Michael Baker / ©A.M.P.A.S.

O novo filme de Christopher Nolan é um enorme sucesso nas bilheteiras mundiais, mas também entre as audiências. No entanto, “A Odisseia” parece não estar a agradar a todos, principalmente os crónicos online e, acima de tudo, a tradutora do épico de Homero.

A história e mitologia da Grécia Antiga sobreviveram ao passar dos éculos através do clássico poema de Homero comporto por 8 capítulos escritos em grego homérico. Atualmente, apenas dois destes capítulos permanecem em existência, “Ilíada” e “A Odisseia”.

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O conto histórico passou de boca em boca ao longo de várias gerações, mas só viria a ser composto durante o século VIII a. C. Agora, mais de dois milénios depois, a obra de Homero continua a ser alvo de debate, com tradições e interpretações distintas.

Uma das figuras mais proeminentes na exploração dos épicos de Homero é Emily Wilson, responsável por traduzir “A Odisseia” em 2017.

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Quem é Emily Wilson?

Professora de Estudos Clássicos na Universidade da Pensilvânia, Emily Wilson tornou-se na primeira mulher a traduzir um dos clássicos poemas de Homero. Além disso, Wilson viria a revolucionar a interpretação do poema, com muitos historiadores a apelidar a sua tradução como a mais fiel até agora.

Assim, o trabalho de Wilson na tradução de “A Odisseia” (2017) e “Ilíada” (2023) ganhou destaque ao manter a métrica rítmica do original, bem como na eliminação de conceitos modernos introduzidos em traduções anteriores.

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O que diz Emily Wilson sobre A Odisseia de Christopher Nolan?

Com a estreia de “A Odisseia” nos cinemas, Emily Wilson já teve oportunidade de assistir ao filme de Christopher Nolan e não teve papas na língua. A tradutora demonstra apreciação por vários elementos da produção, mas acaba por criticar a interpretação de Nolan.

“A versão cinematográfica de ação de Christopher Nolan, da antiga obra grega de Homero, é uma forma divertida de se proteger do calor durante algumas horas”, refere a professora de 55 anos. “Os saltos e reviravoltas característicos de Nolan na estrutura narrativa são relativamente fáceis de acompanhar e apropriados para a Odisseia, uma narrativa de contos dentro de contos”, continuou.

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“Os meus filhos adolescentes divertiram-se bastante. Ao contrário de alguns outros filmes de Nolan, ‘A Odisseia’ não é aborrecida, graças ao material original, que é impossível de estragar completamente”, informa.

Quais os problemas de A Odisseia para Emily Wilson?

A Odisseia
© Cinemundo

Apesar disso, para Wilson os problemas surgem na hora de construir as personagens e as suas motivações. “O Odisseu de Damon não é complicado, nem astuto, nem artístico”, refere a autora. “A representação de Odisseu como um senhor da guerra relutante contradiz o mundo imaginado pelo filme. Não nos é mostrado que a guerra ou o ato de matar sejam maus, apenas que os homens de bem se sentem, por vezes, mal por isso — um ponto de vista bem diferente”.

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Por fim, Wilson refere ainda que “Muitos dos valores implícitos do filme contradizem diretamente os do poema de Homero. O engano, o belicismo, o sexo extraconjugal, a crueldade contra os animais, o abuso de mulheres e o anseio por honra — tudo perfeitamente aceitável no mundo de Homero — são, nesta versão, muito maus. Isto não seria um problema em si, mas torna-se um problema se os valores e a visão do filme não forem coerentes e se as motivações das personagens não fizerem sentido nos seus próprios termos”.

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Qual a importância da opinião de Emily Wilson sobre A Odisseia?

Além de ser uma das tradutoras mais famosas e respeitadas a trabalhar na obra de Homero, Emily Wilson é também, segundo Christopher Nolan, a sua inspiração para o novo filme. Durante a promoção de “A Odisseia”, Nolan tem referido que a tradução de Wilson serviu de base para a sua adaptação.

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Sobre isto, a tradutora afirma: “Como se costuma dizer nas cerimónias de entrega de prémios, fiquei honrada ao saber que Nolan leu pelo menos o primeiro verso da minha tradução d’A Odisseia para pentâmetro jâmbico. Em pelo menos uma entrevista, citou a minha versão do primeiro verso do poema: ‘Fala-me de um homem complexo’. Mas teria vergonha de ter escrito qualquer parte deste guião”.


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