Berlinale 66: Ave, Cinema Português!

 

Oito filmes portugueses vão estar na Berlinale 2016, que se realiza de 11 a 20 de fevereiro. Trata-se da maior representação portuguesa de sempre nos maiores festivais internacionais de cinema. A longa-metragem ‘Cartas da Guerra’, de Ivo M. Ferreira, vai estar na competição oficial como candidato ao Urso de Ouro. ‘Ave, César!’, dos irmãos Coen, abre extra-concurso a festa berlinense do cinema.

 

Cartas de Guerra
‘Cartas da Guerra’, do cineasta portugués Ivo Ferreira.

 

A 66ª Berlinale — Festival Internacional de Cinema de Berlim terá a sua gala de abertura na próxima quinta à noite com a projecção em estreia mundial de Ave, César!, o último filme dos irmãos Ethan e Joel Coen, uma comédia sobre a Idade de Ouro de Hollywood, com um grandioso elenco que vai estar na sua maioria presente na passadeira vermelha da Potsdamer Platz: Channing Tatum, Scarlet Johansson, Tilda Swinton, Frances McDormand, George Clooney, Josh Brolin e Ralph Fiennes. Dieter Kosslick, o director da Berlinale, disse que está encantado de oferecer ao seu público um início de festival marcado pelo humor, personagens únicos e talento narrativo dos Irmãos Coen. Ave, César! vai estar fora da competição oficial, que vai ser analizada por um júri muito diversificado, presidido pela actriz norte-americana Meryl Streep: É uma grande responsabilidade, já que nunca fui presidente de nada antes. Espero estar à altura dos destacados jurados que me antecederam, comentou a actriz após o convite, que em toda a sua já longa carreira, nunca tinha sido sequer jurada num festival. O restante elenco de jurados é composto pelo actor Lars Eidinger, (Alemanha), o crítico Nick James, (Reino Unido), a fotógrafa Brigitte Lacombe, (França), o actor Clive Owen, (Reino Unido), a actriz Alba Rohrwacher, (Itália), e por último a jovem realizadora Małgorzata Szumowska (Polónia).

Berlinale 2016
Meryl Streep, presidente do Júri.

BERLINALE 66: SELECÇÃO OFICIAL

No entanto, na Selecção Oficial, de 23 filmes vão estar 19 estreias mundiais, como Boris sans Béatrice, do canadiano Denis Cote; Genius, do actor e realizador britânico Michael Grandage, com Colin Firth, Jude Law e Nicole Kidman; Alone in Berlin, do suíço Vincent Perez, com Brendan Gleeson, Emma Thompson, Daniel Bruhl; Midnight Special, do norte-americano Jeff Nichols com Michael Shannon, Kirsten Dunst e Sam Shepard e o documentário Zero Days de Alex Gibney, sobre a segurança na Internet, o ciber-crime e a ciber-espionagem. É também neste núcleo de estreias mundiais que é apresentado Cartas da Guerra, do cineasta português Ivo Ferreira, um filme inspirado numa grande obra da literatura portuguesa e passado na Angola colonial, que recupera as memórias do Ultramar do então jovem alferes António Lobo Antunes; e ainda A Dragon Arrives, do iraniano Mani Haghighi, o documentário italiano Fuocoammare, de Gianfranco Rosi, A Lullaby to the Sorrowful Mystery, do filipino Lav Diaz,  Kollektivet, do dinamarquês Thomas Vintenberg (A Caça), são alguns dos títulos e cineastas-autores mais sugestivos e fortes candidatos à disputa dos Ursos. Mas há ainda outros filmes a ter em conta como L’Avenir, da francesa Mia Hansen-Løve, (autora do aclamado Eden), um filme protagonizado por Isabelle Huppert; Quand on a 17 ans, do veterano francês André Téchiné e Mort à Sarajevo, do bósnio Danis Tanovic que ganhou um Óscar em 2002 com No Man’s Land e United States of Love, do polaco Tomasz Wasilewski.

