Big Shot | © Disney+

Big Shot, primeiras impressões do novo original Disney+

“Big Shot” leva-nos ao cliché de séries de desporto, com um jovem elenco e John Stamos como protagonista. Será que cai no esquecimento ou se destaca?

Uma série original Disney+, “Big Shot” (“Lance Livre”) remete-nos para os tempos da Disney onde as séries e os filmes originais eram para jovens mas tinham um tom mais maduro. A ideia por detrás da sinopse não é totalmente original, mas não deixa de ser apelativa, relatable em alguns pontos e até interessante de ver como é se decide fazer esta nova abordagem na sociedade de hoje.

Pela sinopse oficial, “Big Shot” acompanha o Treinador Korn (John Stamos), conhecido pelos seus impulsos e ‘ataques’ dentro do campo enquanto treinador de basquetebol na NCAA. À procura de redenção, o mesmo aceita um trabalho de treinador numa escola de elite privada. Mas o caminho não será fácil, e a adaptação também não, já que é uma escola e equipa de apenas jovens raparigas.

John Stamos
Korn tem uma 2ª chance na carreira ao tornar-se treinador das Sirens | © Disney+

A propósito da sua estreia (o primeiro episódio ficou disponível na plataforma da Disney+ no passado dia 16 de abril), a Magazine.HD foi convidada para ver os primeiros episódios, e não poderíamos deixar de vos contar as nossas ‘impressões’ do novo original.

Não há spoilers, só mesmo uma análise às primeiras ideias e temas dos episódios de Big Shot!

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Primeiro é importante contextualizar que a Disney não é estranha a este fenómeno de séries e filmes que se focam no mundo do desporto, em particular com equipas de crianças e adolescentes. Afinal de contas, “Big Shot” estreia meras semanas após “A Hora dos Campeões: Uma Nova Era“, a série inspirada na famosa saga de “The Mighty Ducks”, que nos levava até aos ringues de hóquei no gelo. Posto isto, também não é estranho que as histórias se centrem em equipas que estão em baixo e que precisam de um impulso e de uma mudança de atitude para serem efectivamente vencedoras no campo, qualquer que seja o desporto.

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E o novo original não é diferente… mas ao mesmo tempo até pode ser. Porquê? Porque tem em si algo que decidimos chamar ‘coração’. Tem uma linha condutora que permite fazer com que exista uma maior ligação com as personagens e, verdade seja dita, tem em John Stamos o grande protagonista da história. E sim, das jovens actrizes que fazem parte do elenco não temos nada a apontar em termos de representação até ao momento, mas Stamos tem em si um carisma que nos faz querer perdoar incongruências que possamos encontrar ao longo da narrativa. E é uma das razões para nos manter interessados em ver mais episódios.

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O primeiro teste a “Big Shot”, na nossa opinião, seria sempre a abordagem à relação entre o Treinador Korn e a sua equipa, exclusivamente de raparigas. E até ao momento, ainda que com alguns cringeworthy moments, vai passando nas expectativas ; Korn é apresentado como um profissional implacável, que vive e respira basquetebol, e que aparenta ser incapaz de uma relação humana normal sem que faça uma metáfora para o campo de basquetebol; e tal nota-se até na relação que tem com a filha, Emma (Sophia Mitri Schloss). Mas a verdade é que, ainda que seja pelo seu modo, começamos a ver mais de Korn à medida que ele se aproxima da equipa; ele vai atrás das frustações das alunas, tenta entrar na cabeça delas, e desse modo descobrir como chegar até elas.

Big Shot
Um dos pontos altos da relação de Korn com a equipa são os momentos de incentivo à equipa, os discursos de treino ou durante os jogos | © Disney+

Já o segundo teste, diríamos nós, é como que a série iria abordar os considerados “temas tabus” mas que têm tido tanto palco nas séries juvenis – possam eles estar bem ou mal escritos verdade seja dita. E “Big Shot” lá vai tocando nalguns pontos sensíveis de vez em quando. Desde o fat shaming, ainda que apareça desculpado como uma inabilidade do próprio Korn em ser ‘humano’ quase, até às relações lésbicas e à pressão de se ser sempre o melhor e o impacto que isso tem nas relações familiares, a série parece conseguir estar no bom caminho para estes temas. E tudo irá depender claro da progressão da história das personagens.

Podemos realmente dizer que “Big Shot” tem pernas para andar, ainda que o perfil de Marvyn Korn não seja o mais simpático. Afinal de contas, e tal como Holly (Jessalyn Gilsig), a treinadora adjunta de Korn na nova escola privada de elite, aponta a Korn, ele não é famoso, é infame (“You’re not famous. You’re infame” é a citação original). E como seria de esperar, essa nota irá acompanhar certamente a personagem ao longo de toda a narrativa.

Big Shot
John Stamos pode ser o coração da série, mas Jessalyn Gilsig, enquanto Holly, é a guia de Marvyn Korn | © Disney+

Não é uma grande série no sentido de ter uma ideia original e disruptiva, não é um conceito inovador, mas parece um conceito vencedor, não estivesse também David E. Kelley (“Big Little Lies”) envolvido na série. “Big Shot” ganha pela empatia que estabelece com a audiência, e pelo charme de John Stamos. A própria introdução de personagens adultas como a de Yvette Nicole Brown, a directora da escola, faz-se em muito pela química e sinergia que cria com Stamos. E é sempre refrescante ver uma série a apresentar um novo grupo de actrizes que se mostram empenhadas na história e que vão mostrando o seu talento à medida que cada episódio avança.

Big Shot

Movie title: Big Shot (Lance Livre)

Movie description: Um famoso treinador de basquetebol universitário caído em desgraça, Marvyn Korn, tem uma mudança inesperada de circunstâncias que o leva a aceitar um trabalho como treinador numa escola secundária de elite, ao mesmo tempo que tenta construir uma relação com a sua filha.

Date published: 16 de April de 2021

Country: EUA

Director(s): David E. Kelley, Dean Lorey

Actor(s): John Stamos, Jessalyn Gilsig, Yvette Nicole Brown, Tisha Custodio, Monique A. Green, Sophia Mitri Schloss, Cricket Wampler, Darcy Rose Byrnes, Dale Whibley

Genre: Drama, Comédia

  • Marta Kong Nunes - 75
75

CONCLUSÃO

“Big Shot” é uma série que apela ao coração, que apela ao público juvenil por mostrar as lutas da idade, e ao público adulto por fazer acreditar que a mudança do ‘estar’ é sempre possível.

Pros

  • O regresso destas séries juvenis à Disney, e que trazem consigo um lado mais maduro;
  • A introdução de vários temas actuais sem fazer deles o tema central ou de modo a que sejam momentos mal escritos.

Cons

  • A ideia por detrás da história não é original (apesar de compensar no ‘coração’);
  • Poderá não haver espaço para ser uma série com continuação, o tema esgota-se.
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Marta Kong Nunes

Arquitecta (com um c!) de formação. Coordenadora de profissão. Fanática de cinema e séries por pura paixão.

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