10 realizadores revelam segredos de famosas cenas de sexo (II)

Filmar cenas de sexo realistas é bastante difícil, como se pode comprovar pelas experiências do realizador que filmou a primeira vez que Daniel Radcliffe apareceu nu em câmara.

 


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Na primeira parte deste artigo, falou-se de dois realizadores que procuravam o choque lúrido e lascivo com as suas representações de sexo no grande ecrã. Nesta segunda página, temos dois exemplos de cineastas cujas intenções são diametralmente opostas, procurando o realismo, tanto físico como emocional, nas cenas de sexo dos seus filmes. A complicar a questão vem o modo como, em ambos estes casos, se exploram setores marginalizados da sociedade, quer por questões raciais ou sexuais, que muitas vezes são automaticamente mostrados como assexuais pelo cinema mainstream.

 

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LOVE & BASKETBALL (2000), Gina Prince-Bythewood

Para Gina Prince-Bythewood, autenticidade foi o objetivo principal da cena em que os protagonistas adolescentes de Love & Basketball consumam o seu romance. Com essa ideia em mente, a cineasta procurou enfatizar não só a experiência de relativo desconforto, prazer e trepidação da jovem que está a perder a sua virgindade, como o desenvolvimento e ternura emocional do seu parceiro. Num rasgo de cruel ignorância artística, um dos produtores do filme exigiu que se fizessem alterações à cena pois, para ele, não era divertida ou excitante o suficiente. Ignorando essa diretiva, ela manteve a sua ideia original e, no final, viu o filme receber uma restritiva classificação R (maiores de 16 anos) em parte porque, segundo o MPAA, a cena era demasiado realista.

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KILL YOUR DARLINGS (2013), John Krokidas

Para tentar evitar a estigmatização usualmente associada ao sexo homossexual no cinema, o realizador John Krokidas estava empenhado em criar uma viagem emocional no modo como, aquando da perda sua virgindade, Allen Ginsberg passa do nervoso miúdo à plenitude erótica. Para isso, tentou ensaiar ao máximo a coreografia e enquadramentos, chegando mesmo a representar as posições sexuais com a ajuda da diretora de fotografia de Kill Your Darlings – um momento que nenhum dos dois vai tão cedo esquecer. Apesar disso, Krokindas não queria matar a espontaneidade mas viu aí um problema – é que este era o primeiro papel em que Daniel Radcliffe iria aparecer nu em frente às câmaras pós-Harry Potter. Felizmente, o ator habituado a nudez integral nos palcos da Broadway, não teve pudor e, para grande alívio do realizador, esclareceu que, com a sua mãe judia, ele, tal como Ginsberg, é circuncidado, não sendo assim precisas quaisquer caras correções digitais.

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Na próxima página poderás encontrar dois exemplos bem diferentes de como dois realizadores enfrentaram o desafio de filmar uma ménage à trois. Não percas!

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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