Classic Fever | Rushmore (1998)

Rushmore foi a segunda longa-metragem de Wes Anderson mas a primeira grande instância em que tivemos a certeza de que estavamos perante um dos mais inventivos realizadores desta geração.

Depois de Bottle Rocket – uma excelente rampa de lançamento que foi no entanto afetada por marketing desajustado e uma audiência limitada – Wes Anderson lançou aqueles que é para muitos cinéfilos a epítome da sua essência e o início de uma das mais entusiasmantes carreiras de autor do cinema americano contemporâneo.

 

O QUE É QUE VOU RELEMBRAR HOJE?

Rushmore (1998) ou Gostam Todos da Mesma (título português), de Wes Anderson e protagonizado por Jason Schwartzman, Bill Murray, Olivia Williams e Seymour Cassel.

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MAS AFINAL DO QUE É QUE TRATA?

História de Max Fisher (Jason Schwartzman), um talentoso e rebelde adolescente, aluno da selectiva Academia de Rushmore. Editor do jornal de liceu, capitão ou presidente de inúmeros clubes ou sociedades, Max é igualmente um dos piores alunos que carrega diariamente o espectro de ser expulso da Academia. O mundo de Max entra em erupção quando se apaixona pela professora Miss Cross (Olivia Williams) e decide construir um aquário em plena Academia em sua honra. Mas não é fácil competir pelo amor de Miss Cross, principalmente se o concorrente for o seu amigo multi-milionário Mr. Blume (Bill Murray), pai de duas das suas colegas.

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PORQUE É QUE NÃO POSSO PERDER?

Como qualquer dos perpétuos fãs de Wes Anderson dirá, tudo o que fez desde Rushmore é passível de veneração religiosa, mas no final de contas, o “pai” de todo o fenómeno de culto que cerca o excêntrico realizador norte-americano é inequivocamente o relato do “coming of age” de Max Fisher.

De facto, não é de forma inocente que Bottle Rocket perde o estatuto de rampa de lançamento para o imaginário de Wes Anderson – perdido numa estratégia de marketing desajustada, acabou por não se revelar uma genuína marca de autor do cineasta americano. Rushmore foi, no entanto, uma aceitação de natureza e um regresso amado a tudo aquilo que tinha para oferecer e uma porta aberta para o início de uma inolvidável jornada no seu imaginário.

Não obstante um aparentemente detestável protagonista – uma mistura de Ferris Bueller com Jay Gatsby do secundário – há algo de instantaneamente moderno e genuinamente original em Rushmore, uma generosa comédia (relativamente) romântica que circunda os temas do amor adolescente e ambição num contexto de sátira social.

Foi essencialmente com este seu segundo filme que Wes Anderson assumiu verdadeiramente o estatuto de sinónimo com um cinema alternativo e positivamente excêntrico, introduzindo movimentos de câmara, ângulos, enquadramentos e alternativas narrativas, de caracterização e de diálogo que viriam a distingui-lo de todos os seus pares e a elevar a sua voz num mercado sobressaturado de novos cineastas que parecem produzidos em massa numa mesma fábrica de sonhos.

No final de contas, Rushmore foi a materialização da promessa do inventivo Bottle Rocket, e a derradeira confirmação do génio de Wes Anderson.

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UMA FRASE PARA A POSTERIDADE

I saved Latin. What did you ever do?

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PARA FICAR NO OLHO E NO OUVIDO (DA MENTE)

 


 

 

Catarina Oliveira

Licenciada em Ciências da Comunicação e com formação complementar em Design Gráfico, além de editora e diretora criativa da MHD é também uma das sócias fundadoras da mais recente face da empresa. Colaboradora de Cinema na Vogue Portugal. Gestora de conteúdo na Lava Surf Culture e NOS Empresas - Criar uma Empresa. Autora do blog de Cinema Close-Up.

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