Classic Fever | Psycho (1960)

 

Psycho não só é considerado um dos melhores filmes de terror de sempre como também um dos pais do sub-género slasher.

 

O QUE É QUE VOU RELEMBRAR HOJE?

“Psycho” (1960), de Alfred Hitchcock e protagonizado por Anthony Perkins, Janet Leigh e Vera Miles.

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MAS AFINAL DO QUE É QUE TRATA?

Marion Crane e Sam Loomis são amantes mas não podem casar-se por falta de dinheiro. Um dia o patrão de Marion encarrega-a de depositar no banco 400 mil dólares que acabara de receber dum cliente. Marion vê assim a possibilidade de resolver os seus problemas financeiros, decidindo fugir com o dinheiro, mas, e em virtude do mau tempo, é forçada a parar num motel no caminho. O estabelecimento é administrado por um indivíduo atencioso chamado Norman Bates, que nutre um forte respeito e temor pela mãe. Marion decide passar a noite no local sem saber o terror que a espera.

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PORQUE É QUE NÃO POSSO PERDER?

Existem incontáveis listas de inumeráveis autores que compilam aqueles que são, no compêndio de vastas opiniões, os melhores filmes de sempre. Psycho está em muitas delas, mas mais do que um bom (ou excelente) filme, a obra de Hitchcock é, sobretudo, importante.

Cada vez mais escassos são os relatos daqueles que tiveram a honra de experienciar o verdadeiro génio de Psycho, quando estreou há 55 anos. Parece impossível concebe-lo hoje – o que significou cair na fenda aberta para o lado negro que nunca se imaginava que existisse. Naquele dia de junho de 1960 o Cinema mudou, e mudou para sempre.

Quando Hitchcock decidiu embarcar nesta experiência única, estava na crista da onda do sucesso – para trás tinham ficado os aclamados Janela Indiscreta, A mulher que viveu duas vezes e Intriga Internacional. Quando este último ainda estava a gozar sucesso nas salas, o icónico realizador britânico cruzou-se com a obra de Robert Bloch. A ideia brilhante surgiu de imediato e Hitchcock não só pagou os direitos de adaptação do próprio bolso, como comprou todas as cópias à venda para evitar que os possíveis espectadores tirassem a virgindade à experiência que queria preparar.

O que surgiu depois de uma preparação cuidada – com planeamento metódico, storyboards feitos ao ínfimo pormenor – e uma rodagem de trinta dias foi história. O filme que partiu e reconfigurou as noções de storytelling simétricas e coesas da Hollywood mais clássica: Psycho foi o parto do inesperado e do violento, do suspense e do repentino, traços característicos que foram depois adotados e desenvolvidos nos mais variados géneros e formatos, no cinema dos anos 70, depois da queda do studio system.

Mas se o seu efeito é tão impactante do Cinema em geral, que dizer do caso particular do género do terror? Basicamente podemos definir as eras A.P. e D.P. – Antes de Psycho e Depois de Psycho.

Intrigado com os B-movies de baixo orçamento, Hitchcock ficou enfeitiçado com uma pergunta simples: “e se alguém realmente BOM fizesse um filme daqueles?”. Mantendo um orçamento reduzido e embebendo-se do espírito depravado e violento das obras em que se inspirava, Psycho (não criou mas) trouxe para a luz da ribalta o sub-género slasher, e foi a partir da sua coragem e audácia de inovação que puderam nascer ícones como Jason, ou Michael Myers, ou Freddie Krueger.

Adicionalmente, antes o terror baseava-se na luta do homem contra o sobrenatural, contra o mostrengo. Hitchcock trouxe o terror à alma humana – em Psycho não havia monstros nem aliens, só Norman e a sua raiva. E é este centro de depravação e horror que passa a ser a força motriz do cinema de terror, ao invés das vítimas. São eles as personagens que mais nos interessam, são eles que regressam em repetidas sequelas, para apavorar repetidas almas virgens, perdidas em teias de sexualidade, vergonha e violência.

É fácil pensar que hoje podem existir filmes mais tensos, mais assustadores e mais chocantes que Psycho. É admissível até considerar que a proficiência de Hitchcock se fez sentir mais intensamente noutras das suas obras… mas a verdade mais absoluta é que o lote de filmes que redefinem a indústria é restrito. E Psycho é inequivocamente um deles.

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UMA FRASE PARA A POSTERIDADE

We all go a little mad sometimes

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PARA FICAR NO OLHO E NO OUVIDO (DA MENTE)

Catarina Oliveira

Licenciada em Ciências da Comunicação e com formação complementar em Design Gráfico, além de editora e diretora criativa da MHD é também uma das sócias fundadoras da mais recente face da empresa. Colaboradora de Cinema na Vogue Portugal. Gestora de conteúdo na Lava Surf Culture e NOS Empresas - Criar uma Empresa. Autora do blog de Cinema Close-Up.

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