Fica a cargo do leitor se pretende prosseguir com a leitura e este texto contém SPOILERS.

A 5ª temporada aproxima-se rapidamente da linha narrativa do filme de culto. Com o falecimento de Norma, a insanidade de Norman adensa-se e começa a deixar um desconforto no próprio espectador, que vai assistindo gradualmente ao aumento da mesma. Dylan casou-se com Emma e, do fruto deste amor, nasceu uma adorável menina. Alheio à morte da sua mãe, Dylan vive uma vida feliz. Mas as novidades rapidamente corrompem a sua felicidade. O ex-xerife Romero está na cadeia e a sua sede de vingança por Norman vai-se intensificando. Assim que vê uma oportunidade, o prisioneiro escapa da penitenciária e lança-se numa aventura para um intenso ajuste de contas. Caleb também está de regresso e dá de caras com um cenário aterrorizador. Por fim, Chick entra de rompante na vida de Norman e a sua “amizade” contribui para decisões catastróficas.

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Bates Motel foi inquestionavelmente um ‘underdog’ que passou ao lado das grandes cerimónias de prémios. As personagens de Vera Farmiga e Freddie Highmore assinalam os seus melhores papéis até à data, quer a nível televisivo, quer a nível cinematográfico. A sua ligação é tão poderosa que o espectador não consegue deixar de nutrir um carinho pelos dois e na forma como ambos interagem. Esta relação obsessiva, doentia e, até certo ponto, incestuosa, culmina com desafios morais e dramáticos que ambos os atores conseguiram reproduzir com garra durante as 5 temporadas.

Bates Motel

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A narrativa começa a ganhar um ritmo palpitante assim que vai revelando os diferentes destinos das personagens e, como já seria de esperar, em quase todas as situações o final é sangrento, injusto e insano. Para apimentar ainda mais a psicose do psicopata mais famoso da história do cinema, Carlton Cuse e Kerry Ehrin – os manda-chuvas da série – encontraram o equilíbrio e a ponte perfeita para não ferirem a obra-prima de que Bates Motel é baseada.

Bates Motel

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Rihanna emerge como Marion Crane, a tão famosa vítima de Norman Bates que é assassinada no chuveiro. A escolha da cantora/ atriz pode ser incomodativa para muitos (confesso que eu próprio não sou fã). No entanto, era necessário trazer inclusão para o elenco maioritariamente caucasiano. Crane passa a tornar-se uma personagem afro-americana e o nome de Rihanna é sonante o suficiente para trazer ainda mais audiência aos episódios finais.

No entanto, a cantora safou-se bem para surpresa de todos. A sua presença é curta e os seus momentos são bem doseados com suspense e desconforto. A história que a embala é tão apelativa quanto a do original o que, por si só, é um feito memorável. As constantes aproximações e afastamentos argumentativos são calculados de forma inteligente, conseguindo estabelecer um paralelismo de respeito para com a parte adaptativa do filme. Mesmo sendo uma adaptação, Bates Motel é fresca e um pedacinho de televisão magnífico.

Bates Motel

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Freddie Highmore, agora quase em modo solitário – Vera Farmiga vai aparecendo frequentemente mas não com o mesmo tempo de antena – consegue superar-se de forma incrível. A brilhante equipa de argumentistas ataca com força mas sempre ponderadamente as constantes alternâncias entre Norman e Mother (alcunha dada para distanciar do nome Norma) e articula-as com situações bizarras e anormais que envolvem a personagem. Para um jovem, Highmore eleva-se a um estatuto que o consagra, finalmente, como um dos melhores atores da sua geração. O seu olhar gélido, conflituoso e misterioso espelha a insegurança, a fragilidade e o desequilíbrio de um assassino em série.

Há imensas particularidades que tornam esta temporada de Bates Motel rica e obrigatória para todos os que se tornaram fãs incondicionais de Psycho. Não só está o desenvolvimento da narrativa recheado de momentos de tensão, como o final soa como uma melodia agridoce de despedida. Este é um desfecho que não poderia ter ocorrido de outra forma. É previsível, sim… mas é aquele que é necessário para dar por terminada esta história.

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Este é o conto de Norma e Norman Bates que ficaram juntos até ao fim. Uma fábula de horror mergulhada num caldo de suspense e com pitadas do mestre Hitchcock que, se fosse vivo, certamente iria ficar satisfeito com o resultado.

Podem acompanhar a temporada final de Bates Motel no TVSéries, em Portugal.

TRAILER | BATES MOTEL – TEMPORADA 5

Bates Motel - Temporada Final
Bates Motel

Name: Bates Motel

Description: Prequela do clássico Psycho de Alfred Hitchcock que dá a conhecer como Norman Bates se tornou um psicopata, com base no seu histórico familiar e em particular a relação com a sua mãe Norma.

  • Jorge Lestre - 93
  • Rui Ribeiro - 90
  • Catarina Fernandes - 87
90

CONCLUSÃO

O MELHOR - A temporada final de Bates Motel é um triunfo televisivo que conjuga os melhores elementos do clássico cinematográfico de Alfred Hitchcock e dá-lhe uma sensibilidade moderna. É também uma despedida sentida de personagens que se tornaram icónicas pelos talentos de Vera Farmiga e Freddie Highmore.

O PIOR - Um ou outro momento mais calmo que podia ter tido um bocadinho mais de fogo mas nada que seja relevante.

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