Betty ©HBO Portugal

“Betty” | Entrevista com o elenco da série HBO Portugal

“Betty” está de regresso à HBO Portugal com a sua 2ª temporada! E a MHD teve a oportunidade de conhecer um pouco melhor o seu elenco principal.

A segunda temporada de “Betty” já estreou na HBO Portugal e foi nesse âmbito que a HBO convidou a equipa da Magazine.HD a conhecer um pouco melhor as cinco protagonistas: Nina Moran, Dede Lovelace, Moonbear, Rachelle Vinberg e Ajani Russell.

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“Betty” está de regresso para uma 2ª temporada | © HBO Portugal

“Betty” surgiu do aclamado filme “Skate Kitchen”, de Crystal Moselle, e que estreou já em 2018 no Sundance Film Festival. A versão televisiva, que não é uma continuação do filme mas uma reimaginação daquele mesmo universo, acompanha cinco jovens mulheres nos seus caminhos de auto-descoberta, com o universo do skate como pano de fundo e em plena cidade de Nova Iorque.

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As protagonistas regressam nos seus papéis da primeira temporada (Nina Moran como “Kirt”, Dede Lovelace como “Janay”, Moonbear como “Honeybear”, Rachelle Vinberg como “Camille” e Ajani Russell como “Indigo”) e são ainda acompanhadas por Katerina Tannenbaum (“AJ and the Queen”), Andrew Darnell, Chef Roblé Ali, Rad Pereira (“High Maintenance”), Isabel Palma, Eisa Davis (“The Wire”, Danielle Melendez (“Skate Kitchen”), Aya Aldamin, Florence Pedrosa Blake Mourad, Alexander Cooper (“Skate Kitchen”), Raekwon Haynes (“White Boy Rick”), Moisés Acevedo (“Lembra-te de Mim”), Judah Lang (“Skate Kitchen”), Joe Apollonio (“High Fidelity”) e Sage Ceasar.

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A nova temporada irá levar-nos a uma Nova Iorque em tempos de Covid-19 ©HBO Portugal

Depois de uma primeira temporada em que as protagonistas se procuraram afirmar no circuito de skate, um mundo predominantemente masculino, nestes novos episódios elas irão continuar à procura do seu lugar à medida que continuam a crescer e a tornar-se mulheres. Com a pressão da idade adulta, veremos como encaram os problemas, criam amizades com os colegas rapazes, e até qual o impacto da pandemia na cidade de Nova Iorque e como influenciou as suas actividades ao ar livre, nomeadamente o skate.

Numa conversa descontraída que reuniu as jovens actrizes, a Magazine.HD foi tentar perceber como é que a Covid-19 impactou o desenvolvimento da história da nova temporada, dado que as filmagens foram realizadas durante a pandemia. Para além disso, descobrimos como é que as actrizes se relacionam com as suas próprias personagens e qual a sua influência directa na evolução das mesmas. Afinal de contas, nenhuma era actriz antes de “Skate Kitchen“, e já afirmaram por várias vezes que têm muito delas nas próprias personagens.

Fica aqui com uma parte da nossa conversa com o elenco, e desde já, obrigado à HBO por nos ter proporcionado esta oportunidade!

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De que modo é que as vossas personagens cresceram da primeira temporada para a segunda?

AR: Indigo cresceu muito depressa para a segunda temporada. Ela foi colocada em várias situações de stress onde teve de aprender a ser flexível, ou aprender como ser flexível e engenhosa, de modo a perceber como é que as coisas poderiam funcionar para ela. Mas sinto que isso também colocou um entrave nas suas relações de amizade, e ela teve de saber como lidar com essas situações e perceber o que significava para ela… e em que ponto estariam os seus valores.

RV: Na primeira temporada a Camille importa-se muito com o que as pessoas pensam dela, procurando sempre que as pessoas gostem dele e procurando a aprovação daqueles que ela idolatra e coloca num pedestal. Na segunda temporada ela “cresce um pouco disso”, e entende que tem de se preocupar com aqueles que se preocupam com ela, e não com a sua imagem ou em criar uma persona que ela não é.

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Rachelle Vinberg acredita que Camille cresce muito entre temporadas ©HBO Portugal

E sabemos que a primeira temporada foi muito baseada na vossa vida. Quanto é que ainda existe de vocês nesta nova temporada?

DL: Ainda há muita inspiração do grupo nesta nova temporada mas certamente que há mais para além disso. Eles [equipa de argumentistas] quiserem criar uma storyline mais afastada daquilo que realmente somos. Há alguma influência mas sem dúvida que os argumentistas levaram as ideias deles para criar uma storyline e uma maior interação. Por isso é um pouco dos dois.

E em que medida estiveram envolvidas na criação da nova temporada?

KA: Bem, da minha experiência eu sempre fui ter com os argumentistas e falei sobre o que estava a acontecer comigo e que tipo de coisas eu diria e faria. E de como é que alguém no mundo do skate iria reagir, dando-lhes feedback dessa experiência.

DL: Nós continuamos a dar [feedback] das nossas experiências e eles escolhem o que querem. Porque no final do dia são eles que acabam por escolher que histórias querer incorporar e que elementos querem adicionar. Mas continuamos a dar-lhes feedback do que está mais dentro desse mundo ou não.