O cinema alemão está representado na Berlinale 2016 com 24 Semanas, de Anne Zohra Berrached, mas há outros títulos interessantes na Selecção Oficial com o chinês The Crosscurrent, de Yang Chao, as estreias internacionais de vários filmes fora de competição como: Chi-Raq, o último filme de Spike Lee; Des Nouvelles de la Planete Mars, de Dominik Moll, (França); Hedi, de Mohamed Ben Attia (Tunísia), Mahana, de Lee Tamahori (Nova-Zelândia); Saint Amour, de Benoit Delepine, com Gerard Depardieu (França); e Soy Nero, de Rafi Pitts (Irão),

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BERLINALE À PORTUGUESA

O cinema português está em grande na Berlinale 2016. Depois das vitórias de Miguel Gomes e João Salaviza, em edições anteriores, os realizadores e filmes portugueses voltam a conquistar Berlim mesmo antes dos prémios e estão representados nas várias secções do festival. Cartas de Guerra, de Ivo M. Ferreira (Águas Mil, 2009), mais uma produção de ‘O Som e a Fúria’ de Luis Urbano, afirma-se logo como um potencial candidato ao Urso de Ouro. Trata-se de um relato da guerra colonial, da violência e saudade, reproduzido através das cartas do alferes-médico com a sua então mulher, Maria José.

Berlinale 2016
As cartas do alferes-médico António Lobo Antunes (Miguel Nunes).

A outra longa-metragem portuguesa intitulada Posto Avançado do Progresso, marca o regresso de Hugo Vieira da Silva — que reside em Viena de Áustria — à Berlinale, depois de Swans (2011). A longa-metragem produzida pela Leopardo Filmes de Paulo Branco, é uma adaptação da novela ‘An Outpost of Progress’, de Joseph Conrad, e conta igualmente uma história colonial, passada no final do século XIX. Além de Posto Avançado do Progresso, os documentários Eldorado XXI, de Salomé Lamas, e Rio Corgo, de Sérgio da Costa e Maya Kosa, foram todos selecionadas para a secção Fórum, considerada a mais experimental e promissora de todo o festival.

Posto Avançado do Progresso
Posto Avançado do Progresso, de Hugo Vieira da Silva.

Depois de em 2013 ter levado Terra de Ninguém à Berlinale 2013, a jovem realizadora Salomé Lamas regressa com Eldorado XXI, um documentário passado a 5500 metros de altitude, nas comunidades mineiras peruanas de La Rinconada y Cerro Lunar, localizada num dos lugares mais altos do mundo. O documentário ficcional Rio Corgo é passado numa aldeia portuguesa e conta a relação entre Silva, um velho e adoentado vagabundo, e a jovem Ana. Ambos os documentários estreiam internacionalmente em Berlim depois de terem participado no Doclisboa 2015, onde Rio Corgo, foi considerado o Melhor Filme da Competição Portuguesa.

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Berlinale 2016
Balada de um Batráquio, de Leonor Teles.

Se as produções portuguesas estão bem representadas nas longas e documentários, o mesmo se pode dizer ao nível das curtas-metragens, com: Balada de um Batráquio, de Leonor Teles, e Freud und Friends, de Gabriel Abrantes, que estão na competição oficial de curtas-metragens (onde esteve João Salaviza), ao passo que L’Oiseau de la Nuit, de Marie Losier, e Transmission from the Liberated Zones, um filme-ensaio de Filipa César, vão integrar a mostra exibida na secção Forum Expanded. Paralelamente ao festival de cinema, entre 13 e 18 de fevereiro, realiza-se também o Berlinale Talents, um encontro anual que reúne 300 criativos da indústria, numa lista onde este ano estarão o produtor português Pedro Fernandes Duarte e os realizadores e argumentistas Inês Oliveira e André Marques. Outro evento agendado para as mesmas datas do festival é o Berlinale Co-Production Market, nos dias 14, 15 e 16 de fevereiro, que contará com a presença de Gonçalo Waddington, ator-realizador, das curtas-metragens Imaculado e Nenhum Nome, que leva consigo o projeto Patrick, na tentativa de encontrar financiamento para a sua primeira longa-metragem.

JVM

 



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