Classic Fever | A Hard Day’s Night (1964)

Os quatro Cabeleiras do Após-Calipso podem não vos dizer grande coisa… mas se falarmos em A Hard Day’s Night é fácil enquadrá-lo como um dos mais importantes movimentos musicais no Cinema.

Apesar dos mais de 50 anos de idade, A Hard Day’s Night nunca se sente simplesmente como uma viagem nostálgica no tempo, mas permanece como um testemunho fiel do magnetismo irresistível da revolução que os Beatles instalaram na música moderna.

 

O QUE É QUE VOU RELEMBRAR HOJE?

A Hard Day’s Night (1964), também conhecido pelo relativamente infeliz título português Os quatro Cabeleiras do Após-Calipso, realizado por Richard Lester e protagonizado por Paul McCartney, Ringo Starr, George Harrison e John Lennon.

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MAS AFINAL DO QUE É QUE TRATA?

O relato de um dia e meio na vida dos Quatro Fabulosos, Os Beatles – a banda de rock ‘n’ roll mais famosa do planeta – à medida que viajam da “sua” Liverpool até Londres para fazer uma performance na televisão. Contudo, a jornada não está facilitada – pelo caminho têm de lidar com fãs loucos, entrevistas intermináveis e um manager controlador enquanto ainda têm de salvar o peculiar avô de Paul de uma série de peripécias e encontrar Ringo que, meia hora antes do espetáculo, continua desaparecido.

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PORQUE É QUE NÃO POSSO PERDER?

Essencial e revolucionário, houve quem lhe chamasse “o Citizen Kane dos musicais jukebox” tal o sem enquadramento vanguardista que ditou movimentos musicais, artifícios cinematográficos e mudanças culturais.

Em 1984 a MTV celebrou o realizador Richard Lester entregando-lhe o prémio do “Pai do Videoclipe”, uma distinção nada inocente e que deve tudo à sua gloriosa colaboração com os Beatles. De facto, A Hard Day’s Night foi absolutamente inovador ao combinar música com conteúdo vídeo, estruturando aqueles que foram possivelmente, os primeiros videoclipes da história musical. Para a própria indústria, A Hard Day’s Night foi, estilisticamente, uma obra de cariz essencial, porque ao combinar influências da Nouvelle Vague francesa (algo que admitidamente não era novo) conseguiu conferir-lhes uma palpabilidade mainstream tornando-as acessíveis.

Desde o primeiro e inconfundível acorde que dá cor à corrida desenfreada dos Fab Four em fuga de uma avalanche de histerismo fanático, A Hard Day’s Night é democraticamente considerado o melhor filme dos Beatles – e o favorito da banda – cimentando definitivamente o seu estatuto de superestrelas mediáticas. Com a Beatlemania a todo o vapor em pano de fundo, a premissa sugere que nos juntemos a George, John, Paul e Ringo num dos seus mais típicos dias de celebridade, tentando cumprir os seus compromissos profissionais enquanto se esquivam a vastidões de fãs descontrolados. A banda sonora, pejada de intemporais glórias pop, inclui 13 inolvidáveis originais. Realizado por Richard Lester, A Hard Day’s Night surge como um dos primordiais exemplares que honram o humor absurdista da banda, uma farsa ao estilo dos irmãos Marx, e um “falso documentário” que definiu eximiamente uma era artística. Como produto cinematográfico, A Hard Day’s Night alimenta o fenómeno, mantendo-se tão fresco, vital, jovem e divertido como quando foi lançado, e exibindo num peito cheio de orgulho e alma o magnetismo irresistível da revolução que os Beatles instalaram na música moderna.

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UMA FRASE PARA A POSTERIDADE

I now declare this bridge open!

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PARA FICAR NO OLHO E NO OUVIDO (DA MENTE)

 

Catarina Oliveira

Licenciada em Ciências da Comunicação e com formação complementar em Design Gráfico, além de editora e diretora criativa da MHD é também uma das sócias fundadoras da mais recente face da empresa. Colaboradora de Cinema na Vogue Portugal. Gestora de conteúdo na Lava Surf Culture e NOS Empresas - Criar uma Empresa. Autora do blog de Cinema Close-Up.

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