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Nina Moran e Dede Lovelace © HBO Portugal

Na 2ª temporada as vossas personagens têm de ultrapassar vários desafios. Há alguma coisa que tenham aprendido das vossas personagens?

AR: Paciência! Muita paciência por estarmos a filmar durante a pandemia… ahh e flexibilidade. Eu aprendi, bem aprendi um pouco antes e com base na storyline da minha personagem (Indigo), que não ter tolerância para algo não é para mim. Já não consigo ultrapassar isso, especialmente com skate e sessões fotográficas – eu não sou modelo e cada vez mais me quero sentir confortável a fazer as coisas.

Falou-se no desenvolvimento das vossas personagens nesta segunda temporada… mas como é que vocês sentem que evoluíram como actrizes entre as temporadas?

AR: Ser mais flexível e saber como mudar de postura e humor entre cenas. Descobri que actuo melhor quando simplesmente o faço. Sei que parece uma parvoíce porque às vezes fico a batalhar no ‘como é que vou fazer isto?’ e isso é o que me impede de fazer algo. Agora simplesmente faço!

RV: Não ter expectativas. E saber que o que nos pedem é o que vamos fazer e fazer.

Vocês têm algum tipo de input nos efeitos visuais da série, nomeadamente nas cenas com truques de skate?

AR: A parte do skate é filmada pelo Joey, que também pratica skate. Com uma câmara mesmo grande.

RV: Sim, e nós temos às vezes tempo “um a um” para perceber como é que podemos treinar e como é que queremos que as imagens saiam, e que truques iremos querer usar. E damos sempre a nossa opinião do que poderá resultar.

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A 2ª temporada irá continuar a focar-se no mundo do skate | ©HBO Portugal

Como é que o feminismo mudou o mundo do skate?

RV: Oh é um lugar muito melhor, para rapazes também. No passado era associado a ser-se duro, punk, super masculino, com bebida e serem gozões. Agora não é fixe nem engraçado gozar com as pessoas. Agora os skateboarders fazem piadas sobre aqueles que fazem piadas dos outros.

AR: O mundo do skate é um refúgio para muitas pessoas. Para os seus problemas diários, a sua vida. E a comunidade do universo do skate é muito inclusiva e nós estamos apenas a tentar estar ao nível dessa inclusividade.

As filmagens da 2ª temporada decorreram durante a pandemia. Como é que foi?

RV: Foi interessante. A cidade de Nova Iorque tinha acabado de ser fechada e ficou ainda pior quando começámos a filmar; os números estavam a subir. Tivemos de ser extremamente cuidadosos e havia testes todos os dias, especialmente aos miúdos que vinham fazer de figurantes. Estávamos sempre a perguntar-nos onde é que todos tinham estado. Mas até foi fixe porque pudemos fazer skate com os amigos em vez de estarmos sozinhas.

AR: Quando começámos a filmar foi quando estive próxima de tantas pessoas ao fim de tantos meses. Foi um pouco assustador mas bom ao mesmo tempo poder falar cara a cara com alguém e interagir durante as filmagens. No entanto stressante e até isolador, porque não queríamos apanhar covid ou infectar ninguém.

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©HBO Portugal

Na vossa opinião, a incorporação da Covid-19 na série influenciou muito a storyline?

RV: Sim, a Covid fez com que os parques de skate ficassem fechados e obrigou as pessoas a explorar outros locais para praticar, como as ruas, criando por isso novos espaços seguros (safe heavens).

A primeira temporada foi muito recebida (e esperamos que assim o seja também em termos da segunda). O que é que este sucesso significa para vocês? E estavam à espera que a série chegasse a tanta gente?

RV: Eu penso que é por ser real. Estamos apenas a ser nós próprias e as pessoas conseguem relacionar-se. E não estamos a tentar forçar uma mensagem, estamos a ser autênticas.

AR: Isto (a série, “Betty”) é algo importante para nós. Sentimos que é uma conversa e uma perspectiva que não foi partilhada antes. O nosso objectivo é representar pessoas que não são bem representadas. Mulheres de cor, que andam no mundo do skate, mulheres queer… todas essas perspectivas e visões de vida diferentes.

Dada a storyline que nos apresentam na segunda temporada, pensam que há espaço para outra temporada no futuro?

Todas: Definitivamente que sim, há espaço para outra temporada.

Bem, a resposta por parte do elenco parece promissora. Mas resta aguardar para saber o que o futuro reserva para as “Betty” da HBO Portugal!

TRAILER | BETTY ESTÁ DISPONÍVEL NA HBO PORTUGAL

Já tiveste oportunidade de ver esta série HBO?

Marta Kong Nunes

Fanática de cinema e séries por pura paixão, sou da geração Disney mas também das Tartarugas Ninjas, Motoratos e afins. Já passei pela obsessão de vários géneros de cinema e apesar de me considerar eclética, nada me tira o gozo de um bom filme de acção (por muito irrealista que seja). Séries também se devoram por cá, mas a magia de um filme, será sempre a magia de um filme!

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