10 realizadores revelam segredos de famosas cenas de sexo (III)

Duas realizadoras revelam os segredos e truques por detrás das filmagens de duas escaldantes cenas de ménage à trois, onde o erotismo do sexo não foi proridade.

 


<< Parte II  |  Parte IV >>


 

Filmar uma ménage à trois é um processo muito mais complicado, aborrecido e irritante do que poderá parecer a uma primeira análise. Junte-se a isso duas realizadoras com complexos guiões cheios de personagens multifacetadas e temos a perfeita receita para duas divertidas histórias sobre as dificuldades de filmar tórridas cenas de sexo para filmes monumentalmente diferentes. Um deles é uma sátira sobre o narcisismo masculino levado à psicopatia e o outro um retrato realista da rebeldia adolescente de uma rapariga de treze anos.

 

 

american psycho cenas de sexo

AMERICAN PSYCHO (2000), Mary Harron

Para se prepararem para as filmagens de uma ménage à trois entre o narcisista psicopata Patrick Bateman e duas prostitutas, a realizadora Mary Harron e o ator Christian Bale tentaram pôr-se no lugar da insana personagem e estudaram pornografia dos anos 80 como ponto de referência. No entanto, não foi de vídeos pornográficos, mas sim do espaço de ensaios, que Harron tirou momento mais marcante desta cena, quando, por entre um discurso sobre os méritos de Phil Collins, Bateman se mostra obcecado com o seu próprio reflexo num espelho. A cena é tão complexa que a realizadora chegou a levar cassetes para casa, de modo a acompanhar o progresso da montagem e efeitos visuais. Um dia, chegou mesmo a misturar as filmagens de American Psycho com os desenhos animados dos seus filhos mas conseguiu corrigir o erro antes de os traumatizar.

Lê Ainda: Christian Bale, o camaleão de Hollywood

 

treze cenas de sexo

TREZE – INOCÊNCIA PERDIDA (2003), Catherine Hardwicke

Se filmar uma cena de sexo já é bastante difícil, filmar uma ménage à trois entre raparigas menores e um homem adulto é triplamente desafiante. Em Treze, quando a protagonista (Evan Rachel Wood com apenas 14 anos) e sua melhor amiga têm um encontro sexual com um vizinho, foi o ator Kip Pardue que se apresentou mais desconfortável e apenas se começou a sentir à vontade depois de vários ensaios vestidos. Quando chegou a altura de filmar, o plateau teve de ser obrigatoriamente supervisionado pelos pais das menores, assim como por uma supervisora profissional. A meio de um complicado plano, em que a câmara girava à volta do cenário e Hardwick ia dando constantes indicações aos atores (uma trademark curiosa), a supervisora estava a acompanhar as filmagens através de um monitor quando, repentinamente, começou a gritar “Parem! Corta! Violação dos mamilos!”. Legalmente, para se filmarem cenas assim, as menores nunca podem aproximar-se em demasia da zona dos mamilos masculinos.

Lê Também: Evan Rachel Wood insurge-se contra censura

 


<< Parte II  |  Parte IV >>


 

Já se falou aqui de sexo como choque, como ferramenta para o retrato realista e desenvolvimento de personagem. Na próxima página poderás encontrar algo que é cada vez mais comum no cinema de Hollywood: o sexo enquanto comédia.

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

Cláudio Alves has 1577 posts and counting. See all posts by Cláudio Alves

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.