Colony | Primeiras Impressões

“Colony” tenta colonizar-nos com a premissa de uma invasão exterior desconhecida, numa Los Angeles militarizada e delimitada por muros do tamanho do céu. A obra de Carlton Cuse não parece deixar-se dominar pelo facilitismo dos elementos mais sci-fi, apostando, ao que parece, nas dinâmicas dos seus intervenientes.

Colony é o trabalho mais recente de Carlton Cuse – mais conhecido pela sua colaboração como guionista e produtor executivo em “Lost“, “Bates Motel” e “The Strain“. O premiado realizador argentino Juan J. Campanella (O Segredo Dos Seus Olhos) é quem dirige o auspicioso piloto, cujo mistério em torno da sua trama pode servir como faca de dois gumes: entediar o espetador mais sequioso pela sua dose diária de adrenalina ou construir as fundações para um crescente suspance. É que, “Colony,” vende-nos o dia-a-dia rotineiro de uma qualquer família americana, que congrega os ânimos matinais como hoje e amanhã, até sairmos à rua e depararmo-nos com patrulhas de drones e muros de “Berlim” que tocam no azul celeste.

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À primeira vista, esta Los Angeles distópica apresenta-se de forma tão caseira e mundana que quase roça a novela das nove, isto porque o guião deposita a sua essência na inteligência e perspicácia do espetador numa espécie de “Pax tecnológica”, que não nos bombardeia com a demanda das máquinas e luzes neon da ficção científica de agora. Josh Holloway (Will Bowman) reclama desde logo todas as atenções com a robustez da sua presença parental, coadjuvado pela emotiva Sarah Wayne Callies (Katie Bowman) – que ainda perpétua aquela nostalgia médica proveniente de “Prison Break“. Até aqui, nada de novo em termos da complexidade do enredo, mas Will é mais do que aparenta ser, e quer mais do que aparenta ter; e o mesmo pode ser dito de Katie, que não é tão inocente como os seus olhos a pintam. Claramente, que Carlton aponta aqui para algum secretismo a priori no que concerne à identidade dos condutores da ação principal, tentando criar um “momentum” de interesse com a revelação tardia e cirúrgica dos factos – que pode redundar perigosamente em alguma frustração e impaciência por parte de quem visiona à espera de saltar do assento.

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COLONY -- "Pilot" Episode 101 -- Pictured: Josh Holloway as Will Bowman -- (Photo by: Isabella Vosmikova/USA Network)

Sem querer revelar em demasia as peças do puzzle ainda prematuro, digamos que a cidade dos anjos encontra-se em Estado de sítio, aonde os chamados “Boinas Vermelhas” asseguram o controlo territorial e ditatorial em nome do governador in “House” Proxy Snyder (Peter Jacobson). O líder da “Autoridade Transitória” de LA é aquele tipo de patrão que emite o tal sorriso passivo agressivo, que forja amizades convenientes de prestação mútua do género: “as coisas boas acontecem àqueles que são leais”. E Will bem precisa desse tipo de aliança, se acalenta resgatar o seu filho perdido no bloco de Santa Mónica, durante o processo de divisão estadual. O duo masculino exibe a potência de dois egos motivados pelo poder e sublevação, oferecendo à intriga os ingredientes indispensáveis ao bom funcionamento da engrenagem histórica.

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Colony” é para ser encarado de ânimo leve, porque os “slow burners” são assim mesmo, nunca nos dão tanto quanto desejaríamos receber no imediato, vão dando, paulatinamente, sem pressa de levantar o véu bombástico dos acontecimentos em movimento. O universo ficcional de Carlton vai-se escondendo nas sombras do lugar comum, mas não nos deixemos enganar pela capa do livro, já que o plausível pode-se tornar imprevisível num piscar de olhos, optando pela assunção de uma dimensão mais realista e humana, ao invés de um perfil descaradamente sci-fi.

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MS

 

Miguel Simão

Jurista e Poeta em algumas horas vagas. Cinéfilo incurável com forte pancada pelo sci-fi, que se perde algures pelo vício noturno de umas quantas séries televisivas de renome; amaldiçoado pelo perfecionismo estético de uma resma de palavras mais ou menos caras. Podem encontrar-me a divagar entre a Terra e o Espaço no meu blogue premiado Última Transmissão Humana.

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