Cannes 2017 | Façam as vossa apostas para a Selecção Oficial!

Falta menos de uma semana — quinta, 13, ao final da manhã — para o anúncio da Selecção Oficial do Festival de Cannes 2017. Apesar de um excepcional mistério à volta dos filmes que vão ser selecionados para esta edição 70 do maior festival do mundo, podem começar a fazer as vossas apostas, pois apresentamos aqui já algumas pistas sobre a sempre excepcional programação.

Festival de Cannes 2017
Thierry Fremaux, o Director Artístico do Festival de Cannes.

Falta menos de uma semana para a conferência de imprensa em que o sempre muito afável e comunicativo Thierry Frémaux, director artístico do Festival de Cannes, irá revelar em Paris, a selecção oficial do 70º Festival de Cannes, festival este que se realizará de 17­ a 28 de Maio. Este ano, talvez, e em primeiro lugar para criar mais impacto nas comemorações do 70 anos de Festival, há muitos rumores, mas poucas certezas sobre quem irá integrar a selecção oficial e sobretudo sobre os filmes em competição, que vão ser avaliados por um júri presidido pelo cineasta espanhol Pedro Almodóvar.

pedro almodovar Festival de Cannes 2017

Se o impacto mediático é sempre fundamental, há de facto este ano várias causas para tanto mistério: por um lado a necessidade dos programadores imporem cada vez mais face a uma certa disputa na indústria, a necessidade do segredo e de evitar qualquer fuga de informação; por outro porque alguns cineastas-autores sempre habitués de Cannes, potenciais candidatos à Palma de Ouro 2017, estão a fazer uma verdadeira corrida para finalizarem os seus últimos filmes, a tempo de entrarem no maior festival de cinema do mundo e aquele que mais dá garantias de difusão internacional.

Estas incertezas têm igualmente os seus efeitos sobre as importantes secções paralelas da Quinzena dos Realizadores e Semana da Crítica, pois  estas dependem muito das decisões finais de Thierry Frémaux e da sua equipa, relativamente às suas respectivas programações: ficam muitas vezes com o que é rejeitado, o que nada tem a ver com a sua qualidade, mas antes, com um simples critério de programação da mais importante selecção oficial.

Relevante é também o facto de os organizadores do Festival de Cannes, terem adiantado este ano uma semana a própria conferência de imprensa, que costuma ser cerca de um mês antes das datas do início do evento, para evitarem uma inevitável saturação mediática, provocada pela primeira volta das eleições presidenciais francesas, a 23 de abril.   

Abdellatif Kechiche Festival de Cannes 2017

Digamos que neste momento os principais rumores relativamente à selecção oficial, dizem mais respeito ao anúncio antecipado de exclusões ou ausências assumidas. Por exemplo, o cineasta franco-tunisino Abdellatif Kechiche (Palma de Ouro 2013, com A Vida de Adèle) revelou na imprensa francesa que o seu novo filme Mektoub is Mektoub não vai estrear este ano na Croisette, porque o projecto será um díptico (dois filmes intitulados Les dés sont jetés e Pray for Jack), circunstância que implicaria certas questões contratuais complicadas. Ainda mais, porque o cineasta afirmou estar falido e que mesmo o assim vai avançar depois do tal díptico, para mais dois filmes: um road movie intitulado L’Agneau de Dieu e Soeur Marguerite, inspirado na vida de uma religiosa-poetisa condenada à fogueira no século XIV. Algumas notícias, apontavam ainda para que dois filmes produzidos pela Netflix, teriam possibilidades de integrar a selecção oficial: Okja, do coreano Bong Joon­ho, e War Machine, do australiano David Michôd, mas parece que isto não se vai concretizar.

Festival de Cannes 2017
O cartaz oficial de Cannes 70.

No entanto, é bem possível que estreiem na Croisette filmes muito aguardados como Happy End, do austríaco Michael Haneke, Loveless, do russo Andreï Zviaguintsev, D’après une histoire vraie, do polaco Roman Polanski, A Gentle Creature, do ucraniano Sergeï Loznitsa, The Seduction, da norte-americana Sofia Coppola, Wonderstruck, do seu compatriota Todd Haynes, The Killing of a Sacred Deer, do grego Yorgos Lanthimos,The Square, do sueco Ruben Ostlund, Thelma, do norueguês Joachim Trier, Superfluous Man, do húngaro Kornel Mundruczo, e Le Fidèle, do belga Michael R. Roskam. E ainda entre os realizadores asiáticos, poderão estar os novos filmes de Naomi Kawase, Hong Sang­soo, além de uma jovem representação latino-americana com as novas obras de realizadores Diego Lerman, Santiago Mitre, Michel Franco. Apesar do grande mistério tudo aponta para uma surpreendente possibilidade da presença na competição — uma ausência antes sempre muito criticada — de filmes da autoria de várias mulheres-cineastas como Haifaa al­Mansour, Lisa Langseth, Clio Barnard, Urszula Antoniak, Barbara Albert ou Malgorzata Szumowska.

Quanto aos franceses depois de anunciada a ausência do vencedor da Palma de Ouro 2013, Abdellatif Kechiche, os principais candidatos da casa a estarem presentes na competição são:  L’Atelier, de Laurent Cantet, Les Fantômes d’Ismaël, de Arnaud Desplechin, Les Gardiennes, de Xavier Beauvois, e Rodin, de Jacques Doillon. Além destes habitués de Cannes destacam-se ainda outros candidatos mais alternativos à selecção: 120 battements par minute, de Robin Campillo, Des lunettes noires, de Claire Denis, e La Douleur, de Emmanuel Finkiel. Le Redoutable, de Michel Hazanavicius, (Óscar de Melhor Filme e Melhor Realizador entre outros com O Artista) é um daqueles que está em pós-produção e por isso em dúvida, inclusive para a possibilidade de ser o filme de abertura.

Festival de Cannes 2017
O cartaz da Quinzena dos Realizadores 2017.

Em qualquer caso vai ser certamente uma selecção oficial muito forte, incluindo a secção Un Certain Regard, sempre aberta a novas linguagens e experiências cinematográficas. Sem sermos demasiado específicos e corrermos o risco de falhar, é possível que entrem também uma série de documentários: Visages, villages, de Agnès Varda e JR, Le vénérable W., de Barbet Schroeder, e Nothingwood, de Sonia Kronlund. Também são esperados, pelo menos uma longa metragem italiana — o cinema italiano, à excepção de Paolo Sorrentino, tem andado um pouco afastado de Cannes — nas secções paralelas; outros filmes passíveis ainda de integrarem a selecção oficial podem ser: Valley of Shadows, do norueguês Jonas Matzow Gulbrandsen, e, do lado francês, são candidatos filmes como: Madame Hyde, de Serge Bozon, K.O., de Fabrice Gobert, Espèces menacées, de Gilles Bourdos, e Ava, de Léa Mysius.

Festival de Cannes 2017
O cartaz da Semana da Crítica 2017.

Quanto aos filmes portugueses não há grandes novidade. Ao contrário da Berlinale, o Festival de Cannes, não costuma ter tanto apego pelo cinema português, pelo menos no que diz respeito às competições principais. No entanto, vários filmes portugueses entre curtas e longas-metragens que foram apresentados ao comité de selecção. Num bom momento de produção, prémios e reconhecimento internacional do cinema português é natural que venham daí boas surpresas, relativamente à presença portuguesa na selecção oficial 2017.

As dúvidas, incertezas e prognósticos serão dissipados a 13 de abril, para a Selecção Oficial, a 24 para a Semana da Crítica e a 25 para a Quinzena dos Realizadores.

JVM


 

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